E o deserto florescerá!

E o deserto florescerá!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

VIVER COM SABEDORIA


“Ensina-nos, pois, a contar os nossos dias, para alcançarmos um coração sábio!” (Sl 90(89), 12).  

       A vida é o maior presente que recebemos de Deus e por isto é importante viver bem, e cada pessoa tem uma idéia do que seja viver bem. Mas acima das nossas idéias existe a realidade que nos faz deparar com o fato de que a vida é um mistério que nos ultrapassa. É um mistério porque vem de Deus, seu início e fim estão escondidos em Deus. Então, para viver bem precisamos acolher a vida como presente e pedir ao Senhor da vida que nos ensine a vivê-la com sabedoria. Nossos dias passam ligeiros e as vezes até nos assustamos com a velocidade do tempo. Se deixarmos  que o coração fique preso em alguma coisa, a uma situação, projeto, ou até mesmo a pessoas, não poderemos ter vida em abundância e sofreremos mais que o necessário.

      As vezes olhamos ansiosos para o futuro (por exemplo para o novo ano) na esperança de que ele nos traga uma coisa melhor, algo que nos faça suportar a rotina. E isto muitas vezes rouba as nossas forças para bem viver o presente. Ficamos ansiosos com a pressão do tempo, pensando não conseguir fazer o que precisamos no tempo que temos. Isto dificulta estarmos presentes a nós mesmos e a Deus. Além da real falta de tempo diante das solicitações da vida moderna, podemos exagerar esta pressão por insegurança e medo.

        Quando somos dominados pela insegurança que vem do medo, somos como uma criança que caminha à beira de um precipício, escorrega e vai cair nas pedras embaixo. Mas podemos ter a certeza de que o Senhor, como Pai amoroso, corre e nos apanha em seus braços. Não precisamos mais sentir o susto, medo e desamparo que sentiu aquela criança pois estaremos nos braços de Jesus que nos segura fortemente: “Como um pastor ele apascenta o seu rebanho, com o braço o reúne; carrega ao colo os cordeirinhos e conduz as ovelhas que amamentam” (Is 40,11).

         Senhor, dá-me a graça de viver com sabedoria. Quero por em ordem meu coração e direcionar os meus passos para o Senhor. Jesus, toma-me em teus braços, faze que eu experimente tua segurança, proteção e amparo. Tu és o único que pode me curar e dar-me a sabedoria que eu preciso para bem viver. O Senhor ama seu povo e gosta de cuidar de nós. Vinde Espírito Santo fazer do meu coração um verdadeiro templo de Deus, e assim, onde eu estiver estarei em paz porque o Senhor está comigo. Amém.

domingo, 18 de dezembro de 2011

AGRADAR A DEUS


“Tornou-se agradável a Deus e foi por ele amado” (Sb 4,10).

      Este texto do livro da Sabedoria fala da recompensa do justo. Ele não precisa de uma vida longa pois pode correr sua corrida em pouco tempo. O justo manifesta a presença de Deus neste mundo, e é difícil aceitarmos sua morte. Diz o livro da Sabedoria que a morte prematura do justo o livra de muitos perigos, especialmente o perigo de se afastar de Deus e perder a graça numa vida longa: “Foi arrebatado para que a malícia não lhe pervertesse a consciência nem a perfídia lhe seduzisse a alma” (Sb 4,11). Mas vamos meditar em como podemos nos tornar agradáveis a Deus.

      Deus, o autor da vida, nos criou por amor e para o amor. Ao nos gerar no ventre materno se agradou de nós, nos olhou com amor, e esse olhar de amor foi que nos deu a vida. Podemos ter a certeza que ao nos olhar Ele disse: “Tu és o meu Filho amado, de ti eu me agrado” (Mc 1,11). Cada pessoa quando nasce é agradável a Deus. Desde a pessoa mais amada e esperada da terra até a mais pobre e abandonada deste mundo.

        Mas a triste realidade é que ao longo da vida - uns mais outros menos -  nos afastamos de Deus. E para sermos agradáveis a Ele precisamos retomar o caminho, purificar a mente e o coração e ter ações que agradem a Deus. Então, não apenas saberemos, mas experimentaremos, que somos por Ele amados. Os dois amores se encontrarão: o amor de Deus que incansavelmente me busca e o amor de quem se deixa encontrar.

       Muitas vezes só nos deixamos alcançar pelo seu amor quando reconhecemos o nosso limite. Só quem faz a experiência do limite de sua pequenez pode gritar a Deus por socorro, reconhecendo que só tem Jesus. Não apenas na atual situação da vida, mas se dá conta de que durante toda a sua vida, seu único apoio foi o Senhor. Reconhece que agrada a Deus  quem se deixa conduzir pelo Espírito Santo. O Senhor certamente ouve o grito de socorro, e agrada a Deus quem assim por Ele clama.

“E os que conhecem teu nome confiam em ti, porque tu, Senhor, não abandonas os que te procuram”  (Sl 9,11).

À sombra de vossas asas eu me refugio, meu Deus, meu Senhor. Vós sois o meu porto seguro, minha alegria, meu eterno amor. Vós sois meu lar, minha casa, meu abrigo, meu amigo. Aumente em mim o amor e a confiança em vós. Dá-me a graça de ser fiel à aliança que o Senhor realizou conosco em Jesus Cristo. Renova em mim, pelo dom do Espírito Santo, as graças do batismo. Amém.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

CICLOS DA VIDA


“Ensina-nos, pois, a contar os nossos dias, para alcançarmos um coração sábio!”  (Sl 90(89) 12).     

        As estações do ano nos ajudam a tomar consciência do ritmo da vida. A natureza nos lembra que nossa vida tem ciclos e tempos, e precisamos de sabedoria para contar os nossos dias. Também o ano liturgico em que celebramos a vida de Jesus nos ajuda a unir nossa vida à dele. Assim, os ciclos da vida ganham um novo significado: não apenas contamos nossos dias, mas cada ano é uma volta que damos ao redor do monte da vida. Subimos o monte em vigilância, para que quando o Senhor vier nos encontre no alto do monte esperando por Ele.

      Há dois anos atrás eu fiz a experiência de viver pela primeira vez o fim do ano no inverno, e pela primeira vez ver a neve. Me recordo que no início da noite caiu a neve e foi cobrindo todo o chão seco, e foi bonito ver como tudo o que estava seco, marrom, foi coberto por um manto branco. Eu levantei no meio da noite e fiquei contemplando a paisagem diferente. Um manto branco cobriu a terra e era impressionante como tudo ficou silencioso. Esse manto branco me falou do silêncio na terra, silêncio que penetrou em minha alma, e me fez pedir a Deus a purificação dos enganos e pecados: “Lava-me e ficarei mais branco do que a neve” (Sl 50(51), 9). Percebi que era um tempo de repouso para minha alma, assim como a natureza  repousa para renascer na primavera. Precisamos deste repouso para a cura das feridas da alma e do corpo. 

    A neve que cobriu a terra me trouxe também a mensagem de que chega um tempo em que precisamos permitir que morra tudo o que não é essencial em nossa vida. Mas o que tem raízes profundas como as árvores não morre. E há ainda os pinheiros e azevinhos que mesmo cobertos pela neve permanecem verdes como um sinal de esperança, da vida que sempre se renova.

     Contemplando esta primeira neve que cobre a terra eu  experimentei o amor e bondade de Deus me cobrindo, me levando a deixar tudo o que passou no lugar certo: o passado. A partir daquele dia faço a experiência de, ao olhar para o meu passado vê-lo coberto por um manto de neve que tudo refresca, tudo acalma, tudo cura.

        Senhor, te agradeço pela minha vida, e pela presente fase da vida. As vezes me vejo como uma árvore com folhas secas que o vento vai levando. Ajuda-me, Senhor, a fazer bem a passagem de uma estação para outra em minha vida. Fica comigo no tempo de perder as folhas e concentrar as forças na raiz, de onde vem a seiva para o caule. Dá-me sabedoria para ficar com o essencial e deixar o supérfluo. Senhor, eu me abandono sem medo em tuas mãos amorosas. Tu és meu amparo e proteção. Renova a esperança em mim e em todas as pessoas do mundo. Esperança, porque o Senhor caminha conosco e "certa como a aurora é a sua vinda". Vem Senhor Jesus! 

domingo, 27 de novembro de 2011

VIVER EM CRISTO


       “Vivei sempre alegres. Orai sem cessar. Em todas as circunstâncias dai graças, porque esta é a vontade de Deus para conosco em Cristo Jesus” (1Ts 5,16-18).

        Deus é a fonte da beleza, bondade, alegria, e deseja que nós, seus filhos e filhas, participemos de sua beleza, bondade e alegria. Creia: Deus se alegra com sua vida e te enche de alegria!

       Para recebermos a alegria de Deus é necessário configurar-nos com Cristo, a imagem do Deus invisível (Cl 1,15). Podemos nos configurar com Cristo imitando Jesus em sua vida simples em Nazaré. E para imitar Jesus preciso deixar que as palavras do Evangelho caia  como uma gota d’água repetidamente penetrando e transformando o meu coração de pedra em um coração de carne (Ez 36,26).
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      Configurar-me com Cristo quer dizer ser pobre como ele foi. Mas, podemos nos perguntar: qual a pobreza que o Senhor quer de nós? Penso que primeiramente a pobreza interior que me faz renunciar ao orgulho, a arrogância, a prepotência, a intolerância, e a coisas semelhantes que nos afastam de Deus. Além disso buscar a simplicidade como estilo de vida, viver uma vida simples, fazendo coisas simples. Jesus foi carpinteiro em Nazaré. O trabalho manual me ajuda a educar o meu eu e faz crescer em mim a humildade. Depois, ter um coração mais aberto, mais acolhedor, partilhando o que sou e tenho – meus dons e bens. Procurando ser generosa com quem Deus colocar no meu caminho, o meu próximo (Lc 10,30-37). Na minha experiência vejo que é importante aceitar e me alegrar com a minha realidade, com o modo de vida e situações de vida que o Senhor me permitiu viver. Por fim, precisamos ter claro que nossa configuração com Cristo é obra do Espírito Santo: “Todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm 8,14).

     Jesus, põe meu coração no teu e teu coração no meu. Senhor, tu moras na alma do fiel. Que verdade grandiosa! Não a podemos alcançar inteiramente! Tu te tornas a alma de minha alma; tua graça me sustenta, ilumina minha inteligência, dirige minha vontade. Unja-me, usa-me, para sua glória e o bem das pessoas. És a fonte da vida que jorra em meu ser. O Senhor não me deixa nem por um instante e, se ouço a voz do Espírito, eu também não o deixo pois não posso deixar a mim mesma. Meu ser interior é a “sala mobiliada, no andar de cima” (Lc 22,12), onde o Senhor instituiu a Eucaristia, e onde no dia de Pentecostes veio o Espírito Santo. Espírito Santo e Eucaristia... É a celebração perene em minha vida. Antes de celebrar na comunidade celebro em minha casa interior onde o Senhor mora. Dá-me a graça de preparar bem esta sala, tendo consciência de quem é o Hospede, quem é o Celebrante. Vem Senhor Jesus. Amém.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A FIGUEIRA E A OLIVEIRA

     “Ao voltar à cidade de manhã cedo, sentiu fome. Viu uma figueira perto do caminho, foi até ela, mas não achou nada a não ser folhas. Então lhe disse: ‘Jamais nasça fruto de ti’. E a figueira secou imediatamente” (Mt 21,18-19).

     Triste é a situação da figueira sem frutos. Quem planta uma árvore frutífera espera colher dela muitos e saborosos frutos. Se isso não acontece fica frustrado na sua esperança e pensa logo em arrancá-la.

     Jesus chama a nossa atenção para cuidarmos de não sermos estéreis como essa figueira. E isso pode acontecer conosco se nossa prática religiosa for de muito aparato, até barulhenta e ostensiva, mas não produzir frutos de amor para o Reino de Deus. O que Jesus buscava na figueira era frutos para matar sua fome. Ele tem fome de nós, pois nos ama, e busca em nós os frutos do Espírito Santo: amor,alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, mansidão, autodomínio (Gl 5,22). Se produzimos esses frutos o Reino de Deus cresce, e há alimento espiritual na Igreja e no mundo. Se não os produzimos nossa fé é vã, podemos ser arrancados pelo Senhor.

      “Quanto a mim, qual oliveira verdejante na casa de Deus, confio na bondade divina para todo o sempre” (Sl 52(51),10).

 Ao contrário da figueira sem frutos, como é reconfortante a imagem da oliveira verdejante! Ela é fecunda e sempre produz fruto. Mesmo se tarda a chuva e os ventos a maltratam, produz frutos bons que dão fino azeite. O vigor da oliveira vem de suas raízes e percorre toda a planta.

Pés de oliveira - Fátima - Portugal
Em nós esta seiva é a graça de Deus. Quando estou enraizada nele sua graça vem do mais profundo do meu ser  e fecunda toda minha vida – pensamentos, sentimentos, ações, relacionamentos. Sua graça é a força vital que me cura, dá alegria de viver e servir. Como oliveira verdejante posso dar frutos mesmo em tempo de seca ou tempestade.

Oremos juntos:

Obrigada Senhor, por seu amor e misericórdia que me envolve no abraço do Pai, Abbá.
Obrigada pelo dom do Espírito Santo, seiva fecunda que irriga a minha vida!
Jesus, eu me entrego com confiança em  tuas mãos.
Senhor, que na minha fraqueza brilhe a tua luz e cresça o teu poder.
Vinde Espírito Santo, habitar no meu templo interior e gerar em mim um coração de filha.
Dá-me, Senhor, pureza de coração;
santidade no olhar;
bondade nas ações.
Amém.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

EU VI O SENHOR!


       “Maria ficou do lado de fora, chorando junto ao sepulcro. Enquanto chorava, inclinou-se para o sepulcro e viu dois anjos vestidos de branco, sentados no lugar onde estivera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. Eles perguntaram: ‘Mulher, por que choras?’ Ela respondeu: ‘Porque levaram o Senhor e não sei onde o puseram’. Depois de dizer isso, ela virou-se para trás e viu Jesus que ali estava, mas não o reconheceu. Jesus perguntou-lhe: ‘Mulher, por que choras? A quem procuras?’ Crendo que era o jardineiro, ela disse: ‘Senhor, se foste tu que o levaste, dize-me onde o puseste e eu irei buscá-lo’. Respondeu Jesus: ‘Maria’. Ela, virou-se e disse em hebraico: ‘Raboni’- que quer dizer Mestre. Jesus disse: ‘Não me retenhas porque ainda não subi ao Pai. Vai aos meus irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus’. Maria Madalena foi anunciar aos discípulos que tinha visto o Senhor. E contou-lhes o que Jesus tinha dito” (Jo 20,11-18).
 
       Maria Madalena ficou olhando para o túmulo e deixou que a dor a cegasse por isso não viu os sinais de Deus. Presa em seus sentimentos, na dor, no medo, na ansiedade, por ter perdido o Senhor não viu os sinais do céu: o sepulcro vazio, os anjos vestidos de branco. Tão cega estava que não reconheceu nem mesmo o Senhor ressuscitado quando Ele perguntou: “Por que choras?” “A quem procuras?”. E estava disposta a fazer algo acima de suas forças: buscar um cadáver: “dize-me onde o pusestes e eu irei buscá-lo”.

       Quando somos dominados pelos sentimentos como Maria Madalena estava, não medimos esforços para realizar até mesmo algo acima de nossas forças. E muitas vezes nesse afã não nos respeitamos, vamos além do nosso limite, e as vezes colocamos todo empenho em algo que não é a vontade de Deus para nós. Como Maria Madalena pensava em por todo seu empenho em recuperar o corpo do Senhor morto quando Deus pedia que ela simplesmente abrisse os olhos para uma realidade nova e uma nova forma de relacionamento com o Mestre.

       Mesmo quando Ele a chama pelo nome tudo o que ela quer é agarrar-se a Ele, reter a fonte de sua alegria. Se Jesus se deixasse reter por ela a privaria da alegria do Espírito Santo, a alegria de ser portadora do anúncio da ressurreição do Senhor, a alegria da vida em comunidade, como irmãos de Jesus, filhos de Deus Pai.

Oremos juntos:

        Senhor, dá-me a graça de desapegar-me de mim mesma, dos meus sentimentos, projetos e forma de ver a vida.
Que os meus olhos estejam sempre abertos para vós e para a novidade de vida que o seu Espírito me dá. 
Dá-me a graça de perceber teus sinais no caminho, e que eu nunca me canse de anunciar: Eu vi o Senhor!
 Que ao te reconhecer dizendo: Rabuni, Mestre, meu coração e minha mente possa estar inteiramente abertos para a sua presença amorosa, salvadora, curadora. 
E assim todas as minhas forças estejam voltadas para ti, pronta para ti seguir, meu Senhor, meu Mestre.
Amém.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A VIDA EM PEREGRINAÇÃO


RECORDANDO O PASSADO...

Fátima - Portugal
       Amigos, só podemos fazer uma boa viagem de peregrinação se a fizermos seguindo  os passos da vida. Assim, cada passo que eu dou reflito sobre os passos que já dei na vida, mas não paro aí, tomo consciência do presente e vou para frente num anseio de mudança de vida, num processo de amadurecimento para me tornar cada vez mais a imagem e semelhança de Jesus Cristo. Começamos a peregrinação por Fátima, Portugal. Sendo nossa primeira parada revi ali o meu passado  para colocá-lo na misericórdia de Deus num processo de cura. Lá me veio à lembrança este versículo da Bíblia: “Mas tu guardaste o bom vinho até agora” (Jo 2,10).

        Eu me lembro que há muitos anos atrás, num tempo de muito sofrimento, o Senhor me disse que a parte final da minha vida seria melhor que o começo; que Ele estava guardando o melhor vinho para depois. Hoje é o depois. Hoje é o tempo de saborear o melhor vinho. Vejo que a promessa de Jesus se cumpriu. E  na igreja da Santíssima Trindade eu experimentei o abraço do Pai. Meu Senhor e meu Deus! Minha alegria, consolo de minha alma.

“De volta, louvava-se e bendizia o Céu, porque ele é bom e eterno o seu amor” (1Mac 4,24).

NO PRESENTE...
Montserrat - Barcelona
    Em Barcelona fomos a Montserrat – montanha belíssima com sua formações rochosas e sua natureza exuberante, tudo nos fala da glória de Deus. No alto existe um belo santuário dedicado a Nossa Senhora de Montserrat, padroeira da Catalunha. O lugar é majestoso, um hino a Deus criador. Aqui trago diante de Deus o meu presente, e por isto a subida me faz refletir: o que eu preciso deixar para subir à montanha de Deus?

       E refletindo na minha vida, sinto uma profunda gratidão pelo dom da vida. Este presente que recebi de Deus, que se alegra com a minha vida e me enche de alegria.  Senhor, obrigada por este dia maravilhoso! Foram muitas experiências marcantes, preciosas. Obrigada porque na celebração da Eucaristia completou-se as graças de hoje. Eu pude experimentar mais uma vez que sua mão poderosa está sobre nós.

Lourdes - França
         A reflexão sobre o presente continua em Lourdes . A maior experiência vivida em Lourdes foi o cuidado de Deus, Deus cuida. A beleza da procissão das velas onde uma grande multidão de peregrinos de todas as linguas, povos e nações louvavam a Deus. Fiquei pensando que os poderosos do mundo pensam que tem o poder, mas o verdadeiro poder está escondido no povo simples, que ora, crê e espera no Senhor. No final de tudo este povo será o vitorioso, e nem sabemos qual a influência que tem nos destinos do mundo com sua oração e fé. Só vamos ter esse conhecimento no céu.

       Minha primeira lembrança relacionada a N. S. de Lourdes é de quando criança ir rezar na gruta em minha cidade natal. Me recordo de ver as imagens da Virgem Maria e de Bernardete, ler a mensagem de conversão escrita na frente da gruta. Eu gostava da paz do ambiente e da possibilidade de ter a mãe de Jesus cuidando de mim: “Eis aí a tua mãe”. Hoje vejo que aquelas simples orações de criança causaram um grande efeito em minha vida. Ouvia contar a história da aparição da Virgem Maria a Bernadete sem jamais imaginar que um dia eu estaria no local dos acontecimentos. Aqui me deparei com uma mensagem que dizia: Bernadete é você. Eu vi que realmente eu era a criança pobre, necessitada do cuidado de Deus, e mesmo quando eu estava longe Ele cuidou e cuida de mim.

RUMO AO FUTURO...

      Saindo de Lourdes percebi que nos passos seguintes o Senhor me fazia olhar o futuro. A mensagem que Ele me dava para o futuro começou pelo milagre eucarístico de Avignon: as águas se dividem, passam ao redor de Jesus Eucarístico. Quem crê em Jesus fica no alto, com pé exuto, junto com Ele. Passou por La Salete – onde vejo que a unidade é dom de Deus. Mesmo nos contrários da vida, onde não parecia ser possível, Deus realiza a unidade. E na capela de N. S. das Graças, em Paris, recebi do Senhor a esperança, a força e coragem para continuar a peregrinação da vida. Se aproxima nosso regresso e o Senhor nos prepara para o envio, a missão.

Jardim na casa de S. Terezinha - Lisieux
      Em Lisieux o Senhor me fala através das florzinhas que a santidade acontece na simplicidade das coisas pequenas como aconteceu com S. Terezinha.  “Eu vos garanto que se não se converterdes e não vos tornardes como crianças, não entrareis no reino dos céus” (Mt 18,3).
                                                           Abadia do Mont Saint Michel - França

       Nossa peregrinação terminou no Monte Saint Michel, um belíssimo e antigo local de peregrinação com uma história cheia de contradições. Antigamente os peregrinos que vinham aqui corriam muitos perigos, por exemplo: o mar, as areias movediças e a neve no inverno. Os perigos representam as dificuldades da vida, e a chegada ao monastério no monte o nosso destino último: o céu. Onde chegaremos se perseverarmos apesar dos perigos. Deus nos trouxe aqui para nos provar que para Ele nada é impossível.
       Em sua maior parte esta foi uma peregrinação aos santuários marianos onde a Virgem Maria é venerada com um titulo dado pelo povo de Deus e confirmado pela Igreja. “Alegra-te cheia de graça, o Senhor está contigo” (Lc 1, 28). Por ser vazia de si o Senhor pode enchê-la plenamente de sua graça. Aos pés da cruz ela recebeu sua missão do próprio Filho: “Vendo a mãe e, perto dela o discípulo a quem amava, Jesus disse: ‘Mulher, aí está o teu filho’. Depois disse para o discípulo: ‘Ai está a tua mãe’. E desde aquela hora o discípulo a tomou sob seus cuidados” (Jo 19,26-27). E desde aquela hora Maria se tornou a mãe dos cristãos, dos discípulos amados de Jesus. A mensagem que Maria nos traz é sermos tão próximos de Deus como ela foi. Termos o coração em Deus como ela teve: “Eis aqui a serva do Senhor. Aconteça comigo segundo tua palavra! “ (Lc 1,38).

       Meu Senhor, por favor, me tome pela mão como uma criança e caminhe comigo nesta peregrinação da vida. Dá-me a graça de viver plenamente o que o Senhor tem para mim. Muitas vezes eu não sei porque minha vida toma este caminho e não outro, e tu sabes que muitas vezes sou tarda para compreender. Só te peço que não permitas que eu me afaste de tua vontade. Obrigada, Senhor, pelo seu amor e cuidado para comigo. Abençoe a quem encheu as talhas para que o Senhor transformasse a água no melhor vinho. Abençoe a quem cooperou com o Senhor para a sua manifestação em minha vida. Senhor, meu Pai, ponho em tuas mãos minha vida. Espírito Santo dirija meu ir i vir, num caminho reto em direção a Jesus. Senhor, eu confio que sua mão poderosa está sobre nós nesta viagem da vida. Amém.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

PEREGRINAÇÃO


“Naqueles dias, Maria se pôs a caminho e foi apressadamente às montanhas para uma cidade de Judá” (Lc 1,39).

       É muito bom perceber que quando entregamos realmente nossa vida ao Senhor, Ele nos conduz. Desde o primeiro momento em que vivi uma forte experiência com Jesus Ressuscitado, que caminha conosco, este foi o meu maior desejo: ser conduzida pelo Espírito Santo! O tempo passou, já faz 30 anos! E com alegria vejo que o Senhor tem me dado o que eu desejo.

      Ser conduzida pelo Espírito Santo sempre implica uma desinstalação, como Maria ir as pressas para onde Deus a conduzia. 2011 está sendo para mim o ano das viagens... Hoje saio em peregrinação – desta vez a Santuários Marianos. Para mim fazer uma peregrinação a santuários marianos é seguir o exemplo de Maria numa vida de amor e de serviço.

       Pôr-me a caminho não apenas para fazer um passeio, sair da rotina ou para conhecer lugares novos. Não. Pôr-me a caminho porque o Espírito Santo me impulsiona. Este é o motivo! Pôr-me a caminho porque o Amado me chama e ao mesmo tempo que vai comigo também me espera. Sair do cotidiano da vida, da acomodação, da segurança da zona de conforto para seguir os passos do Mestre. E neste processo sair de mim mesma e me abrir para Deus e para os irmãos.

      Pensando no caminho que Maria fez de Nazaré até a Judéia, sabemos que viajar naquele tempo era mais difícil do que hoje em dia, provavelmente ela viajou em um jumentinho, junto com um grupo de peregrinos que ia para Jerusalém pois as estradas eram perigosas. Eu também vou com um grupo, minha vida estará ligada a eles pelos próximos 20 dias. E, como já aconteceu em outras viagens, provavelmente alguns se tornarão não só companheiros de viagem mas amigos. Hoje, nos pomos a caminho na certeza de que a mão poderosa de Deus está sobre nós.
Até a volta!

“Cantai ao Senhor um cântico novo!
 Cantai ao Senhor, terra inteira!
 Cantai ao Senhor, bendizei seu nome,
dia após dia anunciai sua salvação!”
Sl 96(95),1-2

domingo, 9 de outubro de 2011

“VIJIAI E ORAI”


“Vigiai e orai para não cairdes em tentação. O espírito está pronto mas a carne é fraca” (Mc 14,38).

       O cristão muitas vezes se sente num deserto neste mundo. E mais forte que a solidão é a luta, a batalha que travamos contra as forças do mal espalhadas pelos ares. Sussurrando no vento das seduções do mundo, chamando no nada, no vazio, procurando a quem devorar. Precisamos estar atentos. Jesus disse “vigiai e orai”, porque esta batalha espiritual é difícil, desgastante e cansativa. Só na oração, com o auxílio do Espírito Santo, podemos desmascarar o acusador, que vem disfarçado de diversas formas. As vezes toma até um ar de zelo e piedade pelas coisas de Deus.

       Mas para orar preciso sair do redemoinho da pressa e dos apelos do mundo, fazer calar as vozes exteriores e interiores que determinam o que tenho que fazer sem prestar atenção a Deus. Parar para ouvir a Deus, sentar-se aos pés do Mestre, é um dos maiores desafios para o homem moderno. Parar e ficar um tempo sem fazer nada ou só fazer o que vai alimentar a minha alma de alguma forma. Parar e achar tempo para estar comigo mesma e com Deus; tempo para respirar calmamente e deixar que os mortos enterrem seus mortos. Parar para achar o alimento, o sustento, em Deus Amor que me diz quem sou, beber da fonte da vida. Fazer a experiência de ficar comigo mesma como uma amiga muito íntima.

     As vezes nos damos conta que estamos vivendo no “piloto automático”, sendo comandados pelas vozes exteriores: tenho que fazer... tenho que ir... tenho que dar conta... tenho que superar... tenho que aceitar... Tudo isto sem prestar atenção em nós mesmos e em Deus. Quando vivemos assim buscamos o valor próprio, buscamos matar a sede de amor em coisas e pessoas, não em Deus que habita no mais profundo do nosso ser. Sempre procurando alguém que nos ame, nos aprove, nos valorize. Alguém que me diga quem sou; fico escrava do desejo de agradar, e, muitas vezes, me culpando por não ser boa o bastante para ser amada.

Passos para vigiar e orar: Oração pessoal com leitura orante da bíblia; participação nos sacramentos, especialmente na Eucaristia; participação na comunidade de fé. Juntos desmacaramos o acusador.

      Ó meu Deus! Rico em amor e misericórdia, que nos  “amou e escolheu em Cristo para sermos santos e irrepreensíveis diante dele no amor” (Ef 1,4). O Senhor me busca nos lugares por onde me dispersei e me conduz ao profundo do meu ser, onde o Senhor habita. Obrigada, meu Deus, por teceres ao meu redor uma rede de cuidados, e me conduzir através dos acontecimentos da vida ao seu amor misericordioso. Eu quero, Senhor, obedecer à tua voz, ouvir e seguir a condução do teu Espírito. Ó Espírito Amigo, dá-me a graça de parar e me alimentar da fonte da vida que é o Senhor que habita em meu coração. Dá-me, Senhor, pureza no coração, santidade no olhar, bondade nas ações. Amém.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

BEBER O CÁLICE




“Não hei de beber o cálice que o Pai me deu?” (Jo 11,11).

“Podeis beber o cálice que eu vou beber?” (Mt 20,22).


         Vamos meditar com estas duas perguntas que o Senhor nos faz e deixar que elas questionem nosso modo de viver. Primeiro Jesus faz uma pergunta a Pedro e a cada um de nós na qual revela seu profundo amor e obediência ao Pai. Em Jo 12, 27-28 Jesus revela sua perturbação diante da paixão e da morte, mas acima da sua dor está sua missão e o objetivo dessa missão: nossa salvação para a glória do Pai, reconciliando a humanidade com Deus como o primogênito de uma multidão de irmãos.

        A segunda pergunta Jesus faz a seus discípulos desejosos de poder, que ainda não tinham compreendido o projeto de Jesus e sua missão. A mesma pergunta Jesus faz a nós, seus discípulos hoje, que ainda não compreendemos que seguir o Mestre é servir. E ainda mais, não compreendemos a natureza do serviço a que o Senhor nos chama.

       A primeira pergunta se refere a nossa vida pessoal. Há um cálice que a vida nos traz e diante do qual não temos saída, só nos resta beber com tudo que há nele de bom e de ruim. O cálice da vida muitas vezes é doloroso, mas é também um cálice de alegria e de benção. Como aconteceu na vida de Jesus também em nossa vida a cruz e a glória estão juntas.

       A segunda pergunta se refere ao nosso apostolado, missão, com o desafio de amar como Jesus amou, com o cansaço do passo mantido, as dificuldades de relacionamento, o não ver muitas vezes o fruto do nosso trabalho. Tudo isto só tem sentido se for para a glória do Pai.  Saber que faço parte de um projeto muito maior, que eu não vejo em sua totalidade, mas o Pai vê e conduz todas as coisas em nossa vida e missão pelo seu Espírito de Amor.

      Jesus nos ensina como beber o cálice da vida e da missão - que estão juntos - um influencia o outro. Com o olhar no Mestre, caminhamos pondo nossos pés em sua pegadas, temos paz para beber o cálice da vida.

    Senhor Jesus, reconheço tenho dificuldade em beber o cálice da vida. Muitas vezes ele é amargo e me traz coisas que eu não gostaria de passar. E muitas vezes quando ele está cheio de coisas boas eu não sei reconhecer e celebrar. Mas com tua graça eu posso tomá-lo em minhas mãos, erguê-lo em ação de graças e beber. Com confiança no Senhor que o bebeu antes de mim e recebeu o penhor da vitória em sua ressurreição. Amém.

“Mas em tudo isso somos mais do que vencedores, por Aquele que nos amou” (Rm 8,37).

terça-feira, 4 de outubro de 2011

SOMOS OS AMADOS


      “Predestinou-nos à adoção de filhos por Jesus Cristo, conforme a benevolência de sua vontade, para louvor da glória de sua graça que nos concedeu gratuitamente em seu Bem-amado”. (Ef 1,5-6)

       Queridos irmãos, esta é a melhor notícia que podemos receber: em Jesus, o Bem-amado, somos os amados de Deus! É a melhor notícia porque tudo que o coração humano mais anseia é ser amado. O amor é que dá sentido à nossa vida e nos dá felicidade. Somos felizes porque somos amados, e porque somos amados podemos amar!

       Quando pensamos em Jesus as vezes não nos damos conta da realidade de amor entre Ele e o Pai: Ele é o Filho Amado. Na limitação do entendimento humano, acostumados com um amor tão limitado, não alcançamos a intensidade do amor de Deus Pai por seu Filho. Como criancinhas podemos apenas pensar que o Pai ama o Filho com todo amor que existe, pois Deus é amor (1Jo 4,8).

       O amor verdadeiro vem de Deus e chega a nós na pessoa de Jesus. É Jesus quem nos revela o amor do Pai e nos ama com o amor do Pai: “Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho, para que todo aquele que crer não morra mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). Por isto eu posso dizer: sou a amada! Você pode dizer: sou o amado. E quando deixo o amor de Deus inundar o meu ser sou profundamente curada de toda experiência de desamor. O amor de Deus supre todo amor que me faltou na vida. Cura as feridas causadas pelas palavras de raiva, de desprezo e desamor que me foram ditas. Sou curada da auto-rejeição, do desprezo por mim mesma que veio dessas palavrás más.

         E Quando experimento que sou a amada posso olhar para cada pessoa humana como o amado. Sim, é verdade, cada pessoa humana é o amado de Deus em Jesus Cristo. Quer o conheça ou não, pois, Jesus veio trazer a salvação, o amor, para todos. Esse é o projeto de amor do Pai para nós: Ele enviou o seu Filho  amado para nos revelar que nós somos os amados, e assim, podemos viver como irmãos, na força do Espírito Santo.

Oremos juntos:

        Senhor Jesus, Filho amado, cheio de graça e verdade. Quero levantar o meu olhar para o Senhor e contemplar a Ti, o mais belo dos filhos dos homens. E te contemplando deixar que o amor de Deus passe do Senhor para mim. Que o seu amor me envolva agora como bálsamo que cura e força que liberta. Quebre, Senhor, as correntes do ódio, do ressentimento, da mágoa, do medo, da auto-rejeição e do desprezo pelo outro. Derrube, Senhor, com a força do seu amor, o muro de inimizade entre os seres humanos. Apresente-nos, Jesus, como criancinhas ao Pai. Que todos nós, sejamos banhados no mar de amor e misericórdia de Deus. Amém.

sábado, 1 de outubro de 2011

ELE CAMINHA CONOSCO!

Em todas as etapas da viagem os israelitas punham-se em movimento sempre que a nuvem se elevava de cima da morada; nunca partiam antes que a nuvem se levantasse. De fato, a nuvem do Senhor ficava durante o dia sobre a morada, e durante a noite havia um fogo visível a todos os israelitas, ao longo de todas as etapas da viagem”. 
(Ex 40,36-38).

        Quando os israelitas caminhavam pelo deserto experimentavam a presença do Deus que morava na tenda da reunião e caminhava com eles. A tenda, a morada de Deus é hoje em primeiro lugar o coração humano, e quem se deixa conduzir pelo Espírito Santo faz a experiência da reconstrução do seu templo interior onde a glória de Deus quer habitar, encher nossa tenda.

       Como os israelitas fizeram a peregrinação pelo deserto rumo à terra prometida nós fazemos uma peregrinação no tempo da nossa vida rumo à terra prometida definitiva: o céu. E o próprio Senhor vai nos conduzindo. As vezes a nuvem enche o templo interior e nos fala que é tempo de edificar a vida, ou de parar e simplesmente saborear o momento presente. Mas de repente a nuvem se levanta e o Senhor coloca nossa vida em movimento. É o tempo de mudanças, de caminharmos mais um pouco entrando mais no deserto, indo além de nós mesmos ou subindo um pouco mais o monte.

      O importante é estarmos atentos para reconhecer, ouvir, a voz do Senhor e obedecer. Viver feliz nos dias calmos em que a glória do Senhor enche a morada, e também nos dias de mudanças em que a glória do Senhor se levanta e nos convida a caminharmos um pouco mais.

       Vinde Espírito Santo encher meu coração de glória e me conduzir segundo a vontade do Pai. Dá-me, Senhor, a graça de ouvir a tua voz dizendo quando ficar e quando me por em movimento. Dá-me docilidade à vossa vontade, e alegria de ser conduzida por vós. Caminha conosco, Senhor Jesus, pelo caminho da vida, para glória de Deus Pai. Amém.

“Sonda-me, ó Deus, e conhece meu coração! Examina-me, e conhece minhas preocupações! Vê se estou no caminho funesto e conduze-me pelo caminho duradouro!”  (Sl 138(137), 23-24).

domingo, 11 de setembro de 2011

DEUS NO CAMINHO

 Deus sempre se comunica conosco porque nos ama e o amor exige comunicação. Quantas vezes Ele se colocou à beira do caminho esperando que nós o reconhecêssemos.  Há algum tempo atrás eu experimentei de forma marcante que Deus se colocou à beira do caminho esperando por mim. Aconteceu quando fui em peregrinação à Turquia, seguindo os passos de S. Paulo, estávamos na Capadócia.
 Olhando as formações rochosas que a água e o vento esculpiram no cálcareo durante milhares de anos, eu vi uma formação que identifiquei como o filho pródigo de joelhos diante do Pai com a cabeça em seu colo, e as mãos do Pai repousavam sobre a cabeça do filho.
      Me identifiquei com aquela figura e me veio um intenso sentimento de que era eu, de joelhos diante do Pai, debruçada em seu colo, tendo suas mãos sobre minha cabeça, e, naquele gesto de acolhida e perdão, eu recebia dele uma vida nova. Como é grande a misericórdia de Deus e com que amor Ele nos ama! Ele esculpiu através do tempo aquela figura e me levou até lá para vê-la! Provavelmente ninguém do grupo a viu daquela maneira. O Pai a fez para mim como testemunho do seu amor. As lágrimas saltaram silenciosas dos meus olhos, e naquela experiência profunda com Deus, nem lembrei de tirar uma foto daquela figura. Mas certamente a fotografei com o coração e aquela imagem me acompanhará todos os dias da minha vida. 

     Meu amado, minha amada, seja qual for o caminho que você tem trilhado saiba que o Senhor o acompanha esperando ansiosamente que você o reconheça. As pegadas dele estão em toda parte, na natureza e em cada ser humano, basta abrirmos os olhos para ver o testemunho do seu amor.

      Meu Deus amigo, que me espera ansiosamente. Meu mais precioso amigo. Como é bom fazer a experiência de recostar-me no teu peito, de descansar minha cabeça no teu colo. Que refrigério e bálsamo para minha alma! Em ti eu encontro as respostas fundamentais para minha vida. Em ti eu me encontro. Por ti eu abro espaço para as pessoas em minha vida. Por isto abro agora o meu coração, abro a minha vida sem reservas para vós. Permito que o Senhor me ame, me cure, me ensine, me exorte, me corrija, e venha morar em mim. Amém.




“Em meu leito, durante a noite, busquei o amor da minha vida: procurei, mas não o encontrei. Vou levantar-me e percorrer a cidade, as ruas e praças, procurando o amor da minha vida: procurei, mas não o encontrei. Encontraram-me os guardas que faziam a ronda da cidade. Vistes o amor da minha vida? Apenas passara por eles, logo encontrei o amor da minha vida: agarrei-me a ele e não o soltarei...” (Ct 3,1-4).

domingo, 4 de setembro de 2011

ORANDO POR CURA INTERIOR


     A cura das lembranças e emoções é uma área muito delicada e dolorosa porque para sermos curados precisamos permitir que o Senhor toque na ferida e retire a casca as vezes grudada e endurecida. E como tocar numa ferida é muito doloroso não gostamos de deixar vir à tona as experiências dolorosas pelas quais passamos. Gostaríamos de esquecê-las para pensar que nunca existiram. As vezes nos acostumamos com a dor e achamos mais fácil ficar na dificuldade que querer ser curado.

    Por isto para entrarmos num processo de cura interior precisamos da coragem de passar pela dor, mas podemos ter certeza que não passamos pela dor sozinhos. Jesus, o Filho de Deus, assumiu nossa natureza em tudo menos no pecado, aprendeu a viver como ser humano pelo sofrimento (Hb 5,8). Jesus não veio explicar o sofrimento, veio sofrer conosco e assim dar um sentido novo ao sofrimento.

      Só o fato de tomar consciência, de compreender o que se passou conosco ou justificar esta ou aquela situação, não nos cura. Para sermos curados precisamos ir além e nos abrir para a cura. É Jesus que cura! Ele, no decurso de sua vida humana, passou por diversas tribulações. Rezar a dor para sermos curados, quer dizer abrir sem reservas as feridas dolorosas da alma e permitir que Jesus as  toque e cure. Vamos unir nossa dor com a vida de Jesus e permitir que Ele transforme nossas feridas de dor em feridas de amor. Ao ressuscitar Jesus trazia em si os sinais da crucifixão, as chagas. Esses sinais são testemunhos do grande amor do Senhor, Ele entregou sua vida por nós, amou-nos até o fim (Jo 13,1). Permita que Jesus toque com ternura suas feridas emocionais e te cure profundamente.

    Senhor Jesus, Volte comigo ao momento da morte de entes queridos; quando  fiquei muito tempo hospitalizado por causa de uma doença ou cuidando de uma pessoa querida enferma. Volte comigo, Senhor, aos momentos de acidentes. volte quando me faltou o folego e quase morri; aos momentos de separações, e quando tive medo por ficar sozinho no escuro. Quando tive que mudar de casa, de cidade, e até mesmo de país. Volte, Senhor, aos momentos de agressão física e verbal, e a toda forma de abuso, quando me fizeram sentir que eu não tinha valor. Volte, Jesus, quando perdi o emprego e o medo da pobreza apertou meu coração. Volte na minha infancia quando eramos muito pobres, e vivi dificuldades na escola  por não ter a roupa e objetos escolares como os outros colegas. Volta Senhor quando não pude estudar por qualquer motivo. Volta Senhor no sonho, no projeto de vida, desfeito ou que não se realizou. Cura, Jesus, a vergonha pelos fracassos em minha vida. Volte em fim, Senhor, naquele momento que foi o mais difícil da minha vida...(apresente ao Senhor este sofrimento). Jesus, toma minha mão, quero caminhar contigo Senhor. Vá me curando e libertando a cada dia num processo de amor que restaura em mim a imagem e semelhança de Deus. Amém...



sábado, 27 de agosto de 2011

A CURA PELO PERDÃO


 "Perdoa-nos nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofenderam"  (Mt 6,12).

       Seja qual for a raiz do trauma o perdão sempre é fonte de cura. Em primeiro lugar pedir perdão a Deus pois somos pecadores e o pecado que cometemos nos fere profundamente. Fere nossa alma, pois nos afasta de Deus, e fere o nosso corpo sendo muitas vezes causa direta ou indireta de doenças físicas e emocionais.

       Outra face importante do perdão é aquele que precisamos dar a nós mesmos. É muito comum encontrarmos pessoas que acham mais fácil perdoar aos outros do que perdoar a si mesmo. Mas o perdão a si mesmo é necessário para experimentarmos a misericórdia de Deus e precisamos fazer as pazes conosco mesmo.

       Depois precisamos perdoar a quem nos ofendeu. Não se trata aqui de fazer de conta que não houve ofensa. Para dar o perdão preciso reconhecer que fui ofendido, que aquele mal me foi feito.  Se um mal me foi feito quem me fez o mal me deve alguma coisa. O perdão vem quando decidimos rasgar o título da dívida que temos contra o outro, reconhecendo que aquela pessoa não tem com o que nos pagar. Como ele não tem com o que me pagar eu também não tenho com o que pagar o mal que fiz àqueles a quem ofendi. O circulo do amor e do perdão se fecha quando também reconheço que preciso do perdão de quem ofendi. Preciso reconhecer que aquela pessoa a quem eu ofendi também tem um título de dívida contra mim e eu não tenho com o que pagar. É importante repararmos o mal cometido, mas quem pode pagar pelo mal feito a outrem? Perdoar também é um processo. As vezes a ferida é muito profunda sendo necessário um tratamento continuado com oração de perdão.

      Jesus, eu me coloco aos pés da tua cruz e em teu nome e pelo poder do teu sangue, trago aqui comigo todas as pessoas que me ofenderam, trairam, caluniaram e até atentaram contra minha vida. O Senhor perdoou aqueles que o crucificavam pedindo ao Pai por eles porque não sabiam o que faziam. Olhando para o Senhor eu abro mão da raiva e do desejo de vingança e humildemente reconheço que muitas vezes quem me ofendeu não sabia o que fazia. Aos pés da tua cruz, Jesus, eu rasgo agora o título da dívida que eu guardava contra essas pessoas. Eu as perdoo em teu nome, Senhor.

     Trago agora em tua presença aquelas a quem eu ofendi, a quem  fiz mal de alguma forma. E humildemente peço perdão pelo mal que eu lhes fiz. Aqui aos pés da cruz percebo que há lugar para todas e peço Senhor a graça de incluir todas essas pessoas – as que eu ofendi e as que me ofenderam – no meu coração. Que o Senhor as abençoe e lhes dê sua paz. Encha Jesus o meu coração do seu amor, do Espírito Santo consolador, me libertando de toda e qualquer mágoa e ressentimento. Amém.

sábado, 20 de agosto de 2011

A CURA INTERIOR



“Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho único, para que todo aquele que nele crer não morra mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16).

       A base da oração de cura - física, emocional e espiritual - é que Deus nos amou primeiro. Por isto podemos apresentar, com confiança, a Ele nossas feridas, nossas dores, na certeza que Ele se compadece de nós: “Ao desembarcar, viu uma grande multidão de povo e, sentindo compaixão, curou os seus enfermos” (Mt 14,14). Deus nos cura porque nos ama e o mal maior da humanidade é o desamor, a experiência de não ser aceito, não ser amado, como nos fala Madre Teresa de Calcutá: “A mais terrível pobreza é a solidão e o sentimento de não ser amado. A maior doença hoje não é a lepra ou a tuberculose ou aids, é, antes, o sentimento de não ser desejado”.

        Os traumas são feridas emocionais profundas as vezes mais dolorosas que feridas físicas, pois, quem sofre por causa de traumas muitas vezes experimenta que não há remédio para sua dor. Em tal situação muitos fogem para os vícios numa tentativa de entorpecer a dor, outros ficam na alienação, na fuga da realidade ou ainda buscam refúgio na depressão.

       Os traumas afetam a memória, a vontade e a liberdade. Afeta a memória pois quando estamos sob o domínio de uma experiência traumática, tudo o que lembramos da infância por exemplo, lembramos sob ótica da experiência dolorosa vivida. Afeta a vontade porque nossa ação, a decisão de fazer isto ou aquilo, e até a coragem e força para buscar o próprio desenvolvimento é influenciado pela dor interna que muitas vezes nos incapacita. Diante de tal quadro é fácil perceber como afeta a liberdade, ficamos condicionados e nos acostumamos a viver dominados pela dor que nos leva a acreditar que não temos saída. E para fugir da dor podemos ser levados aos vícios como a dependência quimica, a desordens e desvios sexuais, à depressão, à comportamentos autodestrutivos, e até ao suicídio. 

  • ·         Os traumas podem ser herdados – por exemplo uma mãe que tem pavor de água passar para os filhos o mesmo medo.
  • ·         Passados – algo que nos aconteceu desde o ventre materno. 
  • ·         Recentes ou presentes – algo que estamos vivendo ou vivemos recentemente.

       Podemos ver que todos precisamos de cura interior, uns mais outros menos. A boa notícia é que o Senhor sempre quer nos curar: “Aproximemo-nos, pois, com confiança do trono da graça, a fim de alcançar misericórdia e achar a graça de um auxílio no tempo oportuno” (Hb 4,16). É Jesus que cura! Podemos abrir sem reservas as feridas dolorosas da alma e permitir que Jesus as  toque e cure. Unindo nossa dor com a vida de Jesus permitimos que Ele transforme nossas feridas de dor em feridas de amor.

        Jesus, vem caminhar comigo na história da minha vida desde o momento em que eu fui gerado no ventre materno. Eu sei, Senhor, que tudo o que me aconteceu está diante dos teus olhos e para o Senhor todo o tempo é presente, minha vida é um grande hoje diante de vós. Jesus, eu tenho conhecimento de algumas coisas que me aconteceram, outras eu desconheço mas todas estão gravadas em minha memória e continuam influenciando a minha vida.  Por isto te peço, Senhor, cure agora todo registro do meu inconsciente. Toda e qualquer experiencia traumática registrada em minha memória e meu sistema nervoso. Te apresento, Senhor, se corri o risco de morrer, se houve ameaça de aborto; as doenças, o estado emocional e situação de vida dos meus pais quando fui gerado; as dificuldades que vivi no momento do nascimento, o medo, a insegurança, o complexo de inferioridade por não ser aceito e amado como eu precisava. Cura-me, Senhor. Dá-me, Jesus, aquele abraço amoroso que as vezes me faltou. Que eu possa ouvir por Ti a voz do Pai que me diz: “Tu és o meu Filho amado, de ti eu me agrado” (Mc 1,11). Amém.