E o deserto florescerá!

E o deserto florescerá!

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

A SALVAÇÃO EM JESUS

    Quando recordamos um fato alegre ou triste de alguma forma ele se torna presente e nos sentimos alegres ou tristes. Então, convido você a relembrar algo bom que aconteceu com você na sua infância... e deixe essa boa lembrança alegrar seu coração. 

      Se a recordação de um acontecimento da vida tem este efeito sobre nós, muito mais acontece com a Palavra de Deus. Se a lemos ou ouvimos com fé ela torna presente os acontecimentos do passado, e faz acontecer o que ela diz: Assim acontece com a palavra que sai de minha boca: não volta para mim vazia, sem ter realizado a minha vontade, sem ter cumprido sua missão (Is 54,11).

A palavra de Deus que hoje pode mudar a sua vida é esta: At 10,34-44. Pegue a sua Bíblia e leia o texto. Vamos nos deter no versículo 38 para nossa meditação. 

Como Deus ungiu Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder. Como ele andou fazendo o bem e curando todos os oprimidos pelo diabo, porque Deus estava com ele. (At 10,38).

O que recordamos neste texto da palavra de Deus?
Recordamos o acontecimento mais importante da história humana: Em Jesus de Nazaré Deus assumiu a natureza humana (cf. Jo 1,14). Provavelmente já ouvimos isso muitas vezes, mas às vezes esta verdade só atinge uma área do nosso ser. Entre o anuncio e nossos ouvidos estão a dureza de coração, as preocupações da vida, o domínio das emoções, e a Palavra só atinge a superfície do nosso ser.

   Se atingir só a razão queremos ter muito conhecimento para entender Deus, ou queremos algo palpável como prova da existência e ação do Senhor. Se atingir só as emoções  queremos experimentar sensações emocionais como prova de que Deus está agindo, e não nos deixamos atingir nas profundezas do nosso ser, em nosso espírito, e por isto não nos convertemos e não seremos curados (cf. Mt 13,14-15).

Qual é a verdade que precisa nos atingir hoje?
É esta: o Pai, no seu imenso amor, ao nos ver perdidos como ovelhas sem pastor enviou o seu Filho. A salvação foi uma ação trinitária: o Pai envia o Filho no poder do Espírito Santo, e a Jesus foi dado todo poder: 
Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda criatura; porque nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis: tronos domínios, principados, autoridades; tudo foi criado por ele e para ele (Gl 1,15-16).

  Como Jesus nos salvou? Por sua encarnação, vida, paixão, morte, ressurreição, glorificação e pelo dom do Espírito Santo. 
De que Ele nos salvou? Do Maligno e do pecado que leva à morte. A ruptura com Deus pelo pecado nos causou toda espécie de feridas e males. Jesus andou fazendo o bem e curando os oprimidos. A opressão pode ser espiritual que vem do Maligno, ou emocional que vem dos apegos, carências, compulsões e obsessões. Tudo o que nos domina se torna uma opressão.
Foi para a liberdade que Cristo nos libertou! Ficai, portanto, firmes e não vos curveis de novo ao jugo da escravidão (Gl 5,1).

    Eles o mataram pregando numa cruz... Mas Deus o ressuscitou. Jesus está vivo e dá a vida. Apareceu a algumas testemunhas: aos seus discípulos – a quem o acolhe e aceita como Salvador e Senhor. Se somos auto-suficientes ou nos consideramos justos, sem necessidade de salvação, dificilmente Ele se manifestará a nós. Ele nos mandou testemunhar, e o nosso testemunho se torna muito mais eficaz quando vivemos numa comunidade de fé, na Igreja.  

Amados, este mesmo Jesus está no meio de nós. Passa por aqui e toca em cada um, fazendo o bem e dando a cura que você precisa.

Senhor Jesus, mergulha-nos no amor do Pai e derrama sobre nós o Espírito Santo consolador. 
Senhor, enxuga as lagrimas dos nossos olhos, toca e cura nosso corpo, perdoa os nossos pecados, cura as feridas da alma, liberta-nos das opressões. 
Senhor, dá-nos a graça de nos deixar amar por vós, o rosto da misericórdia de Deus, e que na vossa misericórdia sejamos salvos e curados. 
Amém.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

QUEM COMO DEUS?

      Mas agora assim fala o Senhor que te criou ó Jacó, e te formou, ó Israel: Não tenhas medo, pois eu te resgatei, chamei-te pelo nome, tu és meu! Se tiveres de passar pela água, estarei a teu lado, se tiver tiveres de varar rios, eles não te submergirão. Se andares pelo fogo, não serás chamuscado, e as labaredas não te queimarão. Pois eu sou o Senhor teu Deus, o Santo de Israel, teu Salvador. Is 43,1-3

Meditando este texto da Bíblia fico pensando: Quem como Deus?

    As forças do mundo se agitam, o mal traça os seus planos de destruição, o pecado muitas vezes domina nossa frágil humanidade... Mas em meio a um mundo em convulsão que parece não ter saída, a Palavra de Deus vem ao nosso encontro e mostra o Caminho. Um caminho santo por onde podemos passar em segurança, é o caminho do amor de Deus que nos perdoa e salva porque nos ama. O Caminho é Jesus Cristo: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim. Jo 14,6.

Quem como Deus no seu amor? Quem como Deus no seu poder?
Deus não se deixa vencer em seu amor e misericórdia. Ele nos chamou à vida, nos gerou no ventre materno, protegeu a nossa vida de todas as formas, nos livrou de muitos perigos – alguns conhecemos, outros ignoramos.

Eu te resgatei...
      
       Em muitas ocasiões nos metemos em situações que nos aprisionaram e nos tornamos cativos do pecado, presos em vícios que nos dominaram, e nos vimos sem forças para sair, para escapar. Em tal situação o Cristo Redentor veio ao nosso encontro, viu nossa escravidão e nos libertou. Agiu muitas vezes por meio de pessoas, às vezes nem percebemos que era Ele. 

      Mas se prestarmos atenção ouviremos a voz do Senhor que nos diz: os rios não te afogarão, e o fogo não te queimará. E a Palavra se cumprirá. Passaremos e sairemos de situações difíceis na vida sem nos afogar ou queimar. Que palavra consoladora! Se confiamos n’Ele sua palavra acontece. Guarda-nos como a pupila de seus olhos. Ele é nosso socorro em qualquer perigo, e quer ter uma relação de amizade conosco: Vós sois meus amigos, se fizerdes o que vos mando. Jo 15,14

     A amizade com o Senhor Jesus passa pela entrega confiante em suas mãos amorosas. No reconhecimento de que Ele é nosso Deus, nosso Salvador, e sabe o que é melhor para nós. É nosso amigo, mas sobretudo é nosso Deus, a quem devemos adoração e obediência na fé e no amor. Sem a obediência no amor não podemos ser amigos de Deus.

Chamei-te pelo nome, tu és meu!

    Senhor, eu me alegro e sou grata por teu imenso amor. Obrigada Senhor pelo dom da vida e por cuidar da minha vida. O Senhor me cercou de amor, ternura e misericórdia. Por isto eu me entrego confiante em tuas mãos. Tudo o que sou e tenho de vós recebi. Especialmente o dom maior que é o seu Amor, o Espírito Santo, que quer morar em mim.
Quem como Deus, no amor, perdão e misericórdia?

Diante de tão grande amor só nos resta o silêncio e adoração. Deixar-se amar por Deus. Meu Senhor e meu Deus! 

domingo, 3 de setembro de 2017

DA TRISTEZA À ALEGRIA

     Não entregues tua vida à tristeza nem te atormentes com tuas reflexões. A alegria do coração é a vida da pessoa, e o contentamento multiplica os dias. Distrai-te, consola teu coração: expulsa a tristeza para longe de ti. Pois a tristeza já causou a perdição de muitos e não traz proveito algumEclo 30,21-23

Como crianças, vamos brincar com a imaginação...
Alguém está deitado na cama em um quarto escuro... Uma janela quase inteiramente fechada... De repente um raio de sol entra pela fresta da janela e vem até perto da cama. A poeira presente no ar, banhada pela luz do sol, dança, brinca, como se estivesse muito alegre por aquele raio de sol.  Esta cena penetra na mente da pessoa entristecida deitada na cama e desperta algo dentro dela. Então, ela se levanta e abre a janela. A luz do sol ilumina o quarto escuro, penetra na sua alma, traz brilho aos olhos, colore a face, e a alegria timidamente começa a dançar como a poeira iluminada pelo sol dentro do seu coração...

   Assim o Espírito Santo encontra formas simples e às vezes inesperadas de nos surpreender com a alegria. Se abrirmos um pouco o coração, como aquela fresta da janela, Ele transforma nossa tristeza em alegria. Mas precisamos reconhecer que nem sempre é fácil deixar a alegria e consolação do Espírito Santo iluminar o nosso coração e a nossa mente. Parece que muitas vezes preferimos ficar na tristeza e reclamação, cultivando um espírito abatido.

    Há pessoas que lutam diariamente e às vezes durante toda a vida com um espírito melancólico. Uma depressão latente que está sempre presente. Há dias em que esta melancolia adormece um pouco, outros dias fica mais pesada e se torna mais difícil lidar com ela. Mas esse temperamento melancólico não precisa dominar ou determinar nossa vida. O Espírito Santo quer transformar nossa tristeza em alegria.

   Às vezes ficamos dominados pela tristeza por causa de um acontecimento – uma doença, a morte de alguém querido, uma separação, frustração com as decepções que a vida nos trouxe, os sonhos e desejos que não se realizaram, o cansaço moral por ver crescer a maldade e a violência, a injustiça, o medo do futuro, preocupações exageradas... Tudo isto vai roubando nossa alegria de viver.
        
Passar da tristeza à alegria exige de nós coragem. Coragem de sair de nós mesmos, coragem de deixar a reclamação e a auto-piedade, renunciar ao abatimento e desânimo para dançar a dança da vida, com tudo que ela nos traz. Com risos e dores, perdas e ganhos, vitórias e derrotas. Começar de novo com o nascer de cada dia, dar um sim à vida hoje.       

    O Espírito Santo quer nos libertar, quer fazer nossa alma dançar como os grãos de poeira banhados pelo sol. Vamos cooperar com o Espírito Santo e aceitar o seu convite para a dança da vida. Vida que resiste, brota, ressurge pelo chamado de Deus que nos criou e todo dia nos recria. O Senhor se alegra conosco e nos enche de alegria. A alegria é fruto do Espírito, e brota em nosso coração pela certeza da salvação em Jesus.

E esta é a promessa do Senhor Jesus pra você hoje:
Assim também vós estais tristes agora, mas eu vos verei de novo. Então o vosso coração se alegrará e ninguém poderá tirar-vos a alegria
Jo 16-22

domingo, 6 de agosto de 2017

VIVER NA GRAÇA

     

  
       Mas ele me respondeu: “Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que a força chega à perfeição”. Portanto prefiro orgulhar-me das minhas fraquezas para que habite em mim a força de Cristo
(2Cor 12,9)

   Amados, que consoladora é esta palavra! Por ela percebemos que nada impede a graça de Deus em nós. Basta a graça, pois ela manifesta em nossa fraqueza o poder de Deus.     

       Aceitar e acolher que basta a graça de Deus quebra o orgulho de pensar que o que faço é pelos meus próprios méritos, talentos ou força. Passa também pela aceitação de mim mesma – meu temperamento, minhas fraquezas espirituais, emocionais, morais e físicas, pela aceitação da minha história de vida, pois reconheço que de tudo o que me aconteceu Deus tira um bem maior, se abrimos o coração para sua graça. Reconhecer e aceitar que basta a graça me faz mais humilde e mansa, quebra a arrogância e o egoísmo, pois nada tenho que não tenha recebido de Deus. Enche o coração de gratidão e me faz viver mais o senhorio de Jesus. A Ele todo louvor e toda glória agora e para sempre. Mas depender da graça de Deus é uma batalha que travamos todos os dias, e o coração é o lugar onde se trava a batalha para viver na graça. 

Filhos, vinde e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor (Sl 34,12).

    O temor do Senhor é a união de amor com Jesus Cristo no Espírito Santo. É a experiência de amor de quem faz do Senhor o seu refúgio e vive sob a proteção de Deus. E, por isto, se empenha em tornar presente o bom e o belo no mundo.
      O temor do Senhor é que me faz perseverar na luta, é que me dá forças para continuar orando e vigiando, e a oração é onde o meu ser descansa da luta. Na oração eu estou em Deus e ele está em mim. Ele me enche com o seu amor, com os dons do Espírito Santo, para que eu possa continuar de pé mesmo nos dias mais escuros.

       Senhor, eu renuncio ao desamor, medo, angustia, orgulho, egoísmo, raiva... e a tudo mais que está em mim e pode me afastar de vós. 
Dou o meu sim ao seu amor que supera tudo. 
E na minha pequenez dou o meu sim ao seu chamado, à missão que o Senhor me confia. 
Que a minha fraqueza e os meus pecados não sejam empecilhos para manifestar o seu amor e misericórdia ao mundo.
Vinde Espírito Santo purificar o meu coração com o fogo do amor de Deus. Dá-me a graça de perseverar no seguimento de Jesus, como discípula fiel. 
E depois deste tempo passageiro viver convosco pelos séculos sem fim. Amém.  

sábado, 15 de julho de 2017

O FASCÍNIO DA ILUSÃO

Desvia meus olhos do fascínio da ilusão, faz-me viver em teu caminho!
Sl 119,37
      
     O salmo 119, o maior salmo, fala da alegria de quem vive sob a Lei de Deus. Hoje vamos refletir neste versículo que chama nossa atenção para o perigo do fascínio da ilusão. Realmente, se fizermos uma leitura da nossa vida veremos o quanto já fomos ou somos fascinados pela ilusão. Quantas coisas eram de extremo valor para nós e hoje vemos que na verdade era fogo de palha... Ilusão... nosso coração facilmente se deixa seduzir por ela nos relacionamentos, no projeto de vida e até mesmo na área espiritual. Quantas vezes agimos pensando que estávamos agradando a Deus, mas no fundo buscávamos agradar a nós mesmos ou alguém.    

      Geralmente são as paixões que nos levam no caminho da ilusão e nos afasta do caminho de Jesus. Falamos aqui de todo e qualquer sentimento exacerbado que tem o poder de nos dominar. Desta forma somos dominados pelas paixões e não obedecemos ao Espírito Santo.
“As paixões são componentes naturais do psiquismo humano; constituem o lugar de passagem e garantem a ligação entre a vida sensível e a vida do espírito. Nosso Senhor indica o coração do homem como a fonte donde brota o movimento das paixões (cf.Mc 7,21-23) – Catecismo da Igreja Católica, 1764.
 
       Uma paixão que facilmente nos domina é a raiva - grande mal vem da ira que queima com labaredas de morte. A raiva pode nos levar facilmente ao desejo de vingança, ressentimento, mágoa, medo, ações violentas... e tantas outras paixões que nos queimam por dentro. São como pedras e espinhos que tornam a terra do nosso coração uma terra árida, ressequida, sem vida. Precisamos da ajuda do Espírito Santo para limpar nosso coração da raiva e torná-lo manso e humilde como o coração de Jesus. Um coração livre da raiva é como uma terra regada por uma chuva suave, uma terra fértil onde brota toda espécie de boa semente. Quem possui um coração assim, limpo pelo Espírito Santo, pode repousar junto ao Senhor e descansar na certeza da intimidade com Ele.

        Amados, nada que possamos fazer agrada mais ao Senhor do que a intimidade com Ele. Esta intimidade vem da confiança em sua misericórdia. Vem da certeza que Deus me ama e me perdoa. E todos os meus pecados morrem no coração amoroso de Jesus Cristo. Certeza do amor fiel de Deus que nunca me abandona ou me rejeita, e sempre me amou e protegeu:
Tu me viste quando os meus ossos estavam sendo feitos, quando eu estava sendo formado na barriga da minha mãe, crescendo ali em segredo, tu me viste antes de eu ter nascido (Sl 139,16).

        E mesmo se ao longo da vida as paixões e a dureza de coração nos afastaram do Senhor, fomos amados e protegidos. Ele jamais nos desamparou ou desamparará. Esta intimidade de amor, esta confiança de filhos, é o que mais agrada a Deus. Se não nos afastarmos desta intimidade viveremos em paz e caminharemos seguros em meio aos perigos deste mundo.

Vinde Espírito Santo, libertar-me do fascínio das ilusões. Faz-me olhar a mim mesma, as pessoas e o mundo com esperança e misericórdia. Dá-me a graça de viver em teu colo como uma criança saciada, e que meu coração fique tranqüilo e seguro. Ó vinde, doce hospede da alma, Espírito consolador, derramar o amor do Pai e a alegria da salvação em Jesus, no meu coração.

Glória ao Pai pelo Filho no Espírito. Aquele que é, que era e que vem, pelos séculos dos séculos. Amém.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

CRIADOS, REMIDOS, REGENERADOS

     
     Todos nós, em alguma fase da vida, já nos perguntamos pelo sentido da vida. Para que viemos a este mundo? Qual é o meu destino? Quais as forças desagregadoras do meu ser? O que me torna inteira? E por aí vai...
A vida é um mistério, por mais que queiramos não a dominamos. A vida passa por nós e vai além de nós... Hoje é grande o número de pessoas perdidas e sem rumo, vivendo na superficialidade de uma vida sem sentido. Mas aquele que tem fé busca resposta a estes questionamentos em Deus, autor da vida. E em Deus podemos ver o sentido da vida numa ordem amorosa onde tudo mais é acréscimo. Podemos encontrar esta ordem em três palavras: criados, remidos, regenerados.

      Criar é chamar os seres à vida a partir do nada. Tudo o que o ser humano cria tem um começo anterior, ou seja, cria a partir de alguma coisa existente. Só Deus cria a partir do nada, Ele chama à vida coisas inexistentes – para esta criação o ser humano por mais que pesquise não encontra explicação definitiva. E a ação criadora de Deus é contínua, isto é, mantém a vida criada. A Bíblia afirma que Deus é o criador de tudo. Esta é a nossa fé. Deus é amor e todas as coisas foram criadas por amor. Deus não nos criou para o sofrimento, mas para participarmos da felicidade e amor que existe Nele. Deus criou você por amor. Esta certeza nos cura da rejeição e das feridas do abandono. Seja qual for a situação em que a sua vida começou, você não nasceu por acaso. Deus te desejou e te chamou à vida numa ação criadora através dos seus pais.  Deixe o amor do Pai curar você da rejeição e desamor presente em sua história.

      E a ação criadora de Deus continua na sua vida pela redenção em Jesus Cristo. O demônio, o pecado e a morte dominavam o ser humano. Dominar quer dizer, nos mantinham cativos, presos – não podíamos nos libertar por nossas próprias forças porque a prisão era muito forte. Por sua encarnação, paixão, morte e ressurreição, Jesus Cristo veio resgatar os cativos pelo pecado. Ele é o Redentor. Nenhum cativo pode ser feliz e ter uma vida plena. Libertos do mal podemos viver para Deus – o pecado não reina mais sobre nós: Assim, também vós, considerai-vos mortos para o pecado, porém vivos para Deus em Cristo Jesus. O pecado já não reine em vosso corpo mortal, fazendo-vos obedecer aos seus desejos. (Rm 6,11-12).

       A ação de Deus em nossa vida se completa pela regeneração, a renovação espiritual, pelo dom do Espírito Santo. O Espírito nos anima e vivifica no amor da Santíssima Trindade: Ele nos salvou, não por causa das obras de justiça que tivéssemos praticado, mas por sua misericórdia, mediante o batismo de regeneração e renovação do Espírito Santo (Tt 3,5).
      Pelo batismo recebemos uma vida nova em Cristo, nascemos de novo. Esta vida nova consiste em deixar que Deus troque nosso coração de pedra por um coração de carne: Eu vos darei um coração novo e porei em vós um espírito novo. Removerei de vosso corpo o coração de pedra e vos darei um coração de carne (Ez 36,26).
     Um coração de pedra é um coração indiferente a Deus e aos outros. O coração de carne é um coração aberto para Deus, um coração que ama, um coração semelhante ao de Jesus. A regeneração é uma obra divina mas espera nossa resposta. A conversão é a resposta humana ao amor de Deus, permitindo que Ele vá completando em nós sua ação salvadora.

       Amados, Deus espera que deixemos os apegos, egoísmo, orgulho, mentiras, ilusões... e nos voltemos para Ele. Que nos deixemos amar e curar pelo Amor. Que abramos o coração para a consolação do Espírito Santo e vivamos na paz e alegria do Senhor Jesus. Uma vida cheia de sentido.

       Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho único, para que todo aquele que nele crer não morra mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele (Jo 3,16-17).



sexta-feira, 2 de junho de 2017

OS POBRES EM ESPÍRITO

Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. (Mt 5,3)

       Neste tempo em que o apego ao dinheiro domina a muitos e é causa de grandes pecados e crimes, somos convidados a refletir sobre os pobres em espírito, pois tudo começa no coração (cf.Mt 15,19). Sem a pobreza do ser humano diante de Deus o dinheiro se torna o nosso deus e o coração se endurece para tudo e todos. Vamos refletir sobre a pobreza do coração tão necessária no mundo de hoje, como já exortava o profeta Sofonias no Antigo Testamento: Deixarei no meio de ti um povo pobre e humilde; eles procurarão refúgio no nome do Senhor: o resto de Israel (Sf 3,12). Os pobres e humildes, os que dependem de Deus, são parte “do resto de Israel” que acolheram Jesus como o Messias e receberam a salvação.

        Jesus, manso e humilde de coração, é a encarnação perfeita do pobre. Nas bem-aventuranças Jesus ensina aos seus discípulos - os que estão abertos e dispostos para os bens espirituais - um modo de vida que pode dar a eles a paz do coração e alegria de viver (Mt 5,2-12). Jesus falou do seu modo de vida, de como precisamos viver para ser feliz.
  
         Segundo o ensinamento de Jesus, pobre é aquele que não confia em suas próprias forças, suas riquezas ou nos poderes humanos, mas confia e depende unicamente de Deus. É ativo, trabalha, dá o melhor de si, mas sabe que sua vida, sua família, seus bens e todas as suas necessidades, estão nas mãos do Senhor e Ele tudo providenciará a seu favor. Como fala S. Paulo: Nós sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8,28).

      Como exemplo de pobres em espírito a Bíblia nos apresenta aqueles que acolheram Jesus: Maria e José, Zacarias e Isabel, os pastores, os magos, Simeão e Ana. Entre estes se destaca a Virgem Maria, que foi totalmente aberta para a vontade de Deus e gerou em seu ventre o Salvador (Lc 1,38).

       Maria e José eram pessoas simples que não tinham muitos bens e poder neste mundo. Dependiam de Deus, eram os pobres de Javé. E receberam a maior missão deste mundo: cuidar do Filho de Deus, Jesus. Maria e José viveram para essa missão. Atentos ao que o Senhor lhes falava, prontos a seguir a direção de Deus. Dóceis à sua condução.  Juntos formaram a Sagrada Família, uma família voltada para o centro: Jesus. E porque eram pobres de coração acolheram o Messias Salvador. Viveram para Jesus, e como não tinham poder para fazer isso por eles mesmos estavam atentos a condução de Deus. A vida que a Sagrada Família vivia está descrita nas bem-aventuranças.

    O ser humano hoje busca a riqueza, o poder e o prazer acima de tudo. Saiu do seu centro e está cada vez mais, infeliz e doente. Precisamos voltar à nossa essência e buscar viver como Jesus nos orienta:
Buscai, pois, em primeiro lugar o reino de Deus e sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas de acréscimo (Mt 6,33).


Senhor Jesus, dá-nos a graça de ordenar a nossa vida segundo a vossa vontade. A graça de ser manso e humilde como o Senhor. De ter um coração semelhante ao teu. A graça de voltar à essência, ao que realmente importa. A graça de retirar o supérfluo e deixar de acumular. Renunciar ao acumulo de bens, riqueza, poder, raiva, mágoa, ressentimento... e tudo mais que envenena nossa vida. Ensina-nos a ser feliz, a bem aventurar a vida. Amém.