E o deserto florescerá!

E o deserto florescerá!

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

ENCONTRO COM DEUS

     Mas o Senhor Deus chamou o homem e perguntou: “Onde estás?” E este respondeu: “Ouvi teus passos no jardim. Fiquei com medo porque estava nu, e me escondi”. (Gn 30-10).

    Quando medito neste texto sempre fico pensando como seria a história humana se Adão não tivesse se escondido de Deus. Se diante da pergunta ele apenas se apresentasse ao Senhor com sua realidade: “Estou aqui! Desobedeci ao Senhor, mas estou aqui com o meu pecado, porque confio em Vós”. Sim, Adão poderia dizer isso porque conhecia Deus, passeava com Ele à brisa do dia.

   O que seria a história humana se a resposta tivesse sido diferente nunca saberemos. Minha pergunta ficará sem resposta. Mas a história não para em Adão; a história continua e a pergunta continua esperando uma resposta. Hoje o Adão sou eu, é você. Hoje, o Pai nos procura e pergunta: “Onde estás?” Como Adão eu desobedeci a Deus. Minha vida é marcada por muitos e graves pecados.  Como São Paulo, reconheço que age em mim uma força que me escraviza: Não consigo entender o que eu faço, pois não faço aquilo que eu quero mas aquilo que detesto” (Rm 7,15).

    Hoje, diante de Deus que me busca com amor apaixonado, preciso dar uma resposta a sua pergunta: “Onde estás?” E eu preciso escolher. Posso dizer simplesmente: Eis-me aqui, com os meus pecados, porque confio em vossa misericórdia. Ou posso me esconder por medo ou rebeldia, por não querer mudar de vida. Sim, mudar de vida, pois se encontro o Senhor que me ama, se me apresento a Ele com minhas feridas e pecados, terei que endireitar os meus passos na direção do Senhor. É impossível contemplar a face de Deus e não mudar de vida. Fazer diferente, querer levar uma vida dupla, dizer sim a Deus e me apegar aos meus pecados seria hipocrisia. E viver na hipocrisia é como comer vidro moído, nos corrói por dentro até não restar mais nada. Nosso estado fica pior do que antes de encontrar o Senhor (Cf. Hb 6,4-6). 

A lei do espírito da vida em Cristo Jesus te libertou da lei do pecado e da morte (Rm 8,2).

    Então, quando nos apresentamos a Deus com nossos pecados dizendo “aqui estou”, revestidos não dos nossos méritos, mas do sangue de Jesus Cristo, o Pai nos vê através do Filho. E Ele se comove com entranhas de misericórdia por nossas fraquezas. O preço pago por nós é o sangue de Cristo, derramado na cruz. Nosso mérito é o sangue do Cordeiro imolado. E ao nos olhar através do Filho crucificado o Pai nos perdoa e acolhe. Mais ainda, nos dá o Espírito Santo que nos faz retornar a amizade com Deus. Podemos outra vez passear com Ele à brisa do dia. Filhos no Filho – nosso senhor Jesus Cristo.

    Senhor, ajuda-me a alcançar o que o Senhor sonhou para mim. Não quero mais levantar barreiras para sua graça. Vem Espírito Santo, inunde o meu ser. Lava o que é impuro, amoleça o que está duro, santifica-me. Faz-me voltar para “o sol da justiça que traz a cura em seus raios”. Dá-me fome e sede de Deus. Leve-me a contemplar as estrelas, alargar meus horizontes. Liberta-me do orgulho, do egoísmo e do fechamento em mim mesma. Conduze os meus passos no caminho de Jesus, para o Pai. Amém. 

domingo, 26 de julho de 2015

DEUS É BELO!

    Outro dia conversando com amigos um deles falava que nos esquecemos da beleza como atributo de Deus. Realmente. Geralmente glorificamos a Deus por sua bondade, seu poder, sua misericórdia, mas nos esquecemos de que Deus é belo. A beleza de Deus é o pano de fundo da Sagrada Escritura. Do Gênesis, narrando a beleza da criação, ao Apocalipse, descrevendo a beleza do céu. E por ser belo Ele criou e cria coisas belas. Deus é o fundamento de toda beleza – tudo o que é belo traz em si um pouco da beleza do Criador.   
        Vemos esta beleza na natureza - nas flores, nas águas, nas pedras, nos montes, nos animais, no sol, na lua, nas estrelas, no céu azul, nas nuvens, no raio e no trovão, e na terra – nossa casa azul. Vemos a beleza de Deus, sobretudo no ser humano, criado à imagem e semelhança do Criador: Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou, homem e mulher ele os criou  (Gn 1,27).
A obra prima de Deus
  No recém-nascido, no sorriso de uma criança, nos jovens, nos adultos, nos anciãos. Cada um tem sua beleza própria em cada fase da vida. E que beleza existe nos gestos de bondade, no colocar-se junto ao necessitado, no cuidado aos enfermos, na comida saborosa preparada com amor, na convivência com a família e amigos, enfim, nas pequenas coisas que fazemos, às vezes distraidamente, no dia a dia.
Tudo isto vem de Deus que é belo e nos comunica sua beleza. 
 
    Na construção de belas igrejas nossos antepassados louvavam a beleza de Deus dando a Ele o melhor que possuíam.

     Infelizmente a cultura moderna buscando a beleza em si mesma, fez dela um ídolo e se tornou escravo, pois todo ídolo escraviza. Colocou a beleza em padrões – é belo o que os formadores de opinião, as novelas, os modismos, dizem que é. Isso empobreceu a vida e nos fez perder o olhar de encantamento e saborear a beleza que enche o Universo e nos é comunicada pelo Espírito Santo: Porque o espírito do Senhor enche a terra (Sb 1,7).

     Amado, amada, um dia Deus sonhou com você e te criou belo. E sua beleza se revelará plenamente na santidade: Ele nos escolheu em Cristo antes da constituição do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele no amor (Ef 1,4). Não tenhas medo de Deus. Não tenhas medo de romper com os padrões deste mundo e viver a santidade. O inicio está na beleza de Deus e durante a vida caminhamos para o encontro com a plenitude da beleza. Para Deus.

Senhor, nosso Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. 
Nós vos pedimos, purifique nosso olhar, nossos pensamentos e sentimentos para que possamos ver a sua beleza presente em toda a criação. 
E que possamos ser mensageiros da vossa beleza no mundo. 
Pedimos, ó Pai, que em nosso coração transborde a consolação do Espírito Santo que nos revela e enche da vossa beleza. 
Que possamos, como Jesus, contemplar as aves do céu, a semente que germina na terra, as flores do campo, o pão que fermenta e cresce, a simplicidade dos pequeninos, a beleza do ser humano. 
Por Cristo nosso Senhor. 
Amém.


sábado, 13 de junho de 2015

TRANSFORMAÇÃO INTERIOR

     No passado todas essas coisas valiam muito para mim, mas agora, por causa de Cristo, considero que não tem nenhum valor. E não somente essas coisas, mas considero tudo uma completa perda, comparado com aquilo que tem muito mais valor, isto é, conhecer completamente Cristo Jesus, o meu Senhor. Eu joguei tudo fora como se fosse lixo, a fim de poder ganhar a Cristo. Fl 3,7-8


     Através desse texto vemos que S. Paulo viveu uma profunda transformação em sua vida. A transformação é uma ação da graça de Deus em nós e acontece de dentro para fora. Às vezes fazemos um grande esforço para nos converter – deixar hábitos, vícios e pecados, que nos afastam de Deus e das pessoas, nos levam à morte espiritual e emocional, faz o corpo adoecer podendo causar a morte física e, pior, a morte eterna que é o afastamento definitivo de Deus.

   Mas a transformação não depende tanto do nosso esforço. É um abandono na graça e misericórdia do Senhor, no seu amor que nos cura, perdoa e salva. E nunca é demais dizer: é o amor de Deus que nos transforma. Só um encontro com Cristo pode nos levar à transformação e regeneração do nosso ser, como aconteceu com S. Paulo.
 Podemos nos perguntar: o que precisa ser transformado em mim pela graça de Deus?
Geralmente o que mais nos atrapalha é: o amor egoísta, a mágoa profunda, e a decepção.

     O amor egoísta é difícil de identificar porque se disfarça de muitas formas. Ele se resume em amar o outro buscando um benefício próprio, ou seja, buscando satisfazer nosso egoísmo. Amo o outro não pelo que ele é, mas pelo que ele pode me dar ou satisfazer. Todo amor humano é contaminado em maior ou menor grau pelo amor egoísta.

    A mágoa profunda é uma ferida antiga, que teve tempo de se aprofundar e sobre a qual foram feitas outras feridas. Sobre ela foi criada uma casca, até parece curada, mas continua corroendo o nosso interior. Para que ela seja curada precisamos deixar Jesus retirar a casca – e isto dói! –, limpar a ferida, lavá-la com o seu sangue e curá-la.

    A decepção acontece desde o momento do nascimento. Todos nós nascemos com a expectativa ou desejo de ser aceito e amado. E ao longo da vida a expectativa e decepção caminharão juntas, nos prejudicando sempre. Como nenhum ser humano vive totalmente sem expectativas, podemos diminuí-las, mas não nos livramos inteiramente delas. Por isto precisamos apresentá-las diariamente ao Senhor para que Ele as cure e transforme em acolhimento da realidade. Foi o que aconteceu com os discípulos de Emaús: Nós esperávamos que fosse ele quem libertaria Israel; mas, com tudo isso, já faz três dias que essas coisas aconteceram! (Lc 24,21). Apresentaram sua decepção ao Senhor, escutaram sua resposta e foram curados. Sua tristeza se transformou em alegria (Lc 24,32-33).

    Para sermos transformados precisamos retornar ao Senhor, abrir o coração para Ele, caminhando num processo de conversão. A Palavra de Deus tem o poder de nos curar e transformar.
Oremos com ela:

O Senhor Deus diz:
Vou curar o meu povo da sua infidelidade
e vou amá-los com todo o meu coração,
pois não estou mais irado com eles.
Serei como a chuva para Israel,
e ele dará flores, como os lírios.
As suas raízes serão profundas como as das árvores do Líbano.
Os seus galhos se estenderão, bonitos como os galhos das oliveiras
e perfumosos como os cedros do Líbano.
Mais uma vez, Israel viverá debaixo da minha proteção;
eles crescerão como o trigo, darão frutas como a parreira
e serão famosos como o vinho do Líbano.
O povo de Israel dirá: os ídolos não valem nada!
Sou eu, o Senhor Deus, que atendo as orações do meu povo;
sou eu que tomo conta deles.
Como um pinheiro verde eu lhes dou abrigo,
e de mim eles recebem todas as bênçãos.

Oséias 14,5-9

domingo, 31 de maio de 2015

NÃO ESTAMOS SOZINHOS

    Quem me enviou esta comigo. Não me deixou sozinho, pois faço sempre o que é do seu agrado (Jo 8,29).
   
         Está é a boa notícia que rompe a solidão do coração: O Senhor está comigo, está conosco. No atendimento de oração vemos que cada dia mais as pessoas estão solitárias. Busca o amor, busca quem a compreenda, mas não encontra. Se hoje você não está sozinho já esteve em algum tempo de sua vida ou estará. Há também aqueles que se sentem sozinhos mesmo não vivendo sós. Muitas vezes para fugirmos da solidão cometemos desatinos – podemos até atentar contra a própria vida com atitudes de risco ou colocar em risco a vida dos outros.

       Amados, na realidade que vivemos hoje essa palavra é um bálsamo para o coração ferido: Quem me enviou para a vida, quem me criou está comigo, não me deixou só nos momentos mais difíceis e dolorosos da vida, e não me deixará só em nenhum momento.

      Mas para experimentarmos a presença amorosa de Deus precisamos abrir o coração para fazermos o que é do seu agrado. Renunciar ao apego à própria vontade e desejar fazer a vontade de Deus que nos ama com amor eterno e definitivo: Eu te amei com um amor eterno, por isso conservei amor por ti (Jr 31,3). O Senhor busca quem deseja fazer a vontade dele não por obrigação ou medo, mas por entrega de amor.

      O amor de Deus é o único capaz de preencher o vazio do meu coração, o único que está comigo desde sempre e para sempre. Só em Deus encontro a plenitude do amor que desejo, porque Ele é o único que me ama com amor incondicional. Deus me ama com amor de Mãe: amor que gera vida, amor fecundo, que sacia, acolhe, acalenta. Deus me ama com amor de Pai: amor que confirma, que sustenta, amor que envia e diz: “Você pode, Eu te capacito”. Deus me ama com amor de Esposo: Amor de unidade, de comunhão; amor que me leva a assumir um projeto juntos, um compromisso com o Reino de Deus. Amor apaixonado que me convida a segui-Lo e dar minha vida por Ele, meu sumo bem. Deus Pai, Filho, Espírito Santo. Trindade Santa que adoro. Meu Senhor e meu Deus.

      Como Filho de Deus, Jesus tinha a plena confiança na presença amorosa do Pai no Espírito que nunca o deixou só. Ele nos convida a seguirmos os seus passos a fazermos a experiência do Amor que é a resposta para nossa vida.

Senhor, eu preciso de vós como do ar que respiro. 
Como viver longe da tua face? 
Tua presença é vida para mim, se a retiras volto ao pó. 
Um minuto na tua presença vale mais que anos longe de vós. 
O Senhor me sustenta com seu amor e misericórdia. 
Por isto eu peço: Vem, Espírito Santo! 
Vem, Senhor que dá a vida, doce hospede da alma, vem fazer morada em mim. 
Vem preencher o vazio do meu coração com o amor do Pai. 
Vem me curar e dar uma vida nova em Cristo Jesus. 
Amém. 

segunda-feira, 11 de maio de 2015

O SENHOR É REI!

    Dizei entre as nações: O Senhor é Rei! Assim o mundo está firme sem jamais vacilar; Ele julga os povos com retidão. Sl 96(95),10

     Quando olhamos ao nosso redor o coração se sobressalta, a mente fica inquieta. O mundo, a sociedade em que vivemos não está nada firme, muito pelo contrário, parece ter tomado um rumo estranho, esquisito, que não sabemos onde vai dar e por isto sentimos medo e insegurança.
      
    Nesse contexto ouvimos a palavra de Deus: “O Senhor é Rei!”. Quando edificamos nossa vida na Rocha que é Jesus Cristo, permanecemos firmes. Mesmo que o mundo pareça desmoronar, o mundo criado por Deus, o mundo daqueles que vivem a fé, permanece firme. Está firme porque nossa segurança não está nas coisas deste mundo, nosso olhar vai além... Nosso olhar percebe as coisas boas do mundo – a bondade, a beleza, a presença do Espírito Santo que enche a terra (Sb 1,7). Percebemos a ordem do Universo, a beleza da criação, a dignidade do ser humano.

Pensando nessas coisas recordo do diálogo sobre o ser humano entre Aslam e o rei Caspian no livro “As Crônicas de Nárnia” de C. S. Lewis:
“- Compreendo, Senhor. Estava pensando que gostaria de ter tido uma ascendência mais honrosa.
- Descende de Adão e Eva – tornou Aslam. É honra suficientemente grande para que o mendigo mais miserável possa andar de cabeça erguida, e também vergonha suficientemente grande para fazer vergar os ombros do maior imperador da Terra. Dê-se assim por satisfeito.”

    Desta realidade nenhum ser humano escapa: honra e vergonha. Honra, pois assim fomos criados por Deus: Tu o fizeste um pouco inferior a um ser divino, tu o coroaste de glória e honra (Sl 8,6). Vergonha, quando vemos o que somos capazes de fazer. Pelo pecado rompemos a imagem e semelhança de Deus como fomos criados – rompemos a amizade com Deus. 

   Só descobrimos a real beleza do ser humano olhando para Jesus Cristo. Ele assumiu nossa natureza, se fez igual a nós em tudo, menos no pecado (Hb 4,15). Viveu nossa vida, morreu nossa morte, por amor, para nos libertar do pecado, da morte eterna: A este Jesus Deus ressuscitou, e disso nós somos testemunhas (At 2,32). Ele vive para sempre. Verdadeiro Deus, verdadeiro Homem. Ele é nossa segurança.

Senhor Jesus, Rei Salvador! 
Liberta-nos da angústia e do medo das forças maléficas que agem no mundo. 
Dá-nos a graça de firmar nossos pés na Rocha que é o Senhor. 
Dá-nos a paz e alegria do amor do Pai, e a consolação e força do Espírito Santo. 
Restaura a dignidade humana que perdemos pelo o pecado. 
Ajuda-nos, Senhor, a fazer o bem que o Senhor nos permite fazer hoje, sem nos angustiarmos com o que está além das nossas forças. 
Amém

Disse-vos estas coisas para que minha alegria esteja convosco, e vossa alegria seja completa. Jo 15,11

domingo, 3 de maio de 2015

VIDA NOVA

   
     Na natureza vemos a primavera como um tempo de renovação de todas as coisas. O tempo pascal é como a primavera na Liturgia da Igreja. É o tempo propício para recordarmos a vida e a fé dos primeiros cristãos através da leitura dos Atos e das Cartas dos Apóstolos – nesse tempo não fazemos leitura do Antigo Testamento. A Igreja nos convida a vivermos a ressurreição de Jesus Cristo como os primeiros cristãos. Olhamos para o passado: o Senhor ressuscitou! Vamos em direção ao futuro: o Senhor virá! Vivemos esta dinâmica na liturgia e na vida, pois na vida precisamos olhar para o passado e permitir que o Senhor cure nossas feridas, para construirmos o futuro.

 O que ensinavam e anunciavam os apóstolos e discípulos de Jesus no início da Igreja?

     Eles tinham um objetivo claro: para ser cristãos e viver a vida nova em Cristo, é preciso ter um encontro pessoal com o Senhor. E a pregação deles levava as pessoas a experimentarem isso de tal forma que seus corações ficavam tocados: Ao ouvirem isto, sentiram-se tocados no íntimo do coração e perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos: “Irmãos, o que devemos fazer?” (At 2,37).

Os passos da pregação dos primeiros cristãos:

     “Deus é amor”. Criou-nos por amor e sustenta nossa vida no amor. Vivemos porque Deus nos ama. Deus te ama e por isto te criou único, irrepetível! Nunca existiu, não existe e não existirá alguém como você: Ele nos escolheu em Cristo antes da constituição do mundo para sermos santos e irrepreensíveis diante dele no amor (Ef 1,4).
No seu amor e misericórdia o Senhor perdoou nossos pecados e nos deu um Salvador, Jesus Cristo. Se vivermos o senhorio de Jesus somos salvos: Para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho da quantos há no céu, na terra, nos abismos, e toda língua proclame, para glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é o Senhor (Fl 2,10-11).
Por sua graça nos convertemos e vivemos a fé, recebemos o dom do Espírito Santo: Quem guarda seus mandamentos permanece em Deus, e Deus nele. Pelo Espírito que nos deu, sabemos que ele permanece em nós (1Jo 3,23-24).

    O Senhor nos dá uma vida nova que se sustenta na vivência comunitária. O projeto de Jesus é o Reino de Deus vivido em comunidade. Ele formou comunidade com os apóstolos e discípulos. Ele os enviou dois a dois, e depois da ressurreição pediu que eles permanecessem juntos: Eu vos mandarei aquele que meu Pai prometeu. Por isso, permanecei na cidade até que sejais revestidos da força do alto (Lc 24,49). A promessa se cumpriu quando estavam reunidos em oração: Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar (At 2,1). E os primeiros cristãos viveram conforme a orientação do Senhor: Barnabé deu testemunho sobre Saulo e o introduziu na comunidade (At 9,27). A fé cristã se propaga pelo testemunho.

     O encontro com Jesus ressuscitado é que nos purifica dos nossos pecados, nos faz experimentar o amor do Pai, na força do Espírito Santo, para viver uma vida nova em comunidade.

       Senhor, quero experimentar plenamente toda a graça do Batismo. Quero viver no amor do Pai, na alegria da salvação em Jesus, na consolação e força do Espírito Santo. Derruba em meu coração o muro da divisão que me afasta do Senhor e dos irmãos. Dá-me a graça do amor fraterno e a alegria de viver em comunidade. Amém.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

REFUGIO EM DEUS

Empurraram-me violentamente, para eu cair, mas o Senhor me ajudou. O Senhor, que é minha força e meu vigor, ele foi minha salvação (Sl 118(117),13-14).
   
  Este salmo é uma solene ação de graças ao Senhor, por sua ação na vida de quem a Ele se confia. Um salmo próprio para o tempo pascal – como Deus ressuscitou Jesus levantando-O do sepulcro, assim Ele nos levanta nas tentações e tribulações da vida. O mundo, a carne e o maligno sempre nos empurram, quer ver nossa queda, mas o Senhor, Deus conosco, nos sustenta, nos faz crescer e nos levanta, firmados na rocha da salvação: Jesus Cristo.

     Como o mundo, a carne e o maligno podem nos empurrar? Vejamos o que a Palavra de Deus nos diz: Não ameis o mundo nem o que há no mundo. Pois tudo o que há no mundo – os maus desejos da carne, a cobiça dos olhos e o orgulho da riqueza – não vem do Pai, mas do mundo (1Jo 2,15-16). Ficamos vulneráveis quando nos deixamos prender no apego às coisas do mundo.

    Os maus desejos da carne nos atacam na área afetiva e sentimental. Os desejos desordenados do coração, a luxúria, os apegos, o egocentrismo, querer realizar o meu projeto de vida sem prestar atenção a Deus e ao outro.   A cobiça dos olhos - o que entra pelos olhos é o que mais nos atinge, se fixa na memória e faz morada nos pensamentos e sentimentos, mudando nossa mentalidade. A cobiça dos olhos é permitir que faça morada em nós tudo o que entra pelos olhos: pornografia, violência, maldades... cobiçar o que o outro possui, passar por cima dos outros para se apoderar do que desejamos. O orgulho da riqueza se faz presente em toda espécie de dominação sobre o outro, o desejo de poder sem medida, o apego aos bens materiais, a manipulação, a corrupção.

     Além disso, somos também empurrados pelas feridas da vida – causadas pelos traumas dos acontecimentos dolorosos da vida, e o que fizeram conosco, especialmente os mais próximos. Pois quanto mais próximo estiver quem nos fere mais seremos feridos. O salmo nos confirma isso quando diz: Não é um inimigo que me insulta: eu o suportaria; não é um adversário que se levanta contra mim; eu me esconderia dele; mas és tu, homem de minha condição, meu amigo e confidente (Sl 55(54), 13-14).

    Mas em todas as situações encontramos refúgio no Senhor, Ele nos acolhe e protege porque nos ama. Para sermos curados precisamos nos deixar amar por Deus e experimentar a sua misericórdia. É na cruz de Jesus, sob o seu sangue, no poder de sua ressurreição, na força do Espírito Santo, que vencemos o mal e permanecemos de pé. O Senhor Jesus é o nosso redentor.

Vinde Espírito Santo. Senhor que dá a vida. Muitas vezes corremos o risco de cair no pecado, no desânimo, tristeza, medo, angústia, e tantas outras coisas que nos empurram... Vinde Espírito Santo nos socorrer com vossa força e poder. Sede nosso sustento e abrigo nos dias maus; nas lutas internas e externas. Livrai-nos do inimigo e do opressor, solta nossos pés das ciladas. Vinde, santo Espírito de Deus. Vinde.