E o deserto florescerá!

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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

VIDA E MORTE


“Deixa que os mortos enterrem os seus mortos;” (Lc 9,60).
      

    Constantemente experimentamos estas forças contrárias dentro de nós: vida e morte; luz e trevas; esperança e desespero; alegria e tristeza. Temos sempre diante de nós dois caminhos (cf. Sl 1), e a cada dia, até mesmo a cada momento precisamos escolher. Em que consiste esta luta? No discernimento e sabedoria que nos faz escolher a vida, a luz, a esperança, a alegria. Discernimento e sabedoria que são dons do Espírito Santo.

      Vida e morte. Recebemos o dom da vida como um presente de Deus – a vida vem de Deus e está em nós, mas não nos pertence. Junto com a força vital que recebemos quando fomos concebidos pode ter vindo a força da morte se, por exemplo, fomos gerados, nascemos e vivemos nossos primeiros anos de vida num tempo em que houve mortes na família. Esta força da morte pode ser a raiz da tendência à melancolia, tristeza e depressão presente em nós.

      Luz e trevas. Em outros casos quando fomos gerados nossos pais podem ter colocado uma expectativa exagerada sobre nós. Expectativas do tipo: “esta filha, este filho, será minha alegria e consolo; virá para preencher minha solidão e o vazio do meu coração, etc”. Se houve antes um aborto esta expectativa tem ainda mais força, pois a criança concebida carrega muitas vezes a responsabilidade de viver a vida da irmã ou irmão que morreu. A força das trevas podem se cristalizar em nós e se manifestar como autossuficiência, orgulho, perfeccionismo, obsessão, etc. Esta situação impede a vivencia plena do senhorio de Jesus, pois só deixo a luz do Senhor iluminar a superfície, mas o meu ser profundo é como um iceberg com sua maior parte na escuridão, onde eu reino, onde não permito que a luz do Senhor entre e me converta.

    Esperança e desespero. A esperança vem do amor de Deus: “E a esperança não engana, pois o amor de Deus se derramou em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi dado” (Rm 5,5). Mas quando vivemos ligados à tudo de mal que acontece no mundo, as vãs preocupações podem nos levar ao desespero. Isto é uma ilusão, pois não podemos dar conta de tudo o que acontece no mundo! O desespero não nos deixa ver a bondade e o amor presente nas pessoas e no mundo. Temos esperança porque o Senhor está no meio de nós, caminha conosco, mesmo se, como aconteceu com os discípulos de Emaús, não o reconhecemos na maior parte do caminho.

     Alegria e tristeza. A alegria é fruto do Espírito Santo. Sua fonte é como uma nascente de água que brota do solo ressequido do nosso coração, na aridez da nossa vida. Às vezes não nos damos conta de como a tristeza nos faz mal – se a ela nos entregamos se torna um câncer em nossa alma. Na tradição monástica antiga a tristeza é vista como o oitavo pecado capital. Vejamos o que nos diz o livro do Eclesiástico: “Não entregues tua vida à tristeza nem te atormentes com tuas reflexões. A alegria do coração é a vida da pessoa, e o contentamento lhe multiplica os dias. Distrai-te, consola teu coração: expulsa a tristeza para longe de ti. Pois a tristeza já causou a perdição de muitos e não traz proveito algum” (Eclo 30,21-23).

    Deixar que os mortos enterrem os seus mortos... Ás vezes somos teimosos e nos agarramos a pessoas, coisas e situações de morte ou que estão mortas para nós. O que passou, passou. O mal e o bem que nos fizeram, que nos aconteceu e que nós fizemos ou deixamos de fazer, não volta mais. Está na misericórdia de Deus. Entregue com toda confiança a sua vida nas mãos amorosas do Pai, pois Ele cuida de nós. Mesmo se você foi gerado em tempo de morte, rejeitado, maltratado, abandonado... você sobreviveu. Sobreviveu porque o Senhor cuidou de você e providenciou o necessário para sua vida. Vamos à Ele com cantos de alegria e gratidão pelo maravilhoso dom da vida.

    Senhor, nosso Deus e Pai. 
Colocamo-nos na tua presença, entramos no teu santuário com humildade e gratidão. Gratidão pelo dom da vida, e alegria, pois o Senhor cuidou de nós. A ferida aberta em meu coração pelos sofrimentos da vida foi curada pela chaga aberta no Coração de Jesus, nosso Redentor.                    Pai, em teu amor, pelo sangue de Jesus, Cordeiro imolado, eu perdoo a todos os que me feriram. E hoje mais uma vez eu me abro para receber o seu amor e a vida que vem pela força do Espírito Santo. Obrigada, Senhor, pela vida. Amém.  

sábado, 1 de novembro de 2014

COMBATE ESPIRITUAL

    “A nossa luta não é contra forças humanas mas contra os principados, contra as autoridades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra os espíritos maus dos ares” (Ef 6,12).
   
   O combate espiritual é uma realidade infelizmente desconhecida pela maioria dos cristãos. Se por um lado há quem veja demônio em tudo, por outro lado há quem negue sua existência e não o veja em nada. Mas nenhum destes modos de agir nos faz crescer no discernimento dos espíritos e no combate espiritual. 

   Não podemos negar a realidade do mal. Se o Maligno não existisse Jesus não terminaria a oração do "Pai nosso" (Mt 6,9-13) pedindo ao Pai que nos livre do mal. O Catecismo da Igreja Católica, no número 2851, fala assim sobre este pedido de Jesus: “Neste pedido, o Mal não é uma abstração, mas designa uma pessoa, Satanás, o Maligno, o anjo que se opõe a Deus. O diabo (dia-bolos) é aquele que se atravessa no meio do plano de Deus e de sua obra de salvação realizada em Cristo”.

    A principal ação do demônio é a tentação. Nisto consiste a batalha espiritual: o demônio nos tenta para nos afastar de Deus. Para vencer o tentador precisamos vigiar e usar o escudo da fé (Ef 6,16). Vigiar quer dizer prestar atenção em quem está agindo numa determinada situação: o maligno que quer nos afastar de Deus e dos irmãos; nossa vontade humana dominada pelo orgulho, o egoísmo e as paixões desordenadas; ou o Espírito Santo que nos atrai para a vontade do Pai e nos dá força para vencermos o tentador. Vivemos esta batalha o tempo todo durante a nossa vida. É uma batalha sem trégua, que acontece dentro de nós e ao nosso redor. Discernir qual o espírito está agindo em nós e na situação presente é algo que não conseguimos fazer sozinhos. Precisamos do Espírito Santo, “o Espírito da verdade” (Jo 16,13).

    O combate espiritual é uma luta disfarçada e precisamos da prudência das serpentes e a simplicidade das pombas (Mt 10,16) para vencê-lo.  Ao discípulo de Jesus o mal costuma atacar conforme nossa fraqueza. Muitas vezes depois de uma ação evangelizadora nos vem um cansaço espiritual – o maligno nos tenta nos fazendo pensar que aquela ação não valeu para nada. Outras vezes nos tenta pelo orgulho e pela vaidade nos fazendo deleitar com o pensamento de como, por nossa causa, aquela ação foi boa. Outras vezes se manifesta no desânimo ou nos faz dar sem medida até nos esgotarmos. 

    Precisamos caminhar no discernimento dos espíritos para vencer a batalha espiritual e desmascarar o tentador. Desmascaramos o tentador quando estamos unidos ao Espírito Santo na oração. A arma mais poderosa contra os ataques do maligno é a mansidão e humildade (Mt 11,29).

Senhor
nos colocamos na sua presença, pedindo que o teu Espírito Santo venha agir em nós. Ó vem Espírito de Amor, dá-nos discernimento para combater o bom combate. Que nada nem ninguém nos faça tirar os olhos de Jesus, nosso Senhor e Salvador. Pai, por nosso Senhor Jesus Cristo vos pedimos, livra-nos do mal. Amém.

 “Bendito seja o Senhor, minha rocha, que adestra minhas mãos para o combate, meus dedos para a guerra.” (Sl 144(143),1)

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

REPOUSO EM DEUS

“Só em Deus a minha alma repousa, dele vem a minha salvação; só ele é minha rocha, minha salvação, minha fortaleza, jamais vacilarei!” 
(Sl 62,2-3).
  

   A palavra repouso encontra um eco profundo no coração humano. Todos nós desejamos repousar. Percebemos que o repouso pelo qual nossa alma anseia é muito mais do que o simples descanso do cansaço diário. O repouso que desejamos é a integração da nossa mente, corpo e espírito; é saber e sentir que somos amados e aceitos como somos – sentir que fomos desejados.

     A Bíblia fala do repouso de Deus: “e no sétimo dia descansou de toda obra que fizera” (Gn 1,31). O descanso de Deus nos faz refletir que Ele colocou o desejo e necessidade de descanso em nossa alma. Mas nós vivemos numa sociedade barulhenta onde tudo leva para a dispersão, a inquietude e o cansaço. Encontro pessoas que já desistiram de repousar, que muitas vezes não sabem mais repousar. A mente inquieta não permite mais estar verdadeiramente com as pessoas nem estar diante de Deus em oração. Parar, escutar, silenciar, se torna impossível.

    Quando temos a mente assim agitada a angústia encontra abrigo em nosso peito e o coração dói; ficamos presos na armadilha dos sentidos e dos sentimentos. Experimentamos a solidão e o desamor como se não houvesse no mundo alguém capaz de nos acolher e compreender. Mas Deus não desiste de nós porque nos ama com amor eterno. Seu amor é desde sempre e para sempre.

     Hoje, Ele te convida a não parar na turbulência da sua mente que pode levar à depressão. A tomar posse, pela fé, do lugar de repouso que ele mesmo colocou dentro de você. Escute a voz do Espírito que diz: atravesse o mar revolto dos sentimentos, atravesse o vale das sombras, para chegar ao seu templo interior, o seu espírito, o núcleo do seu ser, onde Deus habita, onde você pode receber consolação e amor.

    Todos nós podemos fazer a experiência de que temos todo o amor que precisamos. Aquele que nos criou e nos regenerou nas águas do batismo, nos ama. Ele nunca te abandonou e jamais te abandonará. Seu amor é fiel agora e por toda eternidade. Busque-o na oração, na leitura e meditação da Palavra de Deus, na participação na comunidade e deixe-o aquietar a sua mente e te levar ao lugar de repouso. Tome posse, hoje, dos bens futuros.

“Como um pastor ele apascenta o seu rebanho, com o braço o reúne; carrega ao colo os cordeirinhos e conduz as ovelhas que amamentam” (Is 40,11).

Senhor Jesus, dá-me a graça de viver na segurança do seu amor. Quero encontrar este lugar dentro de mim em que eu estou em Ti e Tu estás em mim. Quando a angústia apertar o meu coração, tome-me pela mão e atravesse comigo a turbulência da dor para entrar no lugar do meu repouso. Senhor, que todas as minhas ações e relações seja a partir do seu amor em mim. Ó vem Espírito Santo me conduzir a uma vida mais plena como o Senhor deseja para mim. Amém

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

MORADA DE DEUS

  "Nele vós também sois integrados na construção para vos tornardes morada de Deus no Espírito” (Ef 2,22).
   
   O Pai busca em nosso coração uma casa para seu Filho. Lendo e meditando esta palavra me recordo de uma experiência com Deus acontecida há muitos anos atrás. 

    Naquele dia, quando estava orando, tive a imagem do meu coração como um sacrário da Santíssima Trindade, de onde saía uma luz muito intensa. Essa luz traspassava todo o meu ser, me purificando, curando, libertando... vivificando cada uma das células, tocando minha memória, pensamentos, sentimentos. Experimentei a vida de Deus em mim.

Uma autentica experiência com Deus marca de tal forma nossa vida que nunca a esquecemos; basta nos recolhermos em oração, em contemplação, para ela vir à nossa memória, se tornar presente com a mesma força do momento em que a experimentamos.

  Para ter vida em abundância precisamos abrir mais e mais o nosso coração para que o Senhor Jesus venha nele morar. Às vezes nem pensamos nesta maravilhosa realidade: somos o templo de Deus! Não pensamos porque enchemos nossa mente com inúmeras preocupações que roubam nossas forças, ou porque nos sentimos indignos de ser morada de Deus. Mas se não fizermos a experiência de sermos morada de Deus, templo santo do Senhor, nossa fé e vivência espiritual, atingirá apenas a nossa mente, nossa razão, nossos pensamentos, mas não o  coração. E se não atinge o mais profundo do nosso ser, não fazemos a experiência de que Ele vive em nós. Desta forma a experiência de Deus atingirá minha razão, mas não o meu coração. As profundezas do meu ser não serão evangelizadas, Jesus não será verdadeiramente o Senhor e Salvador no mais íntimo do meu ser.

Oremos juntos:

     Senhor, meu Deus e Pai, rompe as barreiras e limites que coloco para o Senhor em minha vida. 
Quero pertencer inteiramente ao Senhor, com todo meu coração, com todo o meu ser.
Senhor, meu coração é a tua casa, vem morar em mim. 
Podes ocupar todos os espaços. 
Desocupa meus depósitos, as reservas que guardo para mim, aquelas áreas da minha vida que não entrego inteiramente ao Senhor. 
Vem Senhor Jesus, fazer de mim “morada de Deus no Espírito”. 
Amém


quinta-feira, 18 de setembro de 2014

FONTE DAS ÁGUAS

   

“Como a corça suspira pelas águas correntes, assim minha alma suspira por ti, meu Deus.”  (Sl 42,2)

     A água é símbolo da vida, sem ela não podemos viver. Como nosso corpo precisa da água, mais, muito mais, nossa alma precisa da Fonte de água viva: Deus.

    Preparando-me para orar acendo uma vela e contemplo sua chama que na ausência de vento sobe para o alto. Assim eu desejo que o meu espírito esteja em sintonia com o Senhor. Meu espírito busca as coisas do alto, o céu, morada do Deus vivo.

“Um abismo clama por outro...” (Sl 42,8).

    O abismo do meu nada clama ao abismo do amor e misericórdia de Deus. O Senhor sempre escuta a quem o chama, seus ouvidos estão atentos ao nosso clamor. Quando temos sede de Deus foi Ele mesmo que colocou esta sede em nós. O Senhor deseja fazer morada em meu coração, em seu coração, e por isso nos dá sede, desejo por Ele.
A chama da vela acesa simboliza a fé, dom do Espírito Santo.

Vinde Espírito Santo, unir céu e terra dentro de mim. Ó Espírito Santo, Senhor que dá a vida, aumenta a nossa fé para que o desejemos de todo o coração e endireitemos nossos passos no caminho do Senhor. Pai, em nome de Jesus, envia o teu Espírito de Amor, para encher os vazios do nosso coração com a plenitude do seu amor e sua graça. Amém

      A fé me dá coragem para lançar-me no abismo nos braços amorosos do Pai, pois atrás de mim não há nada que me sustente.

    Quando você sentir o peso da solidão, o vazio esgotante da solidão... quando sentir que não há socorro humano... nestes dias em que a tristeza é uma raiz amarga... quando nossos  ossos estão secos, e a alegria de viver quase nos abandona... Nestes dias precisamos nos agarrar ao Senhor com todas as nossas forças. Voltar-nos para Ele, esperar nele, até que passe a tormenta... Ele é o único que fica conosco sempre, que desce conosco às profundezas da dor humana. E eu experimento que quando estes dias passam sou um pouco mais de Deus. Experimento que o remédio para a solidão é buscar a companhia do Senhor na intimidade do meu ser.

     Ó Pai, sou tua filha e estou diante de Vós com confiança. Confio porque o Senhor é bom, confio porque sou amada. Esta é a verdade mais profunda da minha vida. Se subo aos céus da alegria de viver, da experiência do Senhor, da amizade e amor humano, o Senhor está comigo. Se me prostro no abismo da solidão, do pecado, do desamor, da incoerência, da incompreensão, o Senhor está comigo. Teus braços fortes me amparam e me levantam quando tropeço e caio. Como não ser feliz diante desta realidade?  
Um dia eu te encontrei, ó meu Amado. O Senhor me olhou e eu me tornei alguém. Obrigada, meu Senhor e meu Deus.    

      “Teu amor seja meu consolo, segundo a promessa feita a teu servo! Pertenço a ti: salva-me pois tenho procurado teus preceitos”  
(Sl 119,76.94).

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A INTIMIDADE COM DEUS NA ORAÇÃO

   
    Eu creio que a pessoa que se dispõe a orar, que deseja ter uma vida de oração regular, busca a intimidade com Deus. Buscamos a intimidade com Deus porque sabemos, mesmo inconscientemente, que só Ele pode nos dar o que nossa alma mais anseia. Como diz o salmista: “Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo: quando entrarei para ver a face de Deus?” (Sl 42(41),3).

     Vemos neste versículo o relacionamento de duas pessoas: o ser humano que tem sede, que busca, procura, anseia, por algo mais na sua vida, e Deus, que o busca primeiro. O ser humano tem sede de Deus porque sabe que os prazeres, amores e poderes deste mundo não podem saciar seus desejos mais profundos, na complexidade e simplicidade do seu ser. Por isto buscamos na oração nos colocar na presença do Outro que também tem sede de nós e nos busca.

    O Outro é o Deus vivo, que se comunica conosco, nos fala, nos compreende – só Ele compreende totalmente o ser que Ele criou. Só Ele sonda as profundezas do nosso ser e nos ama, nos acolhe como somos.

    Se há uma busca de nossa parte e um Outro que nos escuta e responde, por que temos tanta dificuldade em sermos fiéis na oração e na entrega do coração à Ele?

     A primeira dificuldade é sem dúvida o pecado que causou em cada um de nós uma ruptura com Deus. Esta é uma realidade dolorosa do ser humano e da qual não podemos fugir. S. Paulo descreve claramente nossa situação: “Não faço o bem que quero e sim o mal que não quero. Se faço o que não quero, já não sou eu que faço, e sim o pecado que mora em mim” (Rm 7,19-20).

    Por isto, amados, quem busca a oração de intimidade com Deus vive uma batalha. Uma batalha entre o reino do ego e o Reino de Deus. Esta batalha nós a ganhamos perdendo. Sim. Para viver a oração como intimidade com Deus precisamos perder. Perder o orgulho, o egoísmo, o perfeccionismo, o desejo de posse e de controle, os apegos e a obsessão de que as coisas sejam de acordo com nossos planos e projetos.

     O Reino de Deus é misericórdia, alegria, paz, amor e perdão. Jesus Cristo veio anunciar o Reino e nos convidar a viver nele. O Reino de Deus acontece quando nos deixamos conduzir pelo Espírito Santo para o coração de Jesus. Assim, transformados pelo Espírito, teremos os pensamentos e sentimentos do Filho, que deseja a vontade do Pai, sobre todas as coisas. “Venha o teu Reino, seja feita a tua vontade...” (Mt 6,10).

Assim, entraremos, pouco a pouco, na intimidade com o Senhor, na oração e na vida.

Pai, oramos com Jesus: “Venha a nós o vosso Reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu”. Ó Espírito Santo, dá-nos um coração de filho para permitirmos que Jesus, o Senhor, reine em nós. Amém


sábado, 30 de agosto de 2014

A GLÓRIA DO SENHOR

“O resplendor que a envolvia tinha o mesmo aspecto do arco íris que se forma nas nuvens em dia de chuva. Tal era a aparência visível da glória do Senhor. Ao ver isto, caí prostrado e ouvi a voz de alguém que falava.” Ez 1,28

    Este texto é o final da narrativa da visão que o profeta Ezequiel, exilado na Babilônia, teve da glória do Senhor. Nesta visão Ezequiel retoma a crença dos antigos patriarcas de que Deus caminhava com o seu povo. Crença esta esquecida, pois depois da construção do Templo em Jerusalém vincularam a presença de Deus a uma terra e a um local: o Templo.

E nós? Qual a visão da glória do Senhor que temos?

    S. João diz que Deus é luz (1Jo 1,5). A visão de S. João é semelhante à visão do profeta Ezequiel. Mas S. João vai além quando diz: “Deus é amor” (Jo 4,8). O que S. João diz ele ouviu do Filho, Jesus Cristo, a testemunha verdadeira (1Jo, 1-3). A revelação que Jesus nos trouxe de que Deus é amor e é luz nos enche de alegria (1Jo 1,4). 

     Na transfiguração o Senhor Jesus Cristo revelou a luz da glória de Deus: “E transfigurou-se diante deles: “Seu rosto brilhou como o sol e as roupas se tornaram brancas como a luz” (Mt 17,2). “Rosto como o sol”, “roupas como a luz” são palavras humanas, limitadas, que certamente não correspondem plenamente ao que Pedro, Tiago e João realmente viram – a glória de Deus manifestada em Jesus Cristo. Mas na transfiguração de Cristo eles também foram transfigurados e foram fiéis até o fim.

     Só em Jesus Cristo encontramos a plena revelação da glória de Deus. Olhando para Jesus, o Filho do Homem (Ez 1,26) - olhando para sua vida, paixão, morte, ressurreição – vemos a compaixão, o perdão, a misericórdia, a ternura, a bondade, a paixão pelos seres humanos a quem Ele chamou de irmãos: “Vai aos meus irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus” (Jo 20,17).

    Só Pedro, Tiago e João viram a glória da transfiguração. Mas, todos podem ver a glória muitas vezes escondida - mas que se revela a quem busca – no amor, na Eucaristia, na Palavra de Deus, na conversão de cada pessoa que encontra o Senhor, na graça, no dom do Espírito Santo... Na fé: “Eu não te disse que, se acreditásseis, verias a glória de Deus?” (Jo 11,40).

Este convite é para você: “Por meio de nosso evangelho, ele também vos chamou para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo” 
(2Ts 2,14).

Senhor Jesus Cristo, revelação plena do Pai, dá-nos a graça de sermos regenerados, curados, santificados, na sua glória. 
Preciso hoje, Senhor, da manifestação da sua glória na minha vida.
 Envolva-me no seu amor, compaixão, misericórdia e perdão. 
Espírito Santo, consolador, encha os nossos corações com a glória do amor do Pai revelada em Jesus Cristo nosso Senhor. 
Amém

Vivamos na alegria da glória do Senhor!