E o deserto florescerá!

E o deserto florescerá!

domingo, 13 de maio de 2018

ASCENSÃO DO SENHOR


Ide por todo mundo e pregai o Evangelho a toda criatura 
(Mc 16,15).
Deus subiu por entre aclamações, o Senhor subiu ao som da trombeta. Catai louvores a Deus, cantai! Cantai louvores ao nosso rei, cantai! 
(Sl 47(46),6-7).

      Na introdução aos Atos dos Apóstolos, Lucas nos conta como Jesus ressuscitado ficou com os seus discípulos, dando as ultimas recomendações e fortalecendo a fé deles (At 1,1-11). A principal instrução que Jesus dá a eles é: Esperar o cumprimento da promessa do Pai. O cumprimento da promessa do Pai é o coroamento do projeto de salvação de Deus. Na plenitude dos tempos Deus enviou o seu Filho nascido de uma mulher para nos salvar por sua morte e ressurreição (cf. Gl 4,4). Mas não terminou aí o plano de Deus. Deus queria morar em nós na intimidade de amor, e assim, poder nos chamar de filhos, nos ungir e nos conduzir. Isso se tornaria real pelo derramamento do Espírito Santo. E as ultimas palavras de Jesus ao seus foi: 
Recebereis uma força, o Espírito Santo que virá sobre vós; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda Judéia e Samaria, até os confins da terra (At 1,8).

      O dom do Espírito Santo que recebemos no batismo como marca indelével, e que é renovado a cada dia se o pedimos, e especialmente em cada missão ou nova fase da vida, numa nova efusão do Espírito Santo.

      É na força do Espírito Santo que a Igreja vive. É o Espírito Santo que nos dá força para testemunhar que Jesus vive e é o Senhor, num mundo em convulsão, em que nada mais é confiável e as vãs filosofias brotam todo dia; onde as ideologias arrastam a muitos e infelizmente fazem muitos perderem a fé.

      A Palavra de Deus nos convida a renovarmos a fé, pois a nossa certeza é: Jesus voltará! (At 1,11). Não sabemos o dia nem a hora, mas certa como a aurora é a sua vinda. Enquanto o esperamos, carregamos o suave fardo do envio de Jesus: Ide por todo mundo e pregai o Evangelho a toda criatura (Mc 16,15). Envio que recebemos no batismo, e se renova no final de cada missa, e sempre que oramos com a Palavra de Deus. A poderosa voz do Senhor ressoa  nos corações dos que crêem: Ide... ide testemunhar a fé em tempos difíceis. Para isto tomamos sobre nós a oração de Paulo:

       Rogo ao Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, que vos dê um espírito de sabedoria e de revelação para o conhecerdes, e ilumine os olhos de vosso coração. Assim compreendereis qual a esperança a que fostes chamados, quão rica e gloriosa é a herança reservada aos santos, e qual a suprema grandeza de seu poder para conosco, que abraçamos a fé, segundo a eficácia da força do seu poder (Ef 1,17-19).

Amém. Que assim seja Senhor. Renova a graça do batismo e faça-nos nascer de novo na força do Espírito Santo. Vinde, Espírito consolador! Amém.

domingo, 22 de abril de 2018

GRAÇA E REBELDIA


    Podemos perceber dentro de nós duas forças contrárias. Uma é o desejo de fazer a vontade de Deus, de seguir Jesus com mais entusiasmo, de amar mais o próximo. Esta força foi gravada por Deus, no mais intimo do nosso ser, ao nos criar. Mas podemos perceber também a rebeldia, o desejo de controle, a arrogância, soberba, orgulho, egoísmo, e medo de fazer a vontade de Deus.

        Pela graça do batismo somos atraídos para Deus, fonte de todo bem. O desejo de fazer a vontade de Deus gera vida e consolação do Espírito Santo, mesmo quando passamos por tribulações na vida. A rebeldia, ao contrario, gera a morte, a tristeza, o medo, a frustração e reclamação. O desejo de me entregar ao Senhor vem do Espírito Santo; a rebeldia vem do Maligno, é fruto do pecado, do orgulho da carne. A rebeldia vem do amor próprio desordenado, fruto do orgulho, do desejo de dominar a vida, de ser como Deus.

     A mulher notou que era tentador comer da árvore, pois era atraente aos olhos e desejável para alcançar inteligência. Colheu o fruto, comeu e deu também ao marido, que estava junto, e ele comeu (Gn 3,6).

       Este versículo da Bíblia revela a tragédia da humanidade: a rebeldia e desobediência ao Criador. O Maligno apresentou a Adão e Eva a tentação do orgulho, e eles caíram perdendo a graça da amizade com Deus. O orgulho, o amor próprio desordenado, entrou pelos olhos (o fruto era atraente), dominou a inteligência (razão, pensamentos e sentimentos), e se tornou ação (colheu o fruto e comeu). Seus olhos se abriram, e viram, não a grandeza que esperavam, mas a pequenez do ser humano (estavam nus). Pois nossa grandeza vem de Deus, e quando nos afastamos dele só nos resta a miséria, o fracasso como pessoa. Por isso S. João nos exorta em sua primeira carta:

       Não ameis o mundo nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Pois tudo o que há no mundo – os maus desejos da carne, a cobiça dos olhos e o orgulho da riqueza – não vem do Pai, mas do mundo. Ora, o mundo passa junto com sua cobiça, mas quem faz a vontade de Deus permanece para sempre. 
(1Jo 2,15-17).

       O remédio para a ferida do pecado é a graça. O tratamento é vigiar sobre o amor próprio desordenado. Vigiamos reconhecendo que a raiz do pecado está em nós, e se tentarmos arrancá-la por nossas próprias forças ela brotará em outro lugar ainda mais forte. Mas Deus não nos criou para o pecado e a infelicidade. Deus nos criou para a vida, o amor e a santidade. O Espírito Santo é quem nos faz sair do reino do pecado e nos dá a vida da graça. É Ele quem nos torna dócil à vontade de Deus.

Então, o que posso fazer? Reconhecer que o pecado mora em mim (cf. Rm 7,14-25), e nas áreas onde sei que ele me domina, mudar as ações de orgulho para a mansidão. Combatemos o amor próprio desordenado pela mansidão e humildade. Mansidão e humildade é o jeito de ser de Jesus (Mt 11,29). 

   Nossa vida é transformada quando abrimos o coração para o Espírito Santo, dom de Deus. É Ele quem nos configura com Cristo e nos dá a alegria de sermos filhos do Pai. Ouçamos a voz do Espírito que nos exorta a obediência da fé. 
O amor próprio desordenado nos leva a incredulidade, pois quando me deixo dominar pelo orgulho eu creio em mim mesma e não em Deus. “Não me submeterei!” Este é o pecado de Lúcifer, que pela desobediência, de anjo de luz se tornou anjo das trevas, o Maligno.

    Para quebrar o orgulho não precisamos procurar muito, basta nos submetermos as situações humilhantes que a vida nos traz. Em tudo preciso discernimento, que é dom do Espírito Santo. Ele afina nossos olhos e ouvidos para perceber onde está a vontade de Deus.

          Senhor Jesus, lava-me com o teu sangue. Aos pés de vossa cruz me refugio. Renova a graça do meu batismo. Dá-me o Espírito Santo. Eu renuncio a satanás e as suas obras. Renuncio ao orgulho e a desobediência a Deus. Maria, mãe da divina graça, ajuda-me a obedecer ao Senhor. Desperta meus ouvidos para escutar sua exortação: “Fazei tudo o que ele vos disser”. Amém.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

ORAÇÃO COMO ENTREGA


Procurai o Senhor e seu poder, buscai sempre a sua face!
(Sl 105(104),4).

         O encontro com Deus na oração consiste sobretudo em buscar a sua face. E se o buscamos é porque Ele nos buscou primeiro. Na vida espiritual o primeiro passo é sempre do Senhor que nos busca e vem ao nosso encontro (cf. Gn 3,9). A atitude que o Senhor espera de nós é prestar atenção ao seu chamado e ir ao seu encontro.

           Orar é buscar a face do Amado e experimentar o desejo Dele de que eu me entregue sem reservas. De tal forma que mesmo as minhas necessidades, as necessidades dos meus queridos, da Igreja e do mundo, na verdade não são pedidos, mas entrega. O apelo do Espírito Santo é que o discípulo de Jesus se  entregue docilmente  nas mão amorosas do Pai, por Cristo, com Cristo, em Cristo. 


      Na vida de oração certamente muito já pedi, mas geralmente a resposta me decepcionou ou experimentei apenas o silêncio de Deus. Na verdade o Senhor não me abandona no silêncio. Quando Ele se cala está me educando para a entrega. Ele quer me fazer experimentar que o maior presente não é não é responder positivamente aos meus pedidos. O maior presente é Ele mesmo. Experimentar a vida divina, ser transformada pelo Espírito Santo, é esse presente que Ele quer me dar. O resto virá a partir da minha entrega e da união com o Amor que se entrega sem reservas (cf. Mt 6,33). De tal forma que posso experimentar em minha pobre humanidade a vida divina. Esta é a maior consolação que posso experimentar na oração e na vida. O relacionamento afetivo com Deus é a fonte da felicidade. O Pai de Jesus Cristo é o consolador:

Bendito seja Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai misericordioso e Deus de toda consolação. Ele nos conforta em todas as aflições, para podermos consolar todos os aflitos com o consolo que nós mesmos recebemos de Deus (2Cor 1,3-4).

       Senhor, que eu nunca pare de procurar a vossa face. Às vezes a correria e preocupações da vida me fazem esquecer a vossa consolação e a entrega que o Senhor me convida a fazer. Quando isto acontecer que o Espírito Santo venha despertar o meu ser para encontrar o Senhor na agitação da vida, em meio aos medos e insegurança, e me coloque outra vez na vossa presença. De tal forma que onde eu estiver seja o Tabor onde o Senhor se transfigura e me transfigura com Ele. Vinde Espírito Santo consolador fazer-me viver diante da face de Deus. Amém.

sábado, 24 de março de 2018

TEMPESTADE E CALMARIA


      Pelas três da madrugada, vendo que estavam cansados de remar, pois o vento lhes era contrário, foi até eles andando sobre o mar e queria passar à frente deles. Ao vê-lo caminhar sobre as águas, pensaram que fosse um fantasma e gritaram, pois todos o viram e se assustaram. Mas Jesus logo lhes falou: “Coragem! Sou eu! Não tenhais medo!” Então, entrou no barco onde estavam, e o vento se acalmou (Mc 6,48-51).

       Os discípulos lutavam para conduzir o barco em meio ao mar revolto, remando contra o vento. Trabalhavam com afinco com medo do naufrágio. Suas mentes estavam dominadas pelo medo. Em meio a esta situação Jesus vai ao encontro deles, mas tal era o estado de pavor que os dominavam que não reconheceram Jesus, que caminhava, comia e bebia com eles. Esse estado mental os fez pensar que Jesus fosse um fantasma, um espírito das profundezas do mar, que tinha vindo para arrastá-los para a morte. A mente dominada pelo medo sempre nos prega peças, e nos leva a acreditar em suas fantasias.
         Muitas vezes nossa vida fica revolta como esse mar. A escuridão da noite, os fortes ventos da tempestade dos sofrimentos, as ondas gigantes da angustia e do medo nos atacam de todos os lados. Ficamos sem forças, e não conseguimos ver uma saída ou reconhecer um socorro. Parece que até Deus se cala, se afasta e nos deixa só, lutando nossa luta, uma luta que muitas vezes nos parece maior que nossas forças.

        Às vezes a tempestade é uma doença, a morte de alguém querido, uma separação, o desemprego, um vício que não temos forças para deixar... Muitas coisas ameaçam nossa estabilidade e até mesmo nossa vida. Em todas as situações o que nos mantém de pé é a fé de que o Senhor vem ao nosso encontro na hora mais escura da noite para nos salvar. Com Ele no barco podemos vencer as tempestades.

       Mas fico pensando em outra situação que pode nos abater: a calmaria. Não falo da calmaria dos dias bons em que sentimos alegria e gratidão por podermos fazer as coisas simples da vida – a convivência familiar, o comer saboreando os alimentos, degustar uma taça de vinho, o trabalho, o poder caminhar, ouvir um pássaro cantando em meio ao barulho da cidade... muitas são as coisas que alegram nossa vida, e muitas vezes não prestamos atenção nelas.

       Penso na calmaria que prende as velas do barco da vida, quando não sopra nem uma brisa, em que a superfície do mar parece de vidro e nada acontece. A calmaria que mina nossas forças, que nos torna irritados e sem paciência. Quando nada podemos fazer a não ser esperar que o vento sopre de novo e enfune as velas da vida. Em tal situação de desolação se torna difícil manter os compromissos que fizemos. Nossa oração se torna árida e é um desafio manter acesa a chama da fé.

       Não sei o que é mais difícil: a tempestade ou a calmaria. Na tempestade sempre temos alguma coisa para fazer; é preciso ir à luta... Na calmaria o desafio é a inércia, o não ter nada para fazer, é um teste para nossa paciência. Mas seja qual for a situação que estamos vivendo o socorro sempre vem do Senhor. É Ele que adestra nossas mãos para a luta na tempestade e nos dá força para esperar que o vento do Espírito sopre outra vez as velas da nossa vida. Ambas as situações deixam marcas em nós. Não somos mais os mesmos depois de uma tempestade ou de uma calmaria.

      Senhor Jesus, vinde ao barco da nossa vida, pois precisamos do seu socorro. Vinde nos dar força na tempestade ou na calmaria. Vinde lutar conosco e por nós. Temos medo Senhor! Aumenta nossa fé. Que a Vossa presença seja o nosso consolo. Cure as feridas da tempestade e da calmaria. Vinde Espírito Santo consolador, nos trazer o balsamo da cura divina. Amém.

terça-feira, 6 de março de 2018

A LIBERTAÇÃO DO MEDO - 6


 Sexto medo: Medo da morte.

        O medo da morte é forte em nós porque Deus não nos criou para a morte. A morte entrou no mundo pelo pecado. A única certeza que podemos ter nesta vida é que morreremos, mas mesmo assim sempre nos surpreendemos com a morte, nunca a vemos como um acontecimento natural.

        Talvez mais forte que o medo da morte seja o medo de uma morte lenta e penosa. Tememos o sofrimento que acontece antes da morte. Tememos ver o nosso corpo e a nossa mente se deteriorando. Tememos ver que o nosso  conhecimento, atividades, todo potencial do nosso ser, tudo o que sonhamos e programamos, se vai como poeira ao vento. Tememos deixar o nosso corpo, ele é a nossa casa, por ele somos conhecidos, através dele agimos no mundo. Tememos o sofrimento de deixar as pessoas queridas, e de igual modo tememos a morte de pessoas queridas. Mas a Palavra de Deus se levanta sobre o nosso medo e o Senhor nos diz:
“Sede fortes e corajosos! Não vos intimideis nem tenhais medo deles! Pois o Senhor teu Deus vai contigo não te deixará nem te abandonará!” (Dt 31,6).

   
Mas para o Senhor nos libertar do medo da morte precisamos cuidar da vida. A vida é o dom mais precioso que recebemos de Deus e Ele a mantém em nós com seu sopro vital – “Quem ama a vida, ama a Deus” (Leon Tolstoi).  A vida é frágil e preciosa, precisamos cuidar dela com carinho. Quem mais teme a morte é quem não vive bem. Muitas vezes vivemos a vida como um ideal que sonhamos e não como ela é realmente. Quando isto acontece não estamos vivendo a vida, mas um sonho, melhor dizendo uma quimera, uma ilusão. Deus quer que vivamos plenamente a vida que Ele nos deu. Jesus é a Vida e veio nos dar vida nova: 
“Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundancia” (Jo 10,10).

        Jesus veio nos dar a salvação, nos resgatar da morte com sua ressurreição. Com Ele não tememos mais a morte. Como será a nossa morte? Não sabemos. Está nas mãos de Deus. Mas se entregarmos ao Senhor o medo da morte Ele nos libertará, nos consolará. Jesus nos dá a confiança de seja como for a nossa morte Ele está conosco, e junto com sua mãe Maria, nos ajudará a passar desta vida para a vida eterna na qual não há mais choro ou dor.
Ore com este texto do livro do Apocalipse e deixe a Palavra de Deus te libertar de todos os medos:

     Ouvi uma voz forte que saia do trono e dizia: “Esta é a tenda de Deus entre os homens. Ele vai morar com eles. Eles serão o seu povo, e o próprio Deus-com-eles será seu Deus. Enxugará as lagrimas de seus olhos e a morte já não existirá. Não haverá mais luto, nem pranto, nem dor, porque tudo isso já passou”. E aquele que estava sentado no trono disse: “Agora faço novas todas as coisas” (Ap 21,3-5).

     Durante seis dias tenho orado por você que junto comigo refletiu sobre alguns medos que nos dominam. Que o Senhor te dê hoje e sempre uma vida fecunda. Vida que vem do amor Dele e se irradia de nós para os outros.

      Quem nos separará do amor de Cristo? O sofrimento, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? Mas em tudo isso vencemos por aquele que nos amou (Rm 8,35.37).

segunda-feira, 5 de março de 2018

A LIBERTAÇÃO DO MEDO - 5


 Quinto medo: medo de ficar só.

       Há pessoas que ficam paralisadas por esse medo – para algumas é muito doloroso pensar ou falar sobre ele. Realmente a solidão não desejada, aquela para qual a vida nos leva sem procurarmos, se assemelha a uma tempestade de areia no deserto. Não podemos fugir dela e ela nos apavora. A solidão não desejada se assemelha também a um deserto de gelo, uma morte antecipada que rouba nossas forças e nos paralisa. Fazemos a experiência de S. Paulo, preso em Roma: 
Em minha primeira defesa não houve quem me ajudasse. Todos me abandonaram (2Tm 4,16).

Vou me casar um dia? E se meu marido ou esposa morrer ou me abandonar e me deixar só? Quem ficará comigo até o fim?

São perguntas para as quais não temos resposta... O medo de ficar só sufoca a alegria de viver e domina nosso pensamento num círculo vicioso, pois quanto mais tenho medo mais me aproximo da vida solitária que muitas vezes é uma contingência da velhice. Por isto tememos o futuro e a velhice.

       A solidão pode nos levar a depressão, minar nossa auto-estima e nos fazer pensar que não temos valor, que não somos bons o suficiente para que alguém fique conosco.  Podemos pensar em muitas formas de fugir dela... Por exemplo, através todas as formas de drogas; usar de todos os meios ao nosso alcance para prender os filhos junto de nós; viver servindo ao outro sem equilíbrio e sem vida própria; buscar um relacionamento amoroso com qualquer pessoa para fugir através do sexo - muitas vezes colocando a vida em risco por atitudes impulsivas...
       Para sermos libertos do medo da solidão precisamos entrar nela e ficar quietos. Deixar o Senhor vir ao nosso encontro pelo deserto da solidão e encher o vazio do nosso coração. Para entrar nesse deserto precisamos ter a clareza que uma coisa e ser só e outra coisa muito diferente é sentir-se só. Estou falando aqui do medo de ser realmente só. Deixar que Jesus, o Príncipe da paz, venha nos dar a paz na situação de solidão que vivemos. Deixar que o Senhor te abrace e ficar quieto nos braços Dele. Você não está só. A promessa de Deus é: 
Se meu pai e minha mãe me abandonarem, o Senhor me acolherá (Sl 27(26),10).

       Pode ser que o medo de ficar só tenha entrado em nosso coração por uma experiência de abandono na infância. Por exemplo: a morte ou abandono da mãe ou do pai, o afastamento da família por uma doença prolongada ou outras causas... Muitas vezes quem foi criado numa família grande pode querer eternizar a experiência de calor humano vivido na casa paterna.

       Muitos podem ser os motivos para o medo de ficar só... Mas, uma coisa é certa, só Deus pode preencher o nosso coração da profunda necessidade de amor, aceitação, intimidade, compreensão, pois só Ele ficará conosco por toda a vida e mais a eternidade. Jamais nos abandonará. Nós podemos abandoná-Lo, mas Ele permanece fiel. Junto com o amor de Deus o serviço amoroso ao outro também enche o coração de alegria e gratidão nos curando do medo da solidão. Quem se dispõe a servir não ficará só.

Senhor Jesus, venha em nosso socorro e nos liberte do medo da solidão. O Senhor também passou pela solidão, traição e abandono, e precisou do consolo de amigos. Senhor, quebra em mim as cadeias do medo de ficar só. Que o teu amor seja o meu consolo. Que a tua presença e a experiência de ser amada por Ti seja o meu consolo e me cure do desamparo da solidão. Jesus eu confio em Vós. Amem.

domingo, 4 de março de 2018

A LIBERTAÇÃO DO MEDO - 4


 Quarto medo: O medo de perder tudo.

      Mesmo sabendo que é insensato colocamos nossa segurança em coisas e pessoas. Quem nunca teve medo de perder? Esse medo se manifesta de diversas formas. Medo de perder a família, as pessoas queridas; medo de perder a saúde; medo de perder os bens; medo de perder o trabalho; medo da pobreza; medo da velhice...  Esse medo nos impede de viver a vida com alegria, pois ficamos sempre preocupados com o dia de amanhã. Mas Jesus nos diz:

Não vos preocupeis com o dia de amanhã. O dia de amanhã terá suas próprias dificuldades. A cada dia basta o seu peso (Mt 6,34).
       Uma coisa é ser prudente, viver uma vida mais simples, cuidar da saúde, cuidar das pessoas que nos são caras, e isso é bom e necessário. Outra coisa é viver aflito e tenso sempre esperando que aconteça alguma coisa ruim e esquecer de viver. Vivemos nos perguntando: “E se acontecer isso ou aquilo?” E vivemos nos preparando para esse acontecimento temido que talvez nunca aconteça. Esse medo vem da falta de confiança em Deus. Mas Ele nos fala coisas diferentes. Deixe que a Palavra de Deus expulse o medo do seu coração.

O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra (Sl 121(120),2).

Fui jovem e já estou velho, e nunca vi um justo abandonado nem seus filhos mendigando pão (Sl 37(36),25).

Entrega teu caminho ao Senhor e confia nele. Ele atuará (Sl 37(36),5).

      A promessa de Deus é para aqueles que confiam nele e endireitam os seus passos no caminho do Senhor. Sua segurança é o Senhor; Ele é que proverá a fonte de sustento em nossa vida.

       A promessa de Jesus é que estará sempre conosco: Eis que estou convosco, todos os dias, até o fim do mundo (Mt 28,20). E se Ele está conosco podemos descansar mesmo em meio a instabilidade deste mundo. Tudo na vida passa, mas o amor de Deus permanece para sempre. Deixemo-nos amar por Deus e amemos as pessoas com o amor de Deus que flui em nós. Vivamos com alegria e esperança, pois o Senhor cuida de nós.

   Amado Jesus, como o Senhor convidou Pedro à sair do barco e caminhar sobre as águas turbulentas, convidas hoje a mim para fazer o mesmo. Com os olhos fixos no Senhor posso caminhar sobre as águas turbulentas da vida. Às vezes duvido e tenho medo, mas, se grito por Ti, o Senhor me estende a mão. Por isto clamo a vós, meu Deus! Liberta-me do medo de perder o que me é mais caro. Que a tua presença amorosa seja meu sustento. O Senhor é a fonte da vida. No Senhor está a minha segurança. Por isto confio e nada temo. Obrigada Jesus. Amém.