E o deserto florescerá!

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domingo, 1 de setembro de 2013

A FRAGILIDADE DA VIDA




“Toda criatura é capim e todo seu encanto é como a flor do campo... O capim seca, a flor murcha, mas a palavra de nosso Deus permanece para sempre”  (Is 40,6.8).

    



       Ah, como gostaríamos de sermos livres do medo, preocupação e ansiedade que a fragilidade da vida nos dá. Mas vivemos neste mundo e, vivendo aqui, amamos a vida, as pessoas e tantas coisas boas que temos a oportunidade de experimentar pelo simples fato de estarmos vivos. Às vezes eu tenho o desejo de ter asas para voar e estar em todos os lugares deste mundo e ver a bondade que se manifesta em tantas pequenas ações, ver o amor gratuito de tantas pessoas, pois o Espírito de Deus enche a terra e nos dá a alegria de ver o bom e o belo – “Porque o espírito do Senhor enche a terra: Ele, que a tudo dá consistência, tem conhecimento de tudo que se diz” (Sb 1,7).

      Como não tenho asas, não posso estar fisicamente presente em todos os lugares, mas posso ver tudo isto espiritualmente. Meu corpo é limitado pelas leis da física – e com o passar dos anos mais sinto esta limitação a cada dia -, mas o meu espírito voa. Onde há uma pessoa que sofre eu sofro com ela; onde há uma pessoa que se alegra com realizações, com limitações vencidas, com recuperação ou restituição de algo perdido ou roubado – e não estou falando apenas de algo material – eu me alegro com ela. Faço parte desta grande família humana, que sofre, se alegra e espera o Senhor que virá, e que já está no meio de nós.

    Como é difícil lidarmos com a fragilidade da vida! Hoje estamos aqui, com a vida estruturada desta ou daquela maneira, pensamos estar seguros ou buscamos coisas que nos dê segurança, mas na verdade estamos como quê adormecidos. De repente, tudo muda. Nossa segurança é abalada, perdemos o que para nós era o mais precioso...

     Sabedoria de viver é confiar no Senhor, estar “acordado” para as realidades da vida, ter consciência de que a segurança da vida é Deus: “Confia no Senhor e faze o bem, habita a terra e guarda a fidelidade” 
(Sl 37(36),3).

     Muitos buscam entorpecer o medo da fragilidade da vida nas drogas, no sexo, no controle de pessoas e situações, vivendo perigosamente, em toda espécie de fuga, alienação e fundamentalismo... Buscam fora o que está dentro (S. Agostinho). Buscam no poço seco quando há um rio de água viva que pode jorrar do seu interior (Jo 7,38). Só o amor do Pai, a salvação em Jesus, e o consolo do Espírito Santo, pode nos saciar e dar segurança nas águas turbulentas da vida.


 Senhor, Deus da vida, tenho saudades de ti. 
Meu ser se consome de nostalgia de vós, meu Deus. 
De ti saí, para ti voltarei. 
Enquanto vivo neste mundo sustenta-me com o teu amor. 
Dá-me a tua graça e a tua paz! 
Quero fazer vossa vontade e viver plenamente a vida que o Senhor me deu. 
Confiando no Senhor, vivendo na tua presença, posso ter, já neste mundo, o consolo e a alegria do céu. 
Viver já agora o que viverei em plenitude no céu,  
meu Senhor e meu Deus. 
Amém.

sábado, 10 de agosto de 2013

A PURIFICAÇÃO

    "Se tiveres de passar pela água, estarei a teu lado, se tiveres de varar rios, eles não te submergirão. Se andares pelo fogo, não serás chamuscado, e as labaredas não te queimarão." (Is 43,2)


  Para fazermos a experiência de sermos filhos amados e deitar a cabeça no colo de Jesus, precisamos de purificação. Purificação que é feita pelo Espírito Santo com línguas de fogo: "Viram aparecer, então, uma espécie de línguas de fogo, que se repartiram e foram pousar sobre cada um deles"(At 2,3). Outras vezes a purificação parece águas caudalosas que levam tudo... então, preciso me entregar e passar pelos rios. Purificação que passa por todo o meu ser: minha história de vida, condicionamentos, paradigmas, cultura, educação, temperamento, pensamentos, sentimentos, motivações... e precisa atingir o mais profundo do meu ser: o meu espírito.

       Só quando me submeto à esta purificação, só quando permito que o Senhor mude meus planos, transforme meus sonhos, abra os meus olhos, ouvidos e coração para uma vida nova –que me faz ver a vida, as pessoas e o mundo com o olhar de Deus – é que posso verdadeiramente ser discípula de Jesus Cristo Mestre.

       Cada pessoa precisa de uma purificação particular, e cada um precisa ter consciência de qual purificação necessita, à qual Deus está a conduzindo ou realizando. Às vezes estamos ainda cegos e a desconhecemos, ou só vislumbramos esta purificação, e às vezes temos medo e a rejeitamos. 
         Então se pergunte: Qual a purificação que o Senhor está realizando ou quer realizar em mim? 
A purificação acontece em algo que trazemos conosco, que faz parte da nossa vida. Não é algo que vem de fora, mas que brota de dentro do coração. Ali, onde está nosso coração, nosso maior apego, é onde precisamos de purificação. Olhe para sua vida, ela lhe dará pistas sobre o que o Senhor precisa te purificar ou está te purificando. Às vezes o que vemos como perda é na verdade um ganho no amor, na graça e misericórdia do Senhor. 

      Jesus, o seu olhar amoroso me sonda, vê minhas necessidades, pecados, desejos, sonhos, vê as feridas mais profundas da minha alma, aquelas que eu até mesmo desconheço. 
O Senhor me olha com amor e me cura, me transforma; traz à tona o que eu preciso ter consciência e lança no mar da sua misericórdia o que eu não preciso conhecer. 
Te entrego, Senhor, todo o meu ser. 
Quero que minha vida esteja “escondida com Cristo em Deus”. 
Senhor Jesus, quero me unir a vós cada vez mais, estar no seu coração, ser um livro aberto diante do Senhor. 
Experimentar a suprema felicidade do conhecimento de Jesus Cristo, meu Senhor e Mestre. 
Amém.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

CAMINHANDO COM O SENHOR

      “‘Subi, vós, para a festa. Para esta festa eu não vou, porque ainda não se cumpriu o meu tempo’. Tendo dito isto, Jesus ficou na Galiléia. Mas depois que os irmãos tinham ido, também ele foi para a festa. Não em público, mas secretamente” (Jo 7,8-10).

     Jesus disse que não ia subir à Jerusalém para a festa das Tendas, mas depois resolveu ir só... Nessa atitude de Jesus vemos que os sentimentos, pensamentos, sofrimentos, decisões, ou seja, as questões mais profundas da vida de uma pessoa se passa entre ela e Deus. Só o Senhor sonda as nossas profundezas e sabe o que está no coração.

     O que realmente uma pessoa vive, mesmo as mais próximas de nós, nos é oculto. Às vezes alguém ao nosso lado está passando por grandes sofrimentos que desconhecemos. E às vezes aquela pessoa que menos pensamos estar precisando da graça e misericórdia do Senhor é a mais necessitada. Às vezes rezamos muito por alguém da família sem perceber que é outro que precisa das nossas orações. Da mesma forma o órgão do nosso corpo que pensamos não estar em perigo é por onde entra a doença. Às vezes é difícil percebermos que não controlamos a vida - tudo é dom de Deus.

     Jesus foi para a festa, só... Talvez para fugir de alguma demonstração pública que os outros peregrinos podiam fazer ao reconhecê-lo – não era ainda a sua hora de entrar triunfante em Jerusalém... Mas talvez o motivo principal fosse ficar só com o Pai ao longo do caminho para Jerusalém. Podemos imaginar como Jesus ia conversando com o Pai, falando e ouvindo sobre o próximo passo da sua missão salvadora; preparando-se para os acontecimentos futuros: sua paixão e morte na cruz. Fortalecido pela caminhada solitária com o Pai, chegando a Jerusalém ele ensina no Templo e se expõe aos que queriam matá-lo (cf. Jo 7,37-39).
    
Nós também, muitas vezes, precisamos nos afastar do burburinho da vida, do redemoinho do mundo, e ficar só com Deus, para falar com Ele, escutá-lo; ouvindo ao Senhor, ordenar nossa vida e sermos enviados para servir como Ele quer.


    
 Senhor, eu confio na sua misericórdia. Abandono-me em vossas mãos... Minha vida e a vida dos que me são caros está em vossas mãos, meu Pai. Nada quero reter, meu Deus! Abro minhas mãos e me entrego a vós. O Senhor conhece minha fraqueza. Vinde logo em meu auxílio. Não me desampares, não me abandones, Deus de minha salvação. Dá-me a força do Espírito Santo; cubra-me com o Sangue do Cordeiro, Jesus Cristo, vencedor do mal e da morte. Fica conosco Senhor, hoje e sempre. Amém.

domingo, 14 de julho de 2013

FELIZES OS MANSOS


“Felizes os mansos, porque possuirão a terra” (Mt 5,5).

      Ser manso é um grande desafio no mundo agitado e violento em que vivemos, onde os poderes do orgulho e do egoísmo se levantam e nos sufocam. Geralmente não queremos buscar a mansidão porque pensamos que ser manso é ser ingênuo ou bobo. Mas o que é ser manso?

       A mansidão que Jesus nos fala não é a daquele que tem o temperamento manso, ou se tornou assim por baixa autoestima, complexo de inferioridade ou ainda pelos fracassos da vida.
     
Ser manso é confiar plenamente em Deus em todas as situações da vida, se submeter ao senhorio de Jesus e permitir que Ele governe seu ser e sua vida. Até mesmo quem tem um temperamento colérico pode ser transformado  pelo Senhor. O manso é sobretudo manso para Deus e permite que o Senhor passe a mão sobre ele. Que deseja sobretudo ter seu coração unido ao Senhor e fazer sua vontade. Jesus se identificou como um deles: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para vossas almas” (Mt 11,29).

      Num certo sentido a bem-aventurança da mansidão contém todas as outras, pois ser manso é ser pobre de espírito; é ter o coração aberto para receber a consolação de Deus nos sofrimentos; é ser misericordioso; é buscar a justiça e a paz; é ter o coração semelhante ao de Jesus. E por experimentar ser filho amado do Pai permite que o Espírito Santo vá purificando seu coração, para ver à Deus em todos os acontecimentos da vida, na esperança feliz de um dia o contemplar face a face.

Quais os maiores obstáculos para vivermos a mansidão?

     Viver a mansidão é um combate espiritual. Combate comigo mesma, com o mundo, com o maligno. Os maiores obstáculos que vejo e experimento são: a criança raivosa dentro de mim que quer ter o controle de tudo para que sua vontade seja feita. O segundo obstáculo, ligado ao primeiro, é o amor desordenado, o apego, ao meu projeto de vida – é ter um coração obstinado como um cachorro que já roeu todo o osso, mas não o solta. Outro obstáculo que vejo é ter a mente acelerada, ser dominada pela pressa da sociedade moderna. Tudo passa depressa demais, por isto não saboreio o presente; sentindo que não vivi bem o presente me apego à ele quando se torna passado. Ao mesmo tempo a ansiedade da vida corrida me leva à viver no futuro, prevendo as coisas, sofrendo por antecipação, sendo dominada pelo medo e preocupação excessiva.

     Ser mansa é uma escolha que faço: sair do redemoinho do mundo para entrar na esfera de Deus e receber vida em plenitude.

Senhor Jesus, opto hoje mais uma vez por ti. 
Escolho ter um coração semelhante ao vosso, manso e humilde. 
Jesus, cura a criança irada e pirracenta em mim, que quer controlar as coisas, as pessoas, a vida. 
Dá-me a graça da liberdade. 
Quero voar nas asas do teu Espírito e não ficar apegada a nada neste mundo, pois, tudo passa. 
Dá-me, ó amado Senhor, a graça de viver bem o presente, de saborear a vida que o Senhor me deu como ela é. 
Me submeto à sua mão poderosa que protege, ampara, cuida, porque ama. 
Amém.

domingo, 23 de junho de 2013

O IMÃ E A AGULHA


        “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor, e amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, com toda a alma, com toda a mente e com todas as forças” (Mc 12,29-30).

        Sempre que leio este texto da Bíblia me vem a mente a imagem de um grande imã de ferro que atrai para si, irresistivelmente, uma agulha. A agulha não tem como resistir a atração do imã... E penso que o imã é Deus que nos atrai com a força de todo amor que há no Universo, pois o amor vem de Deus – “Deus é amor” (1Jo 4,8) – e todo amor que há em nós vem de Deus. Amamos porque Deus nos amou primeiro (1Jo 4,10).

       E a agulha? A agulha sou eu, é você,  se identificar essa sede de Deus em sua alma, e orar como o salmista: 
“Ó Deus, tu és o meu Deus; a ti procuro, minha alma tem sede de ti; todo o meu ser anseia por ti, como a terra ressequida, esgotada, sem água” (Sl 63(62),2). 
Me identificando com a agulha desejo que todo o meu ser – mente, coração, corpo, espírito, forças, memória, alma, vontade, liberdade...- seja atraído irresistivelmente para o Senhor. Isto é a felicidade: render-me àquele que me ama, Deus da vida, fonte do amor.

      Desejo isto..., mas infelizmente o meu desejo, contaminado pelo pecado, é inconstante... e por isto é um desejo pleno por alguns momentos, e depois não mais... Posso dizer como Paulo: “Infeliz de mim! Quem me livrará deste corpo de morte?” (Rm 7,24). Mas, graças a Deus, ele mesmo nos dá a resposta: Jesus Cristo, nosso Senhor (Rm 7,25). Só por sua graça e misericórdia sou salva na luta que se desenrola em meu coração diariamente: render-me a Deus X resistir a Deus.

       A força do Cristo Ressuscitado presente na Palavra e na Eucaristia é que me dá a graça de permanecer fiel. Como aquela pequena agulha me render à atração do Amor. Se o encontramos alguma vez na vida o encontro deixa uma marca, uma saudade, uma ferida que só pode ser curada quando me entrego, me rendo ao Amado. Então tudo mais se faz pequeno porque estou naquele de onde vim e para onde vou.


            Ó Santo Senhor de Israel, toca meu coração e faça-o vibrar na mesma frequência do seu Coração. Ó meu amor, meu Amado, renove e sustente em mim o desejo de ser plenamente atraída por vós, e assim,  encontrar meu lar, meu porto seguro, a plenitude da vida. Dá-me teu amor e tua graça, isto me basta. Amém.

domingo, 16 de junho de 2013

GRAÇA E PAZ


“A graça e a paz estejam convosco da parte de Deus Pai e de nosso Senhor Jesus Cristo, que se entregou por nossos pecados para nos livrar da maldade do século presente, segundo a vontade de nosso Deus e Pai. A ele seja dada a glória pelos séculos dos séculos. Amém”. 
(Gl 1,3-5).

       Graça e paz são dons do Cristo ressuscitado, e ele quer dar aos que a ele se confia. O que é viver na graça e na paz do Senhor?

    Viver na graça é ter leveza na vida, experimentar que tudo recebemos de Deus – a vida, os talentos, os dons da inteligência, a criatividade, os bens, a capacidade de fazer o bem, etc. Viver na graça é ter espírito de pobre (Mt 5,2), gratidão pela graça recebida, viver com alegria partilhando os dons recebidos. É ter um coração de criança, aberto ao Espírito Santo – onde ele pode repousar e, de dentro de nós, em nosso coração, nos conduzir.

“Vou instruir-te e indicar-te o caminho a seguir, e aconselhar-te, pousando meus olhos sobre ti” (Sl 32(31), 8).

      Quem vive na graça e deixa-se conduzir pelo Espírito Santo, passa pelo fogo e pela água (cf. Is 43,2). As águas profundas da tribulação e do sofrimento não o submergirão; as chamas da maldade do mundo não o queimarão. Viverá no amor do Pai. Sabe que nunca está só e deixa que o amor do Pai preencha os vazios do seu coração e de sua vida. É uma pessoa de esperança, pois sabe que o Senhor cuida dos que nele confia, dos que a ele se entrega. É curado na alma e no corpo; tem perseverança, mesmo nos dias maus. Não se deixa abater pela tentação do desânimo. Espera em Deus. Confia.

      Quem vive na graça tem a paz, pois vive nele o Cristo Senhor. Ele é a nossa paz, ele nos dá a paz. Não a paz do mundo – uma paz ilusória e muitas vezes egoísta, que nos faz até ficar omissos para viver em paz -, mas a paz profunda, presente mesmo em meio às tribulações, sofrimentos, perdas... A paz que só o Senhor Jesus pode nos dar como presente do Pai, no Espírito Santo.

    Hoje, o Senhor nos convida a abrir o coração para ele entrar e nos dar sua graça e sua paz. Para que ele possa entrar precisamos desentulhar o coração de tudo o que ocupa o lugar do Senhor dentro dele – apegos, idolatrias, supertições, preconceitos, dureza de coração, falta de fé...

    Pedindo ao Senhor Jesus sua graça e paz, nós, salvos pelo seu sangue derramado na cruz, família de Deus pelo batismo, oremos nos entregando com toda confiança.


“Tomai, Senhor, e recebei toda minha liberdade, a minha memória, a minha inteligência e toda minha vontade, tudo que tenho e possuo. Vós me destes; a vós, Senhor, o restituo. Tudo é vosso; de tudo disponde segundo a vossa vontade. Dai-me o vosso amor e a vossa graça, que isso me basta”.  
(S. Inácio de Loyola) 

quinta-feira, 30 de maio de 2013

O AMOR INCONDICIONAL DE DEUS


     “Mas Sião reclama: ‘O Senhor me abandonou, meu Deus me esqueceu!’ Pode uma mulher esquecer seu bebê, deixar de querer bem ao filho de suas entranhas? Mesmo que alguma esquecesse, eu não te esqueceria!”  (Is 49,14-15).

      
   Para o ser humano criado à imagem e semelhança de Deus, na sua beleza e bondade original, é impossível esquecer um filho, por isso Deus, que pensa em nós com a natureza que ele criou, acha impossível uma mãe esquecer o seu filho. Mas a realidade do pecado nos marcou profundamente e distorceu até nossos sentimentos e valores mais profundos. Por isto vivemos a triste realidade do desamor, da rejeição. Com facilidade se rejeita um filho, uma filha, chegando mesmo a matá-lo pelo aborto, a abandoná-lo em uma lata de lixo.

       A rejeição é a ferida mais profunda que o ser humano pode sofrer e marca dolorosamente toda sua vida. Madre Teresa de Calcutá, acostumada a cuidar das pessoas mais abandonadas e doentes das ruas, nos dá esse testemunho: “A mais terrível pobreza é a solidão e o sentimento de não ser amado. A maior doença hoje não é a lepra ou a tuberculose ou aids, é, antes, o sentimento de não ser desejado".

        A experiência de não ser aceito, não ser amado, não ser recebido com alegria, fica impressa na mente, nos nervos, nos ossos, nos rins, enfim, em cada célula do nosso corpo, em todo nosso ser, fisíco, psíquico e espiritual – quando transferimos para Deus a rejeição sofrida. E se é doloroso ser rejeitado por um ser humano muito mais doloroso é sentir que não é amado por Deus, fonte da vida.

       Os sentimentos mais comuns provocados pela rejeição são: raiva, mágoa, ressentimento, indiferença, carência afetiva, culpa, cobranças, sentimento de não pertença, dificuldade de manifestar sentimentos... Quem está cheio de rejeição vai distribuindo rejeição por onde passa. Podemos tratar a rejeição de muitas formas: fazendo terapia, firmando a auto-estima pelo desenvolvimento integral como pessoa, amando a si mesmo, fazendo o exercício de se acolher e acolher o outro... Mas a cura das feridas profundas da rejeição só Deus pode curar. Só Deus pode encher os vazios do coração e reverter o desamor sofrido em amor.

        O primeiro passo para abrir o coração para a cura que o Senhor quer nos dar é reconhecermos que fomos rejeitados em alguma fase da vida. Sim, todos nós fomos rejeitados ou vivenciamos um amor condicional: eu te amarei se fores assim ou assado, e para sermos aceitos e amados tomamos a forma que alguém queria e com isso muitas vezes perdemos nossa verdadeira identidade - ser como Deus me criou.

      O ser humano é a obra prima de Deus, quer dizer o que de mais precioso ele criou. Rejeitar o ser humano é rejeitar a vida, é uma forma de suicídio. O Pai de nosso Senhor Jesus Cristo deseja restaurar a nossa vida nos dando seu amor incondicional, nos amando com amor eterno.


       Te dou graças, Senhor, pelo seu amor eterno; 
por teres me chamado à vida e me salvado em muitas ocasiões, me cercando de cuidados. 
Senhor, dá-me a graça de experimentar que o Senhor se alegra com a minha vida, me ama como sou e quer restaurar em mim a imagem e semelhança vossa que perdi ao longo da vida. 
Perdoe as minhas loucuras... 
livra-me do medo, do apego e do desejo de morte. 
A tua graça me basta, Senhor. 
Que o teu amor cure as feridas do desamor em mim. 
Tenho certeza de experimentar a bondade e o amor do Senhor, na minha vida.
Amém.