E o deserto florescerá!

E o deserto florescerá!

domingo, 21 de abril de 2013

NAS MÃOS DO SENHOR



“O Pai ama o Filho e lhe pôs todas as coisas na mão” (Jo 3,35).

Deus nos fala de forma muito clara que estamos nas mãos de Jesus, pertencemos à Ele pelo batismo e recebemos dele a cura, libertação e perdão. O Pai, por amor, colocou toda a criação nas mãos do Filho, de forma especial o ser humano imagem e semelhança dele. Isto quer dizer: me pôs, te pôs, nas mão amorosas de Jesus, “que me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20). Vamos fazer uma experiência do amor de Deus? Leia o texto de forma pessoal.

O Pai me gerou no útero de minha mãe; durante nove meses teceu o meu ser, formou o meu corpo, protegeu minha vida, trouxe-me à luz, e eu nasci:
“Pois tu plasmastes meus rins,
 tu me tecestes no seio de minha mãe. 
Graças te dou pela maneira espantosa 
como fui feito tão maravilhosamente. 
Maravilhosas são tuas obras; 
sim, eu bem o reconheço. 
Meus ossos não te eram encobertos, 
quando fui formado ocultamente 
e tecido nas profundezas da terra. 
Teus olhos viam meu embrião, 
e em teu livro foram registrados 
todos os dias prefixados,
antes que um só deles existisse” (Sl 139(138), 13-16).
Quando nasci – não importa quem me pegou, se uma parteira ou um médico, nem se as mãos que me pegaram foram carinhosas ou rudes – o Pai me pegou, no momento mesmo do nascimento, nua, ainda com sangue no corpo, me pôs nas mãos do Filho e nas mãos  amorosas de Jesus eu respirei pela primeira vez e chorei entrando na vida. Naquele momento toda minha vida estava diante dos olhos de Jesus e Ele fez aliança comigo. Esta aliança quer dizer: Ele caminha comigo, sua presença é constante, me defende do mal e me conduz para a vontade do Pai. A minha parte da aliança é me deixar amar e conduzir por Ele, renunciando ao maligno, ao pecado e a tudo que me afasta do seu amor.

Posso experimentar ainda hoje as mãos chagadas de Jesus, seguras e amorosas me amparando, pois, realmente Ele me amparou durante toda a minha vida e muitas vezes me retirou da morte. E quando chegar o momento da minha morte não terei medo pois as mesmas mãos amorosas estarão me segurando e me devolvendo ao Pai - voltando ao seio da Santíssima Trindade.

Obrigada Senhor, por suas mãos que me amparam, 
nelas eu estou em segurança. 
Com amor e gentileza o Senhor me segura; 
seu toque é suave e amoroso e me cura do desamor, 
desamparo e toques abusivos que experimentei na vida. 
Jesus, Filho amado do Pai, que manifesta para mim o amor do Deus Santo, 
e nesse amor o Senhor me envia e re-envia para a vida, 
para viver plenamente a vida no amor do Pai. 
Obrigada, Senhor, pela vida e pelo amor. 
Amém.

domingo, 7 de abril de 2013

DEUS CUIDA DE VOCÊ



“Ele não deixará que teus pés vacilem; não cochila nem dorme aquele que te guarda” (Sl 121(120),3).

     
     Na realidade do mundo de hoje, com tantas más notícias, é fácil ficarmos inseguros e com medo. Precisamos ouvir a voz do Senhor que nos convida: “Entra no teu quarto, fecha a porta e reza ao teu Pai que está no oculto. E o Pai, que vê no oculto te dará a recompensa” (Mt 6,6). Jesus nos convida a, no meio da turbulência do mundo, nos retirarmos, aquietar o coração e ouvir a voz de Deus que é nossa única segurança na vida. O Pai quer nos tomar no colo como criança pequena, nos acalentar, nos consolar, nos animar, dar força e coragem para caminharmos em direção a uma vida mais plena que só Ele pode nos dar.     

        Mas às vezes parece que achamos mais difícil viver como um ser humano saudável, obediente à Deus, do que continuar com nossos desequilibrios – parece que nos acostumamos com uma vida medíocre e por isto temos dificuldade em colocar Jesus como o centro da vida. E há dias em que ficamos mais vulneráveis à voz daquele que nos seduz com o poder: “Sereis como deuses” (Gn 3,5). Nesses dias precisamos desmascarar o tentador. E quanto mais nos aproximarmos de Deus, como discípulos de Jesus Mestre, mais encontraremos a segurança que procuramos.

         Muitas vezes me deparo com esta realidade: como é difícil deixar o Senhor conduzir de fato a minha vida. Tenho tantas idéias, opiniões, projetos, idéia formada de como deve ser as coisas em minha vida... Percebo as pegadas do Senhor nos acontecimentos e em meu coração, mas muitas vezes luto com o desejo, melhor dizendo, a pretenção de controlar os acontecimentos e acomoda-los aos meus esquemas. “Ilusão, pura ilusão! Tudo é ilusão!” (Ecl 1,2).

         Mas, por graça, experimento que entregando minha vida a Deus e permitindo que o Espírito Santo me conduza, Ele fecha as portas da minha alma e olha se não ficou nenhuma fresta que me torne vulnerável à ação do mal, e por onde pode entrar o frio da noite ou o sol escaldante do dia. E onde chega a água viva do Espírito Santo há vida e alegria. Basta imaginarmos uma terra seca, sem chuva: as plantas morrem, os animais definham e a paisagem se torna desoladora, marrom. Assim como a chuva em terra seca o Espírito Santo traz vida e alegria espiritual, transforma, modifica, ordena tudo em nossa vida.

        Colocar Jesus como o centro da minha vida é a liberdade da graça, o vinho novo, a vida no Espírito. Desejamos a liberdade, mas somos sempre tentados a cair na escravidão. E às vezes a escravidão se apresenta com a aparencia de liberdade. Preciso vigiar e orar para não cair na tentação da escravidão e optar pela verdadeira liberdade, pois: “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou!” (Gl 5,1).

Vamos orar:


Meu Senhor e Pai, 
quero estar em seu colo como uma criança que está com sono e busca refúgio no colo do pai para adormecer em segurança. Senhor o anoitecer torna presente o medo da noite, da escuridão, os pavores noturnos, sonhos e pesadelos, enfim, o medo da morte. Em seu colo, meu Pai, sou envolvida pela segurança do seu amor que me dá a certeza de que, sejam quais forem os temores noturnos e as dificuldades da vida, os seus braços me amparam e dão segurança. Amém

quinta-feira, 14 de março de 2013

FONTE DA ALEGRIA


“Disse-vos estas coisas para que minha alegria esteja convosco, e vossa alegria seja completa”  (Jo 15,11).

O que Jesus nos disse que faz nossa alegria ser completa? Para compreender melhor  o que ele nos fala leia Jo 15,1-17.

Aqui cabe uma pergunta ou duas perguntas:
O que você gosta de fazer? O que faz você se sentir realizado, feliz? 

     Pode ser estar com a família e os amigos, a realização profissional, animais de estimação, viajar... pense um pouco no que te faz feliz. Tome consciência do que te faz feliz e reflita: há quanto tempo você não faz algo que te traz felicidade ou tem feito as coisas rotineiras da vida sem perceber a alegria contida nelas. Quando ficamos muito tempo sem fazer o que nos faz feliz ficamos frustrados e nossa alma reclama.

       Mas há uma alegria e felicidade maior do que todas que possamos viver. Melhor dizendo, há Alguém que é a verdadeira fonte da alegria. Alegria que vai muito além da felicidade passageira de tudo que gostamos, mas a alegria que se torna um estado de felicidade mesmo em meio as dores, contradições e tribulações desta vida.

       No meu coração - no seu coração - há um espaço, um templo interior, onde mora Alguém que me ama e me chama para estar com ele. E a sua voz é suave, mas se prestarmos atenção ela se torna mais forte que todas as outras vozes. Alguém de quem, mesmo sem ter consciência, sinto uma saudade imensa, uma falta absoluta... Alguém cuja voz está sempre a me chamar: “Vem”. Quando ouço sua voz preciso ficar só para estar com ele e mergulhar no seu amor. Nele tudo se desfaz, todas as dores são curadas, o mal é afastado, os questionamentos são respondidos ou se calam diante do absoluto...

Assim estamos no Coração de Jesus
    Mas, mesmo sabendo que Ele é a fonte da alegria, muitas vezes resistimos ao seu chamado e preferimos ficar na agitação e ansiedade do mundo, no corre corre diário. Que contradição! Querer comer migalhas quando temos um banquete... Mas o amor dele é mais forte, com paciência ele está sempre chamando, sua voz é imperiosa apesar de as vezes ser apenas um sussurro.

Oremos juntos:

   Jesus, amado Senhor, Deus da vida, Fonte da alegria verdadeira... quero tirar as sandálias dos meus pés para estar na tua presença. Encontrar-te, Deus verdadeiro, é a fonte da  vida. Senhor, eu nasci para te amar, e servir por tua causa. Não quero mais resistir ao seu amor; eu me abandono com confiança filial ao teu amor. Quero ser transfigurada no teu Espírito e no amor do Pai. Amém.

terça-feira, 5 de março de 2013

CHAMADO À SIMPLICIDADE



“Derrotei todos os inimigos, e agora te declaro que o Senhor vai construir-te uma casa” (1Cr 17,10).

          O rei Davi tinha o coração agradecido por tudo que o Senhor lhe fez. Reconhecia que seu reinado e seu poder vieram de Deus, era uma graça, e por gratidão ele desejou construir um templo, uma casa para Deus. Mas Deus lhe responde que é Ele quem construirá uma casa para Davi, não uma casa material, mas uma dinastia que niguém poderá derrubar pois um de seus descendentes será o próprio Messias esperado, o Filho de Deus, o Cristo Senhor, que virá salvar não só o povo de Israel mas a humanidade. Assim Deus faz uma promessa a Davi, promessa que é recordada pelo anjo Gabriel  na Anunciação do Senhor quando ele diz a Maria que seu Filho receberá o trono de Davi e seu reinado não terá fim (Lc 1,32).

        Como Davi, nós, por gratidão ao Senhor por tantas graças rebidas, muitas vezes queremos fazer coisas extraórdinárias, grandes sacrifícios, grandes mudanças na vida. Pode ser sair do lugar onde vivemos e ir em missão a um lugar remoto, ou dar todos os bens aos pobres, etc,etc... Mas para a maioria de nós Deus não pede essas coisas. Como a Davi ele deseja construir para nós uma casa, restaurar nossa vida e família. Pois muitas vezes o desejo de fazer coisas extraordinárias não vem de Deus, mas do espírito do mundo e da carne.

        Para alinhar nosso coração com o desejo de Deus é preciso escutá-lo, ouvir dele o modo como Ele quer que o sirvamos. As vezes queremos fazer grandes coisas, mas o Senhor nos pede para fazer coisas pequenas; queremos viver grandes realizações, mas o Senhor nos pede apenas simplicidade. Assumir a simplicidade da minha origem familiar, do lugar onde moro, da vivência da fé em uma simples comunidade paroquial. Assumir a simplicidade da vida e ter consciência de quem somos, como nos fala S. Paulo:

“Irmãos, olhai para vós que fostes chamados por Deus: não há muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos nobres. Antes, o que o mundo acha loucura, Deus o escolheu para confundir os fortes; e o vil e desprezível aos olhos do mundo, o que não é nada, Deus o escolheu para destruir o que é, para que nenhum mortal se orgulhe diante de Deus”  (1Cor 1,26-29).

Senhor Jesus, transforme o meu coração;
faça-o cada vez mais obediente a vós. 
Senhor, dá-me sabedoria e discernimento para compreender a vossa vontade e um coração dócil para te obedecer com alegria. 
Maria, mãe dos cristãos, ajuda-me a ser discípula missionária de vosso Filho na simplicidade da minha vida. 
Amém.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

PASSADO E PRESENTE



“Não recordeis os acontecimentos de outrora nem presteis atenção aos eventos do passado. Eis que faço uma coisa nova! Já está despontando, não o percebeis? Sim, abro uma estrada no deserto, faço correr rios em terra árida”  (Is 43,18-19).

     No mundo de hoje muitas vezes nos sentimos no deserto, solitários, sem socorro ou esperança. Tantas coisas nos agridem... somos bombardeados por todos os lados: o medo, a insegurança, as más notícias sobre o clima, a corrupção, as mortes violentas de tantas pessoas e especialmente dos jovens, a falta de emprego... e por aí vai... Em um mundo assim é fácil perder a perspectiva da vida, perder os sonhos e viver no imediatismo.

      Dentro de nós carregamos os fardos e traumas do passado – o que a vida nos trouxe, o que as pessoas nos fizeram – e as feridas e fardos dos pecados, dos erros cometidos. Em tal situação sentimos murchar a esperança e a alegria da salvação. Talvez você não se sinta assim, mas a maior parte da humanidade vive dessa forma. E o que aflige a família humana de alguma forma nos afeta. É neste contexto que podemos ler a palavra de Deus.

      O Senhor vem nos buscar como o Bom Pastor busca a ovelha perdida. Ele procura por nós sem se importar em qual buraco nos metemos. Vem ao nosso encontro para fazer uma coisa nova – cuidar do abandonado, saciar os que tem sede e fome, libertar os cativos de toda forma de escravidão, nos curar profundamente.

       Muitas pessoas vivem no passado e permitem que o passado determine o seu presente e futuro. Vamos imaginar a nossa vida como uma balança de dois pratos. Em um dos pratos coloque o seu presente e no outro o seu passado. Agora veja: qual prato tem o peso maior? As vezes o volume do presente é maior, mas, embora tendo um volume menor, o peso do passado é maior. Jesus nos convida a tomar posse do presente, do novo que ele faz em nossa vida, e deixar o passado. Para isto eu preciso reconhecer que preciso de cura. Preciso de cura, Jesus! Vem me curar, Senhor.
A palavra de Deus nos dá o remédio: “Senhor, tem piedade de mim, cura-me, pois pequei contra ti” (Sl (40(41),5).

       O perdão de Deus é a cura. Muitas vezes pecamos porque somos doentes. O Senhor nos perdoa e nos cura profundamente para que não voltemos a pecar. Todos nós necessitamos dessa cura divina. Só o Senhor cura as feridas do passado e nos dá o Espírito Santo, unção e selo de Deus em nossos corações: “Aquele que nos mantém firmes convosco em Cristo e que nos deu a unção, é Deus. Foi ele também que nos marcou com seu selo e colocou em nossos corações, como um primeiro sinal, o Espírito” (2Cor 1,21-22).

Oremos juntos:

Senhor Jesus, perdoa os meus pecados e cura as minhas feridas; cura especialmente as feridas do passado que até hoje estão abertas. 
Liberta-me, Senhor, das cobranças que faço da vida e das pessoas quando penso que alguém  me deve algo ou que não me foi dado o que eu tinha direito. 
Cura- me e liberta-me, Senhor, do desejo louco de que as coisas fossem diferentes - desejo louco porque não tenho o poder para mudar nada em meu passado. 
Creio, Senhor, que fiz o melhor que eu podia fazer no momento, o resto está na sua misericórdia, e eu confio na sua misericórdia, meu Senhor e meu Deus.  
Amém.

domingo, 27 de janeiro de 2013

A ÁRVORE DA ESPERANÇA



“A esperança é para nós uma âncora da alma, firme e sólida, que penetra além do véu, no santuário onde Jesus entrou por nós como precursor,...”  (Hb 6,19-20).

       A âncora é que faz o navio ficar ancorado, firme. A Palavra de Deus nos fala que a esperança é esta âncora na vida, nos faz ficar firmes, permanecer... Mas quem não mora no litoral geralmente nunca viu uma âncora ou um navio ancorado, só a conhece por imagem numa foto ou na TV. Pensando em você que nunca viu uma âncora e não se deu conta da função dela, eu quero trazer uma outra imagem da esperança: uma árvore, pois, todos nós conhecemos uma árvore.

      Refletindo sobre a esperança podemos nos perguntar: Eu tenho esperança? Qual é a minha esperança? Em que tenho esperança? Responder a estas perguntas é necessário porque as vezes temos uma esperança ilusória, a esperança de que isto ou aquilo se realize e colocamos nisto todo nosso empenho, nossas forças, nossa vida. É uma esperança ilusória porque pomos nossa âncora em coisas que podem ou não acontecer. E quando não acontece ficamos frustrados, nos damos conta de que ancoramos o barco da vida num banco de areia.

        A Palavra de Deus nos fala da esperança verdadeira, firme e sólida que penetra o céu e nos faz viver, já nesta vida, o Reino de Deus. Ela é como uma árvore frondosa que aponta para o céu, para a eternidade, para Deus, e quando olhamos para o seu topo vemos o azul do céu. Suas raízes estão firmemente fincadas na terra, mas ela sobe até o santuário, o céu. Que esperança é esta? A esperança concreta da salvação. A esperança de que após a morte estarei no céu contemplando a Deus face a face.

       Eu posso me ver subindo por essa árvore, você pode se ver subindo por esta árvore. Há dias em que fico cansada – é assim também com você? As dores, as feridas do corpo e da alma me abatem e eu até paro de subir, mas meus olhos continuam fixos no topo da árvore. Meu corpo e minha mente fazem uma pausa, mas meu coração sobe... O tronco desta árvore é a verdadeira esperança. Todas as outras esperanças – ter saúde, casar-se, ter filhos, ter um emprego melhor, comprar uma casa, um carro, etc – são galhos desta árvore. Podem até ser cortados, os sonhos podem não se realizar, mas a árvore da esperança continua a crescer firme e forte.

      Vivendo na esperança somos herdeiros das promessas de Deus. Desde a criação do mundo, passando pelo tempo dos patriarcas e profetas, Deus fez muitas promessas e as cumpriu. Sua maior promessa foi nos dar o seu Espírito nos adotando como filhos em Cristo Jesus. E de todas as promessas de vida e salvação que Jesus nos fez podemos ficar com esta: “Se alguém me ama, guarda minha palavra; meu Pai o amará, viremos a ele e nele faremos morada” (Jo 14,23).

Jesus, meu Senhor,
eu renuncio a todo apego a esperanças ilusórias para ti seguir e estar no centro da tua vontade. Dá-me a graça, Senhor, de prosseguir na esperança com os olhos fixos no céu e os pés firmes na terra, sem me cansar de fazer o bem. Desejo, Senhor, te seguir com o mesmo empenho “até que se realize finalmente a esperança”.
Amém

domingo, 20 de janeiro de 2013

O SEMEADOR



“O semeador saiu a semear” (Mt 13,3).

       Depois de muitos dias de calor sob o sol intenso de verão, chegou a chuva... A chuva  nos faz recordar que Deus fecunda a terra, a torna fértil para nos dar o alimento necessário.

        E a terra boa agradece por estar sendo arada, preparada para o plantio. O semeador tira dela as pedras e os tocos para que nada atrapalhe a germinação da semente e o crescimento da planta. Na terra molhada pela chuva há um fermento de vida, uma força vital em suas entranhas. Fecundidade. O semeador se alegra ao ver a qualidade da terra: é uma terra generosa, há nela uma possibilidade de vida que precisa ser trabalhada e semeada. Acontece, então, uma parceria entre o semeador e a terra. Ele joga a semente, a terra a acolhe em seu seio e permite que ela germine, cresça e dê muitos frutos.

        Jesus é o divino semeador que ara a terra da nossa vida preparando o solo do nosso  coração para jogar a semente da sua Palavra. Um dia o Senhor passou por você, te olhou e viu as possibilidades escondidas no seu coração, acreditou em você quando você mesmo não acreditava. E aos poucos vai tirando as pedras, regando com a chuva do seu Amor, desfazendo com as mãos os torrões mais duros que foram sendo formados no seu coração pelas feridas da vida. Ele teve e tem paciência, semeando as vezes por muitos anos esperando que a terra ficasse fecunda. E, no seu amor incansável, não desiste de você mesmo quando você já havia desistido.

       E quando o seu coração se abre como uma terra fecunda, Deus se alegra e te enche de alegria. As vezes, por causa dos acontecimentos da vida, pelos abandonos, rejeição, desamor, fracassos, perdas, ... o coração ficou endurecido pelos sofrimentos como uma terra seca e fica difícil acreditar na alegria de Deus pela nossa vida. Mas, acredite, Deus se alegra imensamente pela sua vida. E se empenha em te arrancar do medo, tristeza, angústia,... e te trazer para a alegria do seu Amor. Por isto não tenhas medo de viver com alegria, pois, “como o noivo se alegra com a noiva, teu Deus se alegra contigo” (Is 62, 5).

Apresentemo-nos com confiança ao Senhor.

           Senhor Jesus, te apresento a terra do meu coração. As vezes eu a vejo seca e pedregosa onde o amor não pode crescer. Outras vezes ela está como um caminho onde todos passam, invadem o meu templo interior e mata a plantinha que germinou. E as vezes, Senhor, as preocupações e as seduções do mundo são tão fortes que a minha mente não se aquieta; parece que vem um bando de melros fazendo algazarra e arranca tudo o que foi plantado.
Ó Divino Semeador, transforme a terra do meu coração! Torne-a uma terra fértil! Dá-me um coração aberto, fecundo pela água viva do seu Espírito. Arranque, com sua mãos chagadas, as raizes profundas dos pecados e das feridas de minha alma. Cura-me Senhor, para que eu possa dar frutos em abundância. Amém.