E o deserto florescerá!

E o deserto florescerá!

quinta-feira, 14 de março de 2013

FONTE DA ALEGRIA


“Disse-vos estas coisas para que minha alegria esteja convosco, e vossa alegria seja completa”  (Jo 15,11).

O que Jesus nos disse que faz nossa alegria ser completa? Para compreender melhor  o que ele nos fala leia Jo 15,1-17.

Aqui cabe uma pergunta ou duas perguntas:
O que você gosta de fazer? O que faz você se sentir realizado, feliz? 

     Pode ser estar com a família e os amigos, a realização profissional, animais de estimação, viajar... pense um pouco no que te faz feliz. Tome consciência do que te faz feliz e reflita: há quanto tempo você não faz algo que te traz felicidade ou tem feito as coisas rotineiras da vida sem perceber a alegria contida nelas. Quando ficamos muito tempo sem fazer o que nos faz feliz ficamos frustrados e nossa alma reclama.

       Mas há uma alegria e felicidade maior do que todas que possamos viver. Melhor dizendo, há Alguém que é a verdadeira fonte da alegria. Alegria que vai muito além da felicidade passageira de tudo que gostamos, mas a alegria que se torna um estado de felicidade mesmo em meio as dores, contradições e tribulações desta vida.

       No meu coração - no seu coração - há um espaço, um templo interior, onde mora Alguém que me ama e me chama para estar com ele. E a sua voz é suave, mas se prestarmos atenção ela se torna mais forte que todas as outras vozes. Alguém de quem, mesmo sem ter consciência, sinto uma saudade imensa, uma falta absoluta... Alguém cuja voz está sempre a me chamar: “Vem”. Quando ouço sua voz preciso ficar só para estar com ele e mergulhar no seu amor. Nele tudo se desfaz, todas as dores são curadas, o mal é afastado, os questionamentos são respondidos ou se calam diante do absoluto...

Assim estamos no Coração de Jesus
    Mas, mesmo sabendo que Ele é a fonte da alegria, muitas vezes resistimos ao seu chamado e preferimos ficar na agitação e ansiedade do mundo, no corre corre diário. Que contradição! Querer comer migalhas quando temos um banquete... Mas o amor dele é mais forte, com paciência ele está sempre chamando, sua voz é imperiosa apesar de as vezes ser apenas um sussurro.

Oremos juntos:

   Jesus, amado Senhor, Deus da vida, Fonte da alegria verdadeira... quero tirar as sandálias dos meus pés para estar na tua presença. Encontrar-te, Deus verdadeiro, é a fonte da  vida. Senhor, eu nasci para te amar, e servir por tua causa. Não quero mais resistir ao seu amor; eu me abandono com confiança filial ao teu amor. Quero ser transfigurada no teu Espírito e no amor do Pai. Amém.

terça-feira, 5 de março de 2013

CHAMADO À SIMPLICIDADE



“Derrotei todos os inimigos, e agora te declaro que o Senhor vai construir-te uma casa” (1Cr 17,10).

          O rei Davi tinha o coração agradecido por tudo que o Senhor lhe fez. Reconhecia que seu reinado e seu poder vieram de Deus, era uma graça, e por gratidão ele desejou construir um templo, uma casa para Deus. Mas Deus lhe responde que é Ele quem construirá uma casa para Davi, não uma casa material, mas uma dinastia que niguém poderá derrubar pois um de seus descendentes será o próprio Messias esperado, o Filho de Deus, o Cristo Senhor, que virá salvar não só o povo de Israel mas a humanidade. Assim Deus faz uma promessa a Davi, promessa que é recordada pelo anjo Gabriel  na Anunciação do Senhor quando ele diz a Maria que seu Filho receberá o trono de Davi e seu reinado não terá fim (Lc 1,32).

        Como Davi, nós, por gratidão ao Senhor por tantas graças rebidas, muitas vezes queremos fazer coisas extraórdinárias, grandes sacrifícios, grandes mudanças na vida. Pode ser sair do lugar onde vivemos e ir em missão a um lugar remoto, ou dar todos os bens aos pobres, etc,etc... Mas para a maioria de nós Deus não pede essas coisas. Como a Davi ele deseja construir para nós uma casa, restaurar nossa vida e família. Pois muitas vezes o desejo de fazer coisas extraordinárias não vem de Deus, mas do espírito do mundo e da carne.

        Para alinhar nosso coração com o desejo de Deus é preciso escutá-lo, ouvir dele o modo como Ele quer que o sirvamos. As vezes queremos fazer grandes coisas, mas o Senhor nos pede para fazer coisas pequenas; queremos viver grandes realizações, mas o Senhor nos pede apenas simplicidade. Assumir a simplicidade da minha origem familiar, do lugar onde moro, da vivência da fé em uma simples comunidade paroquial. Assumir a simplicidade da vida e ter consciência de quem somos, como nos fala S. Paulo:

“Irmãos, olhai para vós que fostes chamados por Deus: não há muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos nobres. Antes, o que o mundo acha loucura, Deus o escolheu para confundir os fortes; e o vil e desprezível aos olhos do mundo, o que não é nada, Deus o escolheu para destruir o que é, para que nenhum mortal se orgulhe diante de Deus”  (1Cor 1,26-29).

Senhor Jesus, transforme o meu coração;
faça-o cada vez mais obediente a vós. 
Senhor, dá-me sabedoria e discernimento para compreender a vossa vontade e um coração dócil para te obedecer com alegria. 
Maria, mãe dos cristãos, ajuda-me a ser discípula missionária de vosso Filho na simplicidade da minha vida. 
Amém.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

PASSADO E PRESENTE



“Não recordeis os acontecimentos de outrora nem presteis atenção aos eventos do passado. Eis que faço uma coisa nova! Já está despontando, não o percebeis? Sim, abro uma estrada no deserto, faço correr rios em terra árida”  (Is 43,18-19).

     No mundo de hoje muitas vezes nos sentimos no deserto, solitários, sem socorro ou esperança. Tantas coisas nos agridem... somos bombardeados por todos os lados: o medo, a insegurança, as más notícias sobre o clima, a corrupção, as mortes violentas de tantas pessoas e especialmente dos jovens, a falta de emprego... e por aí vai... Em um mundo assim é fácil perder a perspectiva da vida, perder os sonhos e viver no imediatismo.

      Dentro de nós carregamos os fardos e traumas do passado – o que a vida nos trouxe, o que as pessoas nos fizeram – e as feridas e fardos dos pecados, dos erros cometidos. Em tal situação sentimos murchar a esperança e a alegria da salvação. Talvez você não se sinta assim, mas a maior parte da humanidade vive dessa forma. E o que aflige a família humana de alguma forma nos afeta. É neste contexto que podemos ler a palavra de Deus.

      O Senhor vem nos buscar como o Bom Pastor busca a ovelha perdida. Ele procura por nós sem se importar em qual buraco nos metemos. Vem ao nosso encontro para fazer uma coisa nova – cuidar do abandonado, saciar os que tem sede e fome, libertar os cativos de toda forma de escravidão, nos curar profundamente.

       Muitas pessoas vivem no passado e permitem que o passado determine o seu presente e futuro. Vamos imaginar a nossa vida como uma balança de dois pratos. Em um dos pratos coloque o seu presente e no outro o seu passado. Agora veja: qual prato tem o peso maior? As vezes o volume do presente é maior, mas, embora tendo um volume menor, o peso do passado é maior. Jesus nos convida a tomar posse do presente, do novo que ele faz em nossa vida, e deixar o passado. Para isto eu preciso reconhecer que preciso de cura. Preciso de cura, Jesus! Vem me curar, Senhor.
A palavra de Deus nos dá o remédio: “Senhor, tem piedade de mim, cura-me, pois pequei contra ti” (Sl (40(41),5).

       O perdão de Deus é a cura. Muitas vezes pecamos porque somos doentes. O Senhor nos perdoa e nos cura profundamente para que não voltemos a pecar. Todos nós necessitamos dessa cura divina. Só o Senhor cura as feridas do passado e nos dá o Espírito Santo, unção e selo de Deus em nossos corações: “Aquele que nos mantém firmes convosco em Cristo e que nos deu a unção, é Deus. Foi ele também que nos marcou com seu selo e colocou em nossos corações, como um primeiro sinal, o Espírito” (2Cor 1,21-22).

Oremos juntos:

Senhor Jesus, perdoa os meus pecados e cura as minhas feridas; cura especialmente as feridas do passado que até hoje estão abertas. 
Liberta-me, Senhor, das cobranças que faço da vida e das pessoas quando penso que alguém  me deve algo ou que não me foi dado o que eu tinha direito. 
Cura- me e liberta-me, Senhor, do desejo louco de que as coisas fossem diferentes - desejo louco porque não tenho o poder para mudar nada em meu passado. 
Creio, Senhor, que fiz o melhor que eu podia fazer no momento, o resto está na sua misericórdia, e eu confio na sua misericórdia, meu Senhor e meu Deus.  
Amém.

domingo, 27 de janeiro de 2013

A ÁRVORE DA ESPERANÇA



“A esperança é para nós uma âncora da alma, firme e sólida, que penetra além do véu, no santuário onde Jesus entrou por nós como precursor,...”  (Hb 6,19-20).

       A âncora é que faz o navio ficar ancorado, firme. A Palavra de Deus nos fala que a esperança é esta âncora na vida, nos faz ficar firmes, permanecer... Mas quem não mora no litoral geralmente nunca viu uma âncora ou um navio ancorado, só a conhece por imagem numa foto ou na TV. Pensando em você que nunca viu uma âncora e não se deu conta da função dela, eu quero trazer uma outra imagem da esperança: uma árvore, pois, todos nós conhecemos uma árvore.

      Refletindo sobre a esperança podemos nos perguntar: Eu tenho esperança? Qual é a minha esperança? Em que tenho esperança? Responder a estas perguntas é necessário porque as vezes temos uma esperança ilusória, a esperança de que isto ou aquilo se realize e colocamos nisto todo nosso empenho, nossas forças, nossa vida. É uma esperança ilusória porque pomos nossa âncora em coisas que podem ou não acontecer. E quando não acontece ficamos frustrados, nos damos conta de que ancoramos o barco da vida num banco de areia.

        A Palavra de Deus nos fala da esperança verdadeira, firme e sólida que penetra o céu e nos faz viver, já nesta vida, o Reino de Deus. Ela é como uma árvore frondosa que aponta para o céu, para a eternidade, para Deus, e quando olhamos para o seu topo vemos o azul do céu. Suas raízes estão firmemente fincadas na terra, mas ela sobe até o santuário, o céu. Que esperança é esta? A esperança concreta da salvação. A esperança de que após a morte estarei no céu contemplando a Deus face a face.

       Eu posso me ver subindo por essa árvore, você pode se ver subindo por esta árvore. Há dias em que fico cansada – é assim também com você? As dores, as feridas do corpo e da alma me abatem e eu até paro de subir, mas meus olhos continuam fixos no topo da árvore. Meu corpo e minha mente fazem uma pausa, mas meu coração sobe... O tronco desta árvore é a verdadeira esperança. Todas as outras esperanças – ter saúde, casar-se, ter filhos, ter um emprego melhor, comprar uma casa, um carro, etc – são galhos desta árvore. Podem até ser cortados, os sonhos podem não se realizar, mas a árvore da esperança continua a crescer firme e forte.

      Vivendo na esperança somos herdeiros das promessas de Deus. Desde a criação do mundo, passando pelo tempo dos patriarcas e profetas, Deus fez muitas promessas e as cumpriu. Sua maior promessa foi nos dar o seu Espírito nos adotando como filhos em Cristo Jesus. E de todas as promessas de vida e salvação que Jesus nos fez podemos ficar com esta: “Se alguém me ama, guarda minha palavra; meu Pai o amará, viremos a ele e nele faremos morada” (Jo 14,23).

Jesus, meu Senhor,
eu renuncio a todo apego a esperanças ilusórias para ti seguir e estar no centro da tua vontade. Dá-me a graça, Senhor, de prosseguir na esperança com os olhos fixos no céu e os pés firmes na terra, sem me cansar de fazer o bem. Desejo, Senhor, te seguir com o mesmo empenho “até que se realize finalmente a esperança”.
Amém

domingo, 20 de janeiro de 2013

O SEMEADOR



“O semeador saiu a semear” (Mt 13,3).

       Depois de muitos dias de calor sob o sol intenso de verão, chegou a chuva... A chuva  nos faz recordar que Deus fecunda a terra, a torna fértil para nos dar o alimento necessário.

        E a terra boa agradece por estar sendo arada, preparada para o plantio. O semeador tira dela as pedras e os tocos para que nada atrapalhe a germinação da semente e o crescimento da planta. Na terra molhada pela chuva há um fermento de vida, uma força vital em suas entranhas. Fecundidade. O semeador se alegra ao ver a qualidade da terra: é uma terra generosa, há nela uma possibilidade de vida que precisa ser trabalhada e semeada. Acontece, então, uma parceria entre o semeador e a terra. Ele joga a semente, a terra a acolhe em seu seio e permite que ela germine, cresça e dê muitos frutos.

        Jesus é o divino semeador que ara a terra da nossa vida preparando o solo do nosso  coração para jogar a semente da sua Palavra. Um dia o Senhor passou por você, te olhou e viu as possibilidades escondidas no seu coração, acreditou em você quando você mesmo não acreditava. E aos poucos vai tirando as pedras, regando com a chuva do seu Amor, desfazendo com as mãos os torrões mais duros que foram sendo formados no seu coração pelas feridas da vida. Ele teve e tem paciência, semeando as vezes por muitos anos esperando que a terra ficasse fecunda. E, no seu amor incansável, não desiste de você mesmo quando você já havia desistido.

       E quando o seu coração se abre como uma terra fecunda, Deus se alegra e te enche de alegria. As vezes, por causa dos acontecimentos da vida, pelos abandonos, rejeição, desamor, fracassos, perdas, ... o coração ficou endurecido pelos sofrimentos como uma terra seca e fica difícil acreditar na alegria de Deus pela nossa vida. Mas, acredite, Deus se alegra imensamente pela sua vida. E se empenha em te arrancar do medo, tristeza, angústia,... e te trazer para a alegria do seu Amor. Por isto não tenhas medo de viver com alegria, pois, “como o noivo se alegra com a noiva, teu Deus se alegra contigo” (Is 62, 5).

Apresentemo-nos com confiança ao Senhor.

           Senhor Jesus, te apresento a terra do meu coração. As vezes eu a vejo seca e pedregosa onde o amor não pode crescer. Outras vezes ela está como um caminho onde todos passam, invadem o meu templo interior e mata a plantinha que germinou. E as vezes, Senhor, as preocupações e as seduções do mundo são tão fortes que a minha mente não se aquieta; parece que vem um bando de melros fazendo algazarra e arranca tudo o que foi plantado.
Ó Divino Semeador, transforme a terra do meu coração! Torne-a uma terra fértil! Dá-me um coração aberto, fecundo pela água viva do seu Espírito. Arranque, com sua mãos chagadas, as raizes profundas dos pecados e das feridas de minha alma. Cura-me Senhor, para que eu possa dar frutos em abundância. Amém.

domingo, 13 de janeiro de 2013

A GRAÇA ME BASTA



“Mas ele me declarou: ‘A minha graça te basta; o meu poder se completa na fraqueza’. ... Pois quando sou fraco, então é que sou forte” 
( 2Cor 12, 9-10).

      Para vivermos a experiência de depender da graça de Deus precisamos nos lançar com toda confiança em seus braços e fazer a experiência profunda de ser filhos. E porque sou filha, sou filho, posso deixar o medo e as vãs preocupações, tirar o meu olhar e meus pensamentos das coisas que não controlo, que não estão em meu poder resolver. Experimentar que sou amada e cuidada. E rezar como o salmista: “Temei ao Senhor, vós a quem ele consagrou, pois nada falta aos que o temem” (Sl 34(33), 10). Quem procura viver a vida na presença do Senhor não precisa ter medo de nada. Os erros do passado e as incertezas do futuro estão na misericórdia de Deus nosso Pai. As dificuldades e desafios que Ele nos permite viver são oportunidades para  experimentarmos a sua graça e vencer o medo. “Coragem! Sou eu! Não tenhais medo!” (Mc 6,50).

       Viver na graça é permitir que algo novo nasça dentro de nós, fazer a experiência da vida nova em Cristo Jesus. Talvez esta vida nova se manifeste numa forma nova de fazer as coisas rotineiras ou um olhar novo sobre nós mesmos, a vida e as pessoas. Acreditar que podemos  alargar nossos horizontes, ir além, ser mais aquela pessoa que Deus sonhou ao nos criar. Esta experiência da vida na graça pode vir à tona a partir da ordem. Por ordem em minha vida, meus pensamentos, minha alimentação, minha casa. Não ficar fazendo sempre a mesma coisa - cuidar de desenvolver todas as áreas da vida. Viver em plenitude dentro da minha realidade. Estar disponível. Viver o presente. Quando vivemos uma vida desordenada provavelmente morreremos mais cedo.

       Para mim a vida na graça se manifesta como uma ferida que o Senhor curou em meu coração, mas ficou a cicatriz. De tempos em tempos o  Senhor permite que a cicatriz fique dolorida para que eu me lembre de que Ele deve ser o primeiro em minha vida, que neste mundo tudo passa e só Ele basta. Que o amor humano é muito bom, mas não preenche a necessidade mais profunda do meu coração. Para que eu me lembre de ter misericórdia de mim mesma e dos outros, para Ele poder me usar com instrumento em suas mãos. A dor desta cicatriz combate o orgulho e a vaidade em mim, me dá a certeza de que sem o Senhor nada sou, nada posso. “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5).

   Senhor Jesus, quando a angústia vem ao meu coração e perturba a minha mente, a minha alma se agita com muitas vozes dentro de mim. Senhor, neste mundo barulhento, dá-me a graça do silêncio. Desejo que o teu silêncio amoroso encha o vazio do meu coração e liberte minha alma da angústia. Dá-me esperança e fé no Senhor que conduz a minha vida, e eu quero me entregar  amorosamente à sua condução. Sem medo e sem reserva alguma, com toda confiança no seu amor. Amém

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

GRATIDÃO PELA SALVAÇÃO



        Olhe a cena retratada nesta foto. Aconteceu assim: Dia de Natal, as 19:40, Adriana e eu saíamos da igreja S. Pedro na Praia do Suá, com o coração ardendo pela experiência vivida na missa e pelas palavras do Pe. Artur sobre a luz de Jesus que brilha nas trevas do mundo, e nos deparamos com esta cena. A rocha em frente a igreja, a cruz  fincada sobre a rocha iluminada pela luz da lua, e pertinho da lua brilhava uma estrela. Sentimos que até os astros do céu, criados por Deus, estavam adorando o Salvador - como aconteceu com a estrela de Belém que guiou os Magos até a mangedoura onde estava o Menino. Naquele momento nossos corações se encheram de gratidão pela salvação: Deus veio salvar o seu povo.

       Depois, conversando sobre a foto e sobre Jesus, algumas palavras ficaram fortes para nós: esperança, luz, rocha. Jesus é o Salvador; Ele é a Esperança dos aflitos; a Luz do mundo e de cada pessoa que o acolhe no coração; Ele é a Rocha onde podemos firmar nossos pés mesmo nos momentos mais instáveis da vida. A Adriana via nos fios que atravessam a foto os nossos pecados, as dificuldades que temos em nos deixar iluminar pela luz de Jesus. Mas, dizia ela, os fios são finos, quer dizer, nada é empecilho para o encontro com o Senhor, para a experiência de salvação.  
        A salvação é um presente que recebemos de Deus e está à disposição de todos. Mas abrir o coração para o Senhor depende de nós, e muitas vezes nos deparamos com nossas resistências, dificuldades, pecados. Olhando para o nosso interior percebemos que há, em nossa mente, nosso coração, nas profundezas do nosso ser, grandes áreas que ainda não foram evangelizadas, onde a luz de Jesus não penetrou. Um lugar onde estamos fechados. Um lugar escuro, sem esperança, mas à ele nos apegamos como se fosse nossa identidade. Um lugar de rebeldia, onde ficamos armados, com medo e por isto estamos sempre nos defendendo. Este modo de viver gera um grande cansaço, stress e desânimo. É neste lugar que Jesus entra com sua luz, sua salvação, e nos diz: “Não tenhas medo, abandone suas armas, eu estou com você. Quero entrar nas suas profundezas, neste lugar de inquietude, para te dar repouso. Quero fazer brilhar a minha luz na sua escuridão. Eu sou a luz. Abra a porta do seu coração para mim”.

     Meu irmão, minha irmã, amados de Deus, tenha coragem de abrir a porta para Jesus Salvador. Talvez seus olhos estejam tão acostumados com a escuridão do seu abrigo que você sente dificuldade em ir para a luz. Mas Jesus entra com a luz do seu amor e se senta com você. Talvez você ache estranha essa presença porque na sua vida nunca ninguém parou e ficou verdadeiramente com você. Ficando com você Jesus  cura as experiências de  abandono e desamor que você já viveu ou está vivendo. Abra a porta deste lugar escuro para que a luz de Jesus te ilumine. Nenhuma outra luz pode iluminar sua escuridão – e talvez você até já tenha buscado em outros lugares uma luz. Este lugar dentro de você não é um lugar para as pessoas entrarem, é o lugar de Deus,  o seu templo interior, onde o Senhor quer entrar e permanecer com você.

Oremos juntos:

     Jesus, dá-me a graça de abrir a porta do meu coração para o Senhor.  Jesus, estou tão acostumada a viver com medo, apegos, preocupação, desesperança e autodefesa, que já não sei pensar, sentir, viver, de forma diferente. Que a sua luz brilhe agora em meu ser profundo e transforme o meu pensar, sentir, agir. Senhor, eu quero entrar no lugar do teu repouso e quero que o meu coração seja também um lugar onde o Senhor possa ficar. Jesus, vem morar em mim. Fica comigo, Senhor, e transforme o meu ser. Quero respirar o ar novo do seu amor. Tocar o Senhor e me deixar tocar pelo Senhor. Caminhar, ser conduzida pelo Senhor no jardim da minha vida. Amém.

“Só em Deus minha alma está tranquila; dele vem a minha salvação”.
(Sl 62(61),2)