E o deserto florescerá!

E o deserto florescerá!

domingo, 13 de janeiro de 2013

A GRAÇA ME BASTA



“Mas ele me declarou: ‘A minha graça te basta; o meu poder se completa na fraqueza’. ... Pois quando sou fraco, então é que sou forte” 
( 2Cor 12, 9-10).

      Para vivermos a experiência de depender da graça de Deus precisamos nos lançar com toda confiança em seus braços e fazer a experiência profunda de ser filhos. E porque sou filha, sou filho, posso deixar o medo e as vãs preocupações, tirar o meu olhar e meus pensamentos das coisas que não controlo, que não estão em meu poder resolver. Experimentar que sou amada e cuidada. E rezar como o salmista: “Temei ao Senhor, vós a quem ele consagrou, pois nada falta aos que o temem” (Sl 34(33), 10). Quem procura viver a vida na presença do Senhor não precisa ter medo de nada. Os erros do passado e as incertezas do futuro estão na misericórdia de Deus nosso Pai. As dificuldades e desafios que Ele nos permite viver são oportunidades para  experimentarmos a sua graça e vencer o medo. “Coragem! Sou eu! Não tenhais medo!” (Mc 6,50).

       Viver na graça é permitir que algo novo nasça dentro de nós, fazer a experiência da vida nova em Cristo Jesus. Talvez esta vida nova se manifeste numa forma nova de fazer as coisas rotineiras ou um olhar novo sobre nós mesmos, a vida e as pessoas. Acreditar que podemos  alargar nossos horizontes, ir além, ser mais aquela pessoa que Deus sonhou ao nos criar. Esta experiência da vida na graça pode vir à tona a partir da ordem. Por ordem em minha vida, meus pensamentos, minha alimentação, minha casa. Não ficar fazendo sempre a mesma coisa - cuidar de desenvolver todas as áreas da vida. Viver em plenitude dentro da minha realidade. Estar disponível. Viver o presente. Quando vivemos uma vida desordenada provavelmente morreremos mais cedo.

       Para mim a vida na graça se manifesta como uma ferida que o Senhor curou em meu coração, mas ficou a cicatriz. De tempos em tempos o  Senhor permite que a cicatriz fique dolorida para que eu me lembre de que Ele deve ser o primeiro em minha vida, que neste mundo tudo passa e só Ele basta. Que o amor humano é muito bom, mas não preenche a necessidade mais profunda do meu coração. Para que eu me lembre de ter misericórdia de mim mesma e dos outros, para Ele poder me usar com instrumento em suas mãos. A dor desta cicatriz combate o orgulho e a vaidade em mim, me dá a certeza de que sem o Senhor nada sou, nada posso. “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5).

   Senhor Jesus, quando a angústia vem ao meu coração e perturba a minha mente, a minha alma se agita com muitas vozes dentro de mim. Senhor, neste mundo barulhento, dá-me a graça do silêncio. Desejo que o teu silêncio amoroso encha o vazio do meu coração e liberte minha alma da angústia. Dá-me esperança e fé no Senhor que conduz a minha vida, e eu quero me entregar  amorosamente à sua condução. Sem medo e sem reserva alguma, com toda confiança no seu amor. Amém

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

GRATIDÃO PELA SALVAÇÃO



        Olhe a cena retratada nesta foto. Aconteceu assim: Dia de Natal, as 19:40, Adriana e eu saíamos da igreja S. Pedro na Praia do Suá, com o coração ardendo pela experiência vivida na missa e pelas palavras do Pe. Artur sobre a luz de Jesus que brilha nas trevas do mundo, e nos deparamos com esta cena. A rocha em frente a igreja, a cruz  fincada sobre a rocha iluminada pela luz da lua, e pertinho da lua brilhava uma estrela. Sentimos que até os astros do céu, criados por Deus, estavam adorando o Salvador - como aconteceu com a estrela de Belém que guiou os Magos até a mangedoura onde estava o Menino. Naquele momento nossos corações se encheram de gratidão pela salvação: Deus veio salvar o seu povo.

       Depois, conversando sobre a foto e sobre Jesus, algumas palavras ficaram fortes para nós: esperança, luz, rocha. Jesus é o Salvador; Ele é a Esperança dos aflitos; a Luz do mundo e de cada pessoa que o acolhe no coração; Ele é a Rocha onde podemos firmar nossos pés mesmo nos momentos mais instáveis da vida. A Adriana via nos fios que atravessam a foto os nossos pecados, as dificuldades que temos em nos deixar iluminar pela luz de Jesus. Mas, dizia ela, os fios são finos, quer dizer, nada é empecilho para o encontro com o Senhor, para a experiência de salvação.  
        A salvação é um presente que recebemos de Deus e está à disposição de todos. Mas abrir o coração para o Senhor depende de nós, e muitas vezes nos deparamos com nossas resistências, dificuldades, pecados. Olhando para o nosso interior percebemos que há, em nossa mente, nosso coração, nas profundezas do nosso ser, grandes áreas que ainda não foram evangelizadas, onde a luz de Jesus não penetrou. Um lugar onde estamos fechados. Um lugar escuro, sem esperança, mas à ele nos apegamos como se fosse nossa identidade. Um lugar de rebeldia, onde ficamos armados, com medo e por isto estamos sempre nos defendendo. Este modo de viver gera um grande cansaço, stress e desânimo. É neste lugar que Jesus entra com sua luz, sua salvação, e nos diz: “Não tenhas medo, abandone suas armas, eu estou com você. Quero entrar nas suas profundezas, neste lugar de inquietude, para te dar repouso. Quero fazer brilhar a minha luz na sua escuridão. Eu sou a luz. Abra a porta do seu coração para mim”.

     Meu irmão, minha irmã, amados de Deus, tenha coragem de abrir a porta para Jesus Salvador. Talvez seus olhos estejam tão acostumados com a escuridão do seu abrigo que você sente dificuldade em ir para a luz. Mas Jesus entra com a luz do seu amor e se senta com você. Talvez você ache estranha essa presença porque na sua vida nunca ninguém parou e ficou verdadeiramente com você. Ficando com você Jesus  cura as experiências de  abandono e desamor que você já viveu ou está vivendo. Abra a porta deste lugar escuro para que a luz de Jesus te ilumine. Nenhuma outra luz pode iluminar sua escuridão – e talvez você até já tenha buscado em outros lugares uma luz. Este lugar dentro de você não é um lugar para as pessoas entrarem, é o lugar de Deus,  o seu templo interior, onde o Senhor quer entrar e permanecer com você.

Oremos juntos:

     Jesus, dá-me a graça de abrir a porta do meu coração para o Senhor.  Jesus, estou tão acostumada a viver com medo, apegos, preocupação, desesperança e autodefesa, que já não sei pensar, sentir, viver, de forma diferente. Que a sua luz brilhe agora em meu ser profundo e transforme o meu pensar, sentir, agir. Senhor, eu quero entrar no lugar do teu repouso e quero que o meu coração seja também um lugar onde o Senhor possa ficar. Jesus, vem morar em mim. Fica comigo, Senhor, e transforme o meu ser. Quero respirar o ar novo do seu amor. Tocar o Senhor e me deixar tocar pelo Senhor. Caminhar, ser conduzida pelo Senhor no jardim da minha vida. Amém.

“Só em Deus minha alma está tranquila; dele vem a minha salvação”.
(Sl 62(61),2)

domingo, 16 de dezembro de 2012

O PÃO DO CÉU



     “Quem dera que tivéssemos morrido pela mão do Senhor no Egito, quando nos sentávamos junto às panelas de carne e comíamos pão com fartura! Trouxeste-nos ao deserto para matar de fome toda esta gente!... ‘Esse é o pão que o Senhor vos dá para comer’” (Ex 16,3.16).

Deserto do Sinai
     O povo no deserto murmurava contra Moisés e Araão – na verdade murmurava contra Deus que o tinha levado ao deserto. O deserto é um lugar solitário e desprovido de tudo, onde todas as nossas certezas e seguranças viram pó. Onde não se tem abrigo contra o calor do dia e o frio da noite. Mas Deus escuta a murmuração do povo e o socorre. Diante da revolta do povo, Deus, que conhece suas fraquezas, age com bondade, ternura e misericórdia: deu-lhes de comer o pão do céu.

      A humanidade hoje é faminta, do pão material – uma grande multidão passa fome – e do pão do amor. Muitos sentem uma necessidade que as vezes não tem, mas que nos são impostas pelos meios de comunicação que nos bombardeiam com seu apelo: compre, coma, beba, use... Há todo um marketing visando atingir as necessidades mais profundas do ser humano que é faminto por natureza. Aqui cabe uma pergunta: Por que somos tão famintos e insatisfeitos. Sto. Agostinho nos ajuda a compreender: “Fizeste-nos para ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em ti”. Fomos criados por Deus e para Deus e só Ele pode nos saciar plenamente.

   Jesus responde às nossas necessidades mais profundas: “Esforçai-vos, não pelo alimento que se estraga, e sim pelo alimento que permanece até à vida eterna. É este o alimento que o Filho do homem vos dará” (Jo 6,27). Deus ouve de tal forma as nossas preces que nos dá o verdadeiro pão do céu: a Eucaristia. Jesus se apresenta dizendo: “Eu sou o pão vivo descido do céu. Se alguém comer deste pão viverá para sempre. E o pão que eu darei é minha carne para a vida do mundo” (Jo 6,51).

      “Senhor, dá-nos sempre desse pão” (Jo 6,34). Eu quero o pão do céu! Quero viver em Cristo. Viver a vida nova em Cristo implica viver em uma batalha espiritual, contra o Maligno, o mundo e a força do pecado em nós (cf. Rm 7,14). Para viver em Cristo precisamos abandonar a nossa antiga conduta, despir a velha natureza, revestir-nos da mentalidade nova (cf.Ef 4,22-24). Isso é obra da graça, dom do Espírito Santo. Quando nos alimentamos diariamente da Palavra de Deus e da Eucaristia o Senhor vai nos transformando.

Vamos orar?

      Senhor Jesus, eu te ofereço o meu coração e peço que o Senhor conduza a minha vida; ela só terá significado pleno se o Senhor a conduzir. Sei que o Senhor quer o meu bem, a minha felicidade e por isto eu opto por te entregar a minha vida. Apesar dos meus desejos desordenados, condicionamentos, orgulho, egoismo, mentiras, acima de todas essas vozes está a escolha que faço pelo teu senhorio pleno. E quando faço esta escolha vejo que a tempestade dentro de mim, os pensamentos e sentimentos, se acalma. O Senhor é o meu porto seguro onde o barco da minha vida encontra abrigo e pode repousar. No teu coração amoroso, Jesus, são feitos os reparos dos danos causados pelos embates das ondas, do sol forte e das tempestades. Ó Vem Espírito Santo! Dá-me a graça de viver em Cristo, segundo o desejo de Deus Pai. Amém

domingo, 2 de dezembro de 2012

PRESTAR ATENÇÃO EM DEUS


     “Estai atentos para que o vosso coração não fique insensível por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e aquele dia não vos pegue de surpresa” (Lc 21,34).

       O mundo hoje nos oferece tantas distrações e tudo passa tão velozmente que é fácil ficarmos com o coração insensível para Deus e para os irmãos. Quem não tem fé olha para os acontecimentos a sua volta, para as injustiças,  misérias, doenças, desastres, e pensam que se Deus existisse não permitiria que essas coisas acontecessem. E para os que tem uma fé vacilante é grande o questionamento diante do mal no mundo e se perguntam: Deus não vê? Como Deus permite tanto mal no mundo? E o sofrimento dos inocentes?

      Mas quem tem fé presta atenção em Deus e à sua ação misericordiosa e salvadora em meio a tantos sofrimentos. E se perguntam: O que seria de nós sem Deus? Não temos resposta para esta pergunta, pois não temos como imaginar o que seria o mundo sem Deus. Como disse o apóstolo Paulo: “É nele que vivemos, nos movemos e existimos” (At 17,28).   O cuidado de Deus para conosco é tão grande, estamos tão imersos nele que, mesmo quem não crê em Deus, não poderia imaginar o que seria o mundo sem Ele, por nunca termos vivido esta experiência. O mundo sem Deus seria o inferno. A presença amorosa de Deus envolve o mundo como a atmosfera envolve a terra. Ele é o ar que respiramos, o fogo que nos aquece, o vento que nos refresca. Basta abrirmos os olhos e o coração e prestar atenção em Deus que é “mais íntimo de mim que eu mesma”.

     Deus criou todas as coisas e entregou a administração aos seres humanos. Com o pecado nós desviamos o projeto de amor do Pai e pensamos ser os senhores do mundo quando somos apenas administradores e um dia prestaremos conta da nossa administração. O poder pertence a Deus e Ele agirá. Se demora é porque Ele é paciente e espera nossa conversão. Mas Ele não se afastou do governo do mundo. Deus está conosco.

       Penetrar no conhecimento de Deus requer humildade, é para os pequenos, os pobres em espírito, para os que tem o coração manso e humilde. E a revelação do conhecimento do Pai passa por Jesus Cristo, pois só o Filho conhece o Pai (Jo 1,18). E Jesus se revela na Palavra – principalmente nos Evangelhos-, mas se revela também no íntimo do coração de cada pessoa que o busca e escuta, e nos pequenos acontecimentos do dia a dia. Precisamos nos abrir ao conhecimento de Deus, Ele sempre quer se revelar a nós, se comunicar conosco, basta abrirmos os olhos e prestar atenção em Deus.

“Grandes e admiraveis são as tuas obras, Senhor Deus todo-poderoso. 
Justos e verdadeiros são os teus caminhos, Rei das nações. 
Quem não temerá, Senhor, e não glorificará o teu nome? 
Porque só tu és santo. 
Todas as nações virão prostar-se diante de ti, pois tuas justas decisões se tornaram manifestas” 
(Ap 15,3-4).

domingo, 25 de novembro de 2012

DESEJO E SACRIFÍCIO



     “Portanto, irmãos, eu vos exorto, pela misericórdia de Deus, a que ofereçais os vossos corpos como sacrifício vivo, santo, agradável a Deus. Este é o vosso culto espiritual” (Rm 12,1).

      O culto espiritual que o Senhor deseja é fazermos sua vontade. Esta é a santidade de vida que como cristãos somos chamados a viver. Mas muitos se perguntam qual é a vontade de Deus. A Palavra nos diz que a vontade dele não está longe de nós (cf. Dt 30,11-14). Quando desejamos fazer a vontade de Deus geralmente pensamos em um projeto de vida. Este projeto de vida, este sonho, pode ser o desejo de uma consagração na vida religiosa, mas para a maior parte das pessoas é algo que nos parece natural como um casamento no qual se deseja a felicidade e crescimento do outro e não a busca egoísta da própria felicidade, ou realizar-se numa profissão na qual podemos testemunhar no mundo, ser sal, fermento e luz, fazendo o bem.

      Mas geralmente não pensamos que quando Deus olha e se agrada do nosso sonho e assume nosso sonho, nosso projeto, como sendo dele, entramos no sacrifício profundo de todo nosso ser, pois fazer a vontade de Deus sempre implica um sacrifício. É verdade que experimentamos a paz profunda que o mundo não pode dar, sentimos a realização como pessoa, mas vivemos em sacrifício. Quando isto acontece mesmo o projeto, o sonho que nos parecia tão atraente e desejado pode perder o gosto porque ele está sendo purificado para ser do agrado de Deus e se tornar não apenas um projeto nosso, feito do nosso jeito, mas um projeto de Deus.

      Diante do sacrifício podemos fazer duas coisas: aceitar o jugo da vontade de Deus, passar sob o cajado do Pastor ou reclamar, não aceitar o sacrifício da vontade própria, pensar que se enganou e desistir. A escolha é nossa, é na liberdade de filhos que devemos responder a Deus. Nosso sim precisa ser livre. Sabendo que o sacrifício aceito nos une ao Coração misericordioso de Jesus e nos leva a um grau de intimidade e de pertença a Deus nunca imaginado. Quando aceitamos a realização da vontade de Deus em nossa vida o Pai se alegra, pois encontra em nós a semelhança do seu Filho. E faz, com aqueles que aceitam ser sacrifício, uma aliança eterna de amor e misericórdia.

“Eu vos farei passar sob o cajado do pastor e vos farei entrar no vínculo da aliança” (Ez 20,37).
      Vínculo é algo que permanece. O vínculo entre nós e Deus foi feito no batismo e é vivenciado plenamente quando nos submetemos à vontade do Pai.

Se você deseja fazer a vontade de Deus peçamos juntos essa graça.

Vem Espírito Santo, gerar em mim um coração de filha, um coração semelhante ao coração de Jesus, dócil à vontade do Pai. 
Purifica os meus desejos, sonhos e projetos. 
Dá-me a graça de oferecer-me em sacrifício, sacrificando os meus ídolos, os desejos e motivações desordenadas e egoístas do meu coração, para realizar em minha vida o sonho, o desejo de Deus, para mim. 
Amém.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

O TEMOR DE DEUS



     “O temor do Senhor é glória e honra, é alegria e coroa de júbilo. O temor do Senhor alegra o coração, dá alegria, regozijo e vida longa. O temor do Senhor é um dom que dele vem e que se encontra nas veredas do amor”.  (Eclo 1,11-12).

       Fazemos a experiência do temor do Senhor quando nos damos conta de estarmos diante do Deus Santo, diante do qual tiramos nosso calçado, dobramos os joelhos, inclinamos a cabeça e nos rendemos. Mas esta rendição é uma rendição de amor porque Deus é amor. Quando ajoelhamos diante dele obedecemos a uma força que vem do nosso espírito rendido.

       Nos rendemos porque Ele é grande, Ele é santo, Ele é amor. E quando reconhecemos isto somos envolvidos pela onda de amor que dele vem. Neste momento vivemos a experiência de um peixe na água: a água é a vida para o peixe, ele se move na água, existe na água, se ela faltar ele morre. Assim devemos viver em Deus, como disse S. Paulo: “É nele que vivemos, nos movemos e existimos” (At 17,28).

O temor do Senhor: das trevas para a luz.
       Foi o amor de Deus que nos deu a vida e sustenta a vida em nós. Nós fomos criados por Deus para a felicidade; o temor de Senhor nos faz retornar à felicidade querida por Deus desde o princípio. O que um ser humano mais deseja é ser feliz, mas fora do temor do Senhor ficamos confusos, nos perdemos e confundimos prazer com felicidade. E a busca do prazer muitas vezes nos arruina e nos leva à morte.

       Deus é amor, Deus é felicidade. Quanto mais me aproximo de Deus e me deixo envolver por seu amor, mais encontro a felicidade. Pelo pecado a desordem entrou na natureza  humana, mas quando nos voltamos para o Senhor Ele vai nos regenerando e reeducando para a sabedoria de viver, a saúde, o equilíbrio, a felicidade. Isto é nascer de novo, ser nova criatura em Cristo Jesus, que “faz novas todas as coisas” (Ap 21,5).

 “Cantai a Deus um cântico novo, pois ele fez maravilhas” (Sl 98(97),1).

     Senhor, eis-me aqui. Quero cantar este cântico novo. Ponha este cântico em minha vida, minha boca e em meu coração. Este cântico é um cântico de paz, vida e alegria. Um cântico messianico que anuncia a vinda do Senhor Jesus. Como filhos de Deus nos levantamos em meio as dificuldades deste mundo como sinal de esperança, alegria e paz. Deus está conosco. Amém. Aleluia!

domingo, 28 de outubro de 2012

ORAÇÃO PESSOAL


      No mundo barulhento em que vivemos, em meio ao corre corre diário está cada vez mais difícil se tirar um tempo para a oração pessoal. Eu tenho encontrado muitas pessoas assim: vão à Igreja, servem em alguma pastoral ou movimento, estão de alguma forma ligadas à Deus, mas se pergunto se têm a prática da oração pessoal geralmente a resposta é não. 

    Quando falo de oração pessoal quero dizer se tiro diariamente um tempo para me encontrar com Deus, falar com Ele sobre a minha vida, abrir o meu coração com Aquele que eu sei que me ama, experimentar o seu amor e cuidado, fazer a leitura orante da Bíblia, sentar-se aos pés do Mestre e ouvir o Senhor. Eu penso, pela minha experiência, que ninguém consegue crescer verdadeiramente na vida espiritual sem oração pessoal.

“Mas quando rezares, entra no teu quarto, fecha a porta e reza ao teu Pai que está no oculto. E o Pai, que vê no oculto, te dará a recompensa”. (Mt 6,6).

      Quando entro em meu lugar de oração e fecho a porta para os barulhos externos eu abro espaço para Deus em minha vida e em meu coração. Meu coração se torna de fato o templo interior onde Deus habita. E o desejo dele é encher este templo de glória (cf. Is 6,1-3) - quer dizer, encher do seu amor, bondade, ternura, compaixão, misericórdia, perdão... Assim, pouco a pouco, desce da cabeça para o coração que eu sou amada. Não apenas sei que sou amada, mas experimento que sou filha amada do Pai. Fazendo a experiência de ser amada recebo a cura profunda que acontece quando encontramos Jesus, o Salvador e Senhor.

      Sou tocada por Jesus e o toco. Tocando o Senhor, aquietam-se as vozes internas e entro no espaço de silêncio dentro de mim, no meu ser profundo, que é o sacrário da minha alma. Acontece um duplo encontro: encontro a Deus autor da vida e encontrando-o encontro a mim mesma naquilo que tenho de bom e puro como Ele me criou. Faço a experiência de que do meu interior jorrarão rios de água viva (cf. Jo 7,37-39). Este encontro profundo comigo mesma em Deus me converte, me cura e me dá forças para viver os desafios desta vida com alegria e esperança, pois o Senhor está conosco.

      Uma grande inimiga para a concentração na oração são as preocupações. Quando vou rezar parece que todas pulam de algum lugar da minha mente. Há algum tempo faço um ritual que tem me ajudado: ao iniciar minha oração acendo uma vela cantando um refrão de um salmo e deixo vir à tona todas as minhas preocupações e todas as pessoas e causas que eu quero colocar diante de Deus em intercessão. Oro um tempo no Espírito pedindo a benção de Deus para todos. A vela acesa significa a minha intercessão diante de Deus. Assim, minha mente se acalma para eu prestar atenção em Deus.

Passos para oração:
·         Decidir-se. Se eu não tomar a decisão de orar nunca serei fiel.
·         Escolher um horário que for mais propício para o tempo de oração (manhã, tarde, noite) e determinar a duração da oração. Talvez você ache isto desnecessário, mas a razão é: eu marco um encontro diário com Deus e sei que Ele está me esperando.
·         Escolher a postura que mais te ajuda – de pé, sentado, de joelhos – o nosso corpo também está orando.
·         Colocar-se na presença de Deus – ter consciência que estou diante daquele que me ama – e deixar-se envolver no seu amor.
·         Fale para Ele o que vai em seu coração: suas alegrias, dores, medos, pecados, desafios do dia se for de manhã, entrega do dia vivido se for à noite...
·         Tome sua Bíblia e leia um texto escolhido. Eu oro com as leituras da liturgia do dia, experimento muitas vezes que as leituras meditadas por toda a Igreja respondem e até antecipam algo que eu preciso. Deus fala na liturgia.
·         Deixe-se conduzir pela Palavra de Deus: lendo, meditando, orando, contemplando.
·         Termine agradecendo e pedindo que o Espírito Santo faça a Palavra se tornar carne em você.

Senhor Jesus, 
dê fome e sede de oração, desejo de encontrar o Senhor, ao meu irmão ou irmã que está lendo este post.
Derrame sobre essa pessoa o dom do seu Espírito e faça-a experimentar o amor do Pai e a alegria de viver. 
Jesus, luz do mundo, que a sua luz brilhe em todas as pessoas. 
Amém.