E o deserto florescerá!

E o deserto florescerá!

segunda-feira, 30 de março de 2015

LARGAR O LENÇOL

      Um jovem, envolto apenas em um lençol de linho, estava seguindo Jesus, e eles o prenderam. Mas ele largou o lençol e fugiu nu. 
Mc 14,51-52
  
          A vida é um caminho e em suas diversas fases precisamos deixar “um lençol”. Coisas que fazíamos e não fazemos mais, coisas que desejávamos e não queremos mais... muda o tempo, muda a fase da vida, muda nossos sonhos e sentimentos. A vida nos convida a um longo processo de desapego, de desprendimento.

     Acontece assim com todas as pessoas, e muito mais o discípulo de Jesus é chamado a ter consciência desse processo. O discípulo de Jesus é convidado a dar a mão ao seu Mestre e se deixar conduzir por Ele no caminho da vida.

      Tudo passa rapidamente – os momentos bons e os maus. Olhando para nossa vida certamente podemos ver os momentos felizes, as realizações, as vitórias e alegrias. Mas podemos ver também as lutas, o sofrimento, as perdas, os enganos e erros cometidos, nossa impotência diante da fragilidade da vida... Tudo passa.

Mas ele largou o lençol...

Qual o lençol você precisa largar hoje para salvar sua vida?

    Talvez o lençol da vontade própria... do nosso projeto de vida (ainda tenho tantas coisas para fazer e sonhos a realizar)...  do orgulho ferido... da falta de perdão... da mágoa e ressentimento... do desejo de vingança... de todo e excesso – comer demais, beber demais, querer demais, acumular demais... Precisamos largar para salvar a vida. Ficar nu para entrar na vida.

    E depois de longo aprendizado o ultimo lençol que largaremos será o nosso corpo. Deixar nosso amado corpo, nossa casa neste mundo... este é o lençol mais difícil de deixar. Mas precisamos deixa-lo para viver nossa páscoa – nossa passagem da morte para a vida.

     O Senhor Jesus Cristo fez esta Páscoa antes e nos mostrou o caminho. Viveu nossa vida, morreu nossa morte, por nós, por amor. Mas a morte não o reteve. Ele está vivo e nos dá a vida. Por Ele deixamos os apegos; por Ele nos desprendemos das coisas que nos dominam; por Ele renunciamos ao poder do orgulho, arrogância e egoísmo. Por Cristo, com Cristo e em Cristo, passamos da morte para a vida.
Deixemos, então, os lençóis que nos prendem, e caminhemos na Luz do Senhor.

 Senhor Jesus, dá-nos um coração leve para deixar o Senhor nos conduzir nas mudanças da vida. 
Dá-nos asas como as águias para poder ver todas as coisas do alto. 
Ver nossa vida, as pessoas e todas as coisas com o olhar de Deus. 
Ó Espírito Santo, amor do Pai e do Filho, dá-nos a graça de nos rendermos ao Senhor, com confiança profunda no seu amor e misericórdia. 
Amém.


domingo, 8 de março de 2015

FORTALECEI OS VOSSOS CORAÇÕES

    Estamos aqui rezando por cura. Precisamos de cura porque somos feridos pelo pecado, desamor, rejeição, abandono, desconfiança...
     
Imagem da internet
Fortalecer os corações é dar um passo à frente, com confiança profunda no amor e misericórdia de Deus. É dar um passo à frente na fé em Jesus Cristo. Jesus nos estende a mão e nos convida a caminhar sobre as águas no mar tempestuoso da vida, no mar da indiferença do mundo. O coração é fortalecido no encontro com Jesus, e a quaresma é um “tempo favorável” de graça (2Cor 6,2).

    “Deus nos amou primeiro” (1Jo 4,19), conhece-nos pelo nome, cuida de nós, e nos busca, quando nos afastamos d’Ele. Deus chora por nós. Você crê nisto? Se para você é difícil imaginar o Pai chorando, Jesus disse: “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14,9) – Jesus chora por nós. Se você sofreu uma tentativa de aborto, teve dificuldades para nascer, foi abandonado, dado para adoção, foi abusado de muitas formas, esteve gravemente doente, sofreu acidentes, perdeu pessoas queridas, foi traído, desprezado... O Senhor chorou por você e com você.

      E hoje qual é a sua dor? Ele não é indiferente ao que você vive e sofre. Ele te ama. Quem ama não fica indiferente. Ele não só enxugará nossas lágrimas no céu (cf. Ap 21,4). Ele enxuga nossas lágrimas hoje.

     A quaresma é um tempo favorável para nos deixar servir por Cristo, deixar que Ele cure nossas feridas e enxugue nossas lágrimas, lave nossos pés cansados.  Ele se apresentou assim: Vim para servir (Mc 10,45). Precisamos nos deixar servir por Jesus porque somos todos pecadores. Servidos por Cristo podemos servir ao outro.

Tende também vós paciência e fortalecei os vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima. Tg 5,8.

    Fortalecei os vossos corações... Primeiro a Palavra de Deus nos convida a termos paciência. Paciência implica sofrimento, o sofrimento da espera, daquilo que demora... Espera pelo socorro de Deus, espera por mim mesma naquilo que ainda não consigo mudar, espera pelo outro...

    Hoje sofremos a grande tentação da indiferença. Vemos tantas notícias e cenas chocantes na TV, nos jornais ou nas redes sociais. Corremos o risco de nos acostumarmos com elas – até como forma de autodefesa, pois nos sentimos impotentes. Mas não somos impotentes, pois sempre temos a força da oração. O sofrimento do outro traz presente a fragilidade da minha vida.

     Fortalecei os vossos corações... Às vezes podemos pensar que ser forte é ficar duro. Mas para Deus ser forte é ser misericordioso. Só é misericordioso quem se deixa conduzir pelo Espírito Santo. Só Ele pode nos dar um coração semelhante ao de Jesus – um coração que ama, que é aberto para Deus e não fica indiferente ao sofrimento do outro. A motivação para nos deixar conduzir pelo Espírito Santo, é: A vinda do Senhor está próxima. Vem Senhor Jesus.

Senhor Jesus, quero por minha mão na tua e deixar que o Senhor me conduza. Entre, Senhor, nas áreas mais escuras do meu ser e traga a salvação, o perdão dos pecados e a vida plena. Quero ser conduzida pelo Espírito Santo, mais e mais. Quero mais de Ti meu Deus. Anseio por fazer tua vontade, e me entregar inteiramente ao Senhor. Não importa o quanto eu caia e me sinta impotente... A tua graça me basta.
Jesus, manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao vosso.

Ensino na tarde de Cura e Libertação,  inspirado na mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2015.

domingo, 1 de março de 2015

LIBERDADE E ESCRAVIDÃO

    Foi para a liberdade que Cristo nos libertou! Ficai, portanto, firmes e não vos curveis de novo ao jugo da escravidão.(Gl 5,1)

    O desejo de liberdade é muito forte no ser humano. Se prestarmos atenção aos movimentos do nosso ser interior vemos que ele está presente desde a nossa infância, e se manifestou em muitos momentos nos acontecimentos da nossa vida. Mas, sondando nosso coração, vamos ver também como é difícil ser livre!

    O Senhor quer me ver livre, mas muitas vezes eu mesma me aprisiono. Meu ego fica querendo me por nos trilhos que ele acha melhor... E reconheço que às vezes a força da minha vontade própria luta contra a força da graça de Deus em mim. E quando me rendo a vontade de Deus minha vontade fica em algum canto reclamando e querendo voltar ao padrão antigo de comportamento (conceitos e preconceitos). Reconheço em mim esta força de morte: o pecado me tornou prisioneira do orgulho e egoísmo (cf. Rm 7,14). O campo de batalha é o meu coração. A cada momento eu preciso optar pela vida e liberdade em Cristo Jesus para viver em plenitude.

    Mas é para a liberdade que o Senhor nos libertou! De tal forma nos libertou que apesar da nossa luta interior, se nos deixamos conduzir pelo Espírito, não conseguimos mais viver no horizonte estreito da escravidão. Vivo na escravidão quando ouço mais a voz do maligno e a voz do meu ego – minha vontade e desejos feridos - e busco realizar meu projeto de vida obedecendo aos meus apegos e não à vontade de Deus para mim.

E o que é ser livre? Em que consiste a liberdade para a qual Cristo nos libertou? Vejamos alguns pontos:

   Primeiro precisamos nos libertar do orgulho do nome e dos títulos, do egoísmo, do apego ao dinheiro, da arrogância, da ira, dos conceitos e preconceitos que nos foram passados desde nossa mais tenra infância. Como S. Paulo precisamos reconhecer que tudo isso é lixo comparado à graça do conhecimento de Cristo (Fl 3,4-9). Aceitar a vida como ela é... Colocar nas mãos do Senhor o que não foi bom, o que nos aconteceu, o que nos fizeram e o que fizemos a nós mesmos.
   
   Nos afastando do orgulho precisamos ouvir a voz do Senhor que nos convida a entrar na aventura da solidão do deserto para encontrarmos com Ele. E no encontro com Jesus, encontrar-se consigo mesmo. Nos Evangelhos vemos que Jesus sempre está à caminho... Ele é o Caminhante e sempre nos convida a caminhar... No caminho seremos curados e libertos das amarras do passado. Para sermos livres precisamos pôr-nos a caminho como os israelitas caminharam no deserto fugindo da escravidão do Egito. No deserto aprendemos a ser livres. Não existe liberdade sem o abandono e confiança profunda no amor de Deus. Entregar minha vida ao Senhor e abrir-me à consolação do Espírito Santo.

Senhor Jesus Cristo, eu quero ser livre! 
Dá-me a graça da reconciliação, a graça de perdoar meus inimigos e perdoar quem me feriu. 
A graça de me aceitar como sou e aceitar minha história de vida. 
A graça de acolher o seu amor e o perdão dos meus pecados. 
Dá-me a graça de ser portadora da reconciliação  onde eu estiver e por onde for. 
Faz-me mansa e humilde. 
Transforma o meu coração de pedra em um coração de carne. 
Jesus, Mestre, ensina-me a amar e perdoar. 
Liberta-me dos preconceitos, mágoas e ressentimentos. 
Senhor, dá-me um coração semelhante ao vosso. 
Amém.



terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

SEGURANÇA EM DEUS

   Jesus lhe respondeu: “Se alguém me ama, guarda minha palavra; meu Pai o amará, viremos a ele e nele faremos morada”. (Jo 14,23).   

    Ontem eu li uma frase no facebook que dizia: Muitos chamam Deus de Pai, porem poucos obedecem como filhos. Infelizmente isso é verdade. O que Jesus nos fala é: Ame a Deus, obedeça sua Palavra, e você se tornará morada de Deus na intimidade do amor. Mas muitas vezes preferimos viver uma vida natural, sem se comprometer com o Senhor e o projeto d’Ele para nós. A vida natural é uma vida na desolação, sem o consolo do Espírito Santo; uma vida governada pelo ego e á mercê do inimigo. A vida na graça é o coração fértil, que floresce mesmo no tempo de seca das dificuldades da vida e do cansaço de sair de nós mesmos. A graça de Deus nos salva e nos cura. Ele é o caminho santo por onde podemos caminhar com confiança e segurança.

     O desafio da conversão se resume em abrir-nos mais e mais para a intimidade com o Senhor permitindo que Ele nos transforme. Transformados, curados e libertos dos pecados, Ele nos dá a missão de levá-lo a quem ele puser em nosso caminho. Isto quer dizer: desapegar-me de mim mesma e dos meus projetos. Ser como uma flauta nas mãos do Senhor, onde Ele pode tocar uma bela melodia.

Senhor Jesus, dá-me a graça de render-me ao seu amor. Quero voar nas asas do teu Espírito...

      Por falar em asas... uma vez ouvi a seguinte historia sobre águias, asas e voos. Quando uma águia vai ensinar o filhote a voar o leva bem alto e de lá o solta; quando ela percebe que o filhote está apavorado porque ainda não aprendeu a voar e vai cair no chão, a águia vem e o pega. E repete o processo até o filhote aprender a voar nas alturas. Quem contou esta história queria ilustrar que assim Deus faz conosco. Quando nos permite passar por situações desafiadoras é para aprendermos a voar, a vencer nossos medos e limites. Mas durante todo tempo o Senhor está atento para nos pegar quando for preciso. Em todas as situações o Senhor está nos amparando, seus braços nos envolvem, transformando o medo em segurança. Ensinando-nos a confiar n’Ele.

       Senhor, eis-me aqui. Com as marcas da minha história, o grito sufocado, o desamor, os erros e acertos, qualidades e defeitos... Entro na tua presença com confiança. Não sei até que ponto minha fé é verdadeira; talvez muita coisa em minha vida seja um engano da minha mente, dos desejos desordenados do meu coração. Mas sei que desejo o Senhor! Desejo contemplar a vossa face, desejo estar na tua presença, desejo te agradar, meu Deus. Envolva-me, Senhor, na tua misericórdia. Cura-me. Salva-me. Tú és minha esperança, meu Amado, meu Senhor e meu Deus.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

O RIO E O MAR

     Todos os rios correm para o mar, e contudo o mar não fica cheio; para onde os rios vão, para lá tornam a ir. (Ecl 1,7)
  
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    No final de semana fui com uma amiga à Vila de Regência, na foz do rio Doce. Contemplando a beleza do encontro do rio com o mar - tão belo que deu vontade de ficar ali, só contemplando - ficamos conversando sobre coisas da vida, coisas de Deus.

    Olhando para a foz do rio ficamos refletindo sobre onde ele nasceu e os lugares por onde passou... Um rio nasce pequenino, apenas uma fonte que brota da terra, e começa sua caminhada por vales e montes, onde às vezes forma belas cachoeiras. Ao longo do caminho vai recebendo água de pequenos riachos ou córregos maiores...  vai crescendo seu volume d’ água, podendo se tornar um rio caudaloso. Um grande rio.

    O rio corre sobre a terra e por onde passa vai fazendo o bem. Ele fecunda a terra às suas margens, fornece água para as pessoas, os animais e as plantações. Não por acaso os nossos antepassados construíram as vilas e cidades às margens de um rio. Por isso ele também foi desrespeitado e poluído por nós. Assim o rio corre até chegar ao mar, seu destino final.

    Podemos comparar nossa vida com um rio. Nascemos pequenos, indefesos, precisamos do cuidado de outro ser humano para que a vida se desenvolva em nós. Como o rio, recebemos influência de muitas pessoas – família, amigos, professores, sacerdotes...  Muitas pessoas nos formaram e contribuíram um pouco para nos tornarmos quem somos. Algumas pessoas marcaram negativamente nossa vida, nos machucaram... Elas também contribuíram com alguma coisa para nossa vida, pois no projeto de Deus nada se perde: Nós sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, dos que são chamados segundo seu desígnio. (Rm 8,28).

    Como precisamos respeitar o rio – não o poluindo ou construindo muito perto de suas margens – precisamos respeitar a nós mesmos não poluindo nossa alma e nosso corpo com o pecado, desequilíbrios e maldades que somos tentados a fazer.  Da mesma forma precisamos respeitar o outro que é filho de Deus, nosso irmão; às vezes marcado por uma história de vida dolorosa, que têm uma cultura e jeito de ser diferente do nosso. Acolher a nós mesmos, com nossa luz e sombra, acolher a vida que está em nós, mas não nos pertence, acolher o outro, acolher e respeitar a natureza, é fonte de sabedoria.

     Como o rio corre para o mar nós corremos para Deus, nosso destino final. Há rios curtos e rios longos. Há pessoas que vivem um tempo menor e outras vivem longos anos. O tempo que vivemos não importa. O que importa é corresponder ao sonho de Deus para nós, levando vida, bondade e beleza, por onde passarmos. Cada dia que passa nos aproxima mais da nossa foz: o mar de amor e misericórdia de Deus. Ele nos convida a render-nos numa entrega de amor. Deus é amor (1Jo 4,8).

Meu Deus e Pai,como o mar recebe as águas do rio, em Jesus Cristo, o Senhor me recebe quando vou ao seu encontro na oração.  
E no abraço de amor e paz o Senhor me perdoa, cura, liberta das dúvidas, medos, angústias, inquietações... 
Ó Espírito Santo lave minhas feridas e devolva-me a dignidade de filha amada de Deus. 
Eu quero entregar-me a Vós como o rio se entrega ao mar. 
Assim seja. Amém.

domingo, 18 de janeiro de 2015

ORAÇÃO E SABEDORIA

“Mas a sabedoria do alto é antes de tudo pura, depois pacífica, indulgente, conciliadora, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade nem fingimento” (Tg 3,17).

     Sabedoria é algo que falta nos nossos dias. Hoje eu conversava com uma mãe necessitada de sabedoria para governar sua casa e orientar os seus filhos. Diante dos apelos do mundo o que é certo, o que é errado? Como falar daquilo que sei ser o certo sem parecer radical ou até mesmo fundamentalista? Como dar a orientação certa de modo que atinja a mente e o coração daquele que precisa? Como tomar a decisão certa? Como viver de fato de acordo com a minha fé? São muitas as questões...

    Sabedoria é um dom de Deus que recebemos pela graça, na oração. Oração e sabedoria estão intimamente ligados; alcançamos sabedoria pela oração.  Mas é também um aprendizado. Como assim? Pela intimidade com o Senhor na oração vou aprendendo a viver como Ele: “Mas nós temos o pensamento de Cristo” (1Cor 2,16). Para viver com sabedoria é preciso que minha mente se aquiete. Aquietar-se e não deixar que nenhuma palavra do Senhor caia por terra: “Maria conservava todas essas coisas, meditando-as em seu coração” (Lc 2,19).

       Como no mundo agitado de hoje nossa mente pode aquietar-se? Creio que ajuda ter um ritmo de vida mais tranquilo. Sei que são muitas as solicitações e o redemoinho do mundo nos atrai. Ou pensamos que precisamos fazer tudo e nos preocuparmos com tudo a nossa volta. Mas preciso parar e perguntar-me: com o que Deus quer que realmente eu me preocupe e me ocupe? 

      Sabedoria é aprender que não preciso ter tanta pressa. Aquiete seus passos e seu coração se aquietará. Olhe o ritmo da natureza, siga a respiração do universo; aceite o convite do salmo: “Tudo que respira louve o Senhor!” (Sl 150). Viva o ritmo das estações do ano. Todas elas são necessárias para o equilíbrio da terra, da natureza. Não reclame de nenhuma estação de sua vida e do ano. Viva cada uma com alegria e suavidade e o Senhor te dará sabedoria.

      Olhando para nós mesmos vemos que geralmente há o desejo de amar mais, de aceitar, de perdoar, de viver livre da culpa, de ser mais humilde..., mas vemos também que há muitas pedras, muitos obstáculos no caminho. O exercício que fazemos para nos tornar pessoas melhores muitas vezes nos cansa. Só vencemos verdadeiramente as dificuldades quando o Espírito Santo vem em nosso socorro; quando fixamos o olhar no autor e consumador da fé: Jesus Cristo. Faça a experiência de ser conduzido pelo Espírito Santo. Ele “torna sábio o homem simples” (Sl 19,8).

Senhor Jesus, 
integra todas as coisas em mim... harmoniza o meu ser. Desperta o que ficou adormecido... acalme a minha mente. Livra-me do medo; do desejo de agradar a todos. Que a tua cruz seja fincada no centro do meu ser, e desta forma as minhas ações, forças e desejos, estejam submissas a vós, meu Senhor e meu Deus. Que tudo se cale e o Senhor se levante. A mente dispersa e a ansiedade roubam minha energia e trazem o cansaço. São brechas por onde o inimigo me ataca. Livra-me Senhor do caminho enganoso, conduze-me pelo caminho da vida. Amém.

domingo, 11 de janeiro de 2015

FECHANDO UM CICLO

   

     Esquecendo o que fica para trás, lanço-me em perseguição do que fica para frente. Corro para a meta, para o prêmio celeste, que Deus nos chama em Cristo Jesus. 
(Fl 3,13-14).

    

   De tempos em tempos precisamos fazer uma peregrinação interior para ver onde estamos e para onde vamos e se necessário fazer uma correção da rota. Você pode começar recordando as pessoas que passaram por sua vida – as que te fizeram o bem e as que te fizeram mal. Comece com seus amigos de infância, colegas da escola... Nesta recordação da vida podemos nos lembrar de pessoas que havíamos esquecido. Amizades que foram muito importantes em uma fase da vida e que se perderam no tempo, com as quais perdemos contato.

     Podemos identificar no modo como nos relacionamos com nossos amigos de infância semelhanças com o modo como nos relacionamos com as pessoas hoje.  Podemos experimentar gratidão e abençoar os amigos verdadeiros e todas as pessoas que nos fizeram o bem. E pela graça de Deus podemos perdoar as pessoas que nos fizeram mal – os falsos amigos, os que nos agrediram, manipularam, traíram a confiança, abandonaram, acusaram, caluniaram... Podemos orar assim: Eu as perdoo de todo o coração, e peço que o Senhor cure as feridas que ficaram destes relacionamentos. Em nome de Jesus, desato qualquer laço que me liga a essas pessoas, e peço que o Senhor as abençoe. Amém.

      O segundo passo é pedir perdão a Deus pelos pecados: Perdão, Senhor, pelos meus pecados; peço perdão por meus erros e enganos que me levaram por um caminho tortuoso. E peço perdão pelos meus erros a todas as pessoas que passaram pela minha vida ou fazem parte dela agora a quem eu fiz ou desejei o mal. Que o seu amor e misericórdia se estenda sobre todos. Amém.

     Grande sabedoria é aceitar a cura de Deus. Deixar o passado e ir para frente, rumo à meta. Viver o presente – aceitar que eu não sou mais a mesma pessoa de um ano atrás. Tomar posse da minha vida e do que Deus fez em mim, por mim e através de mim.

      Como Jesus, que viveu a maior parte da sua vida em Nazaré como o filho do carpinteiro, aceitar o chamado a viver na simplicidade, encontrando alegria nas pequenas coisas. Tomar posse do hoje. Hoje é o dia da salvação, o tempo propício em que o Senhor diz: “Estou aqui para ti salvar. Sou o teu redentor”. Acolher os sofrimentos e fracassos que a vida nos trouxe como ajuda para o despojamento e o desapego. São mestres que me ensinam o serviço desinteressado, se aprendo a lição me levam a amar e perdoar mais.

    Reconhecer que precisamos retomar o caminho, ter como projeto viver a vida, saborear a vida, prestando atenção a voz intima do Amado. Deus é amor. Ele fala no mais profundo do nosso ser: “Te amo com amor eterno. Eu te cerquei de cuidados e todo amor que você precisa está a sua disposição. Abra-se para receber o meu amor. Deixe de lado o desamor que você experimentou e tenha coragem de deixar-se amar. Não se deixe abater. Levante-se e vá, eu caminho com você todos os dias de sua vida. Renovo sua unção batismal, te dou sabedoria, graça e paz. Não tenha medo, viva no meu amor”.

Senhor, dá-me equilíbrio em meus relacionamentos. Dá-me a liberdade para amar e ser amado. Estar em comunhão contigo, ó meu Deus, é o que me faz vencer o medo e ter coragem para caminhar sobre as águas turbulentas desta vida. Amém.