E o deserto florescerá!

E o deserto florescerá!

domingo, 20 de janeiro de 2013

O SEMEADOR



“O semeador saiu a semear” (Mt 13,3).

       Depois de muitos dias de calor sob o sol intenso de verão, chegou a chuva... A chuva  nos faz recordar que Deus fecunda a terra, a torna fértil para nos dar o alimento necessário.

        E a terra boa agradece por estar sendo arada, preparada para o plantio. O semeador tira dela as pedras e os tocos para que nada atrapalhe a germinação da semente e o crescimento da planta. Na terra molhada pela chuva há um fermento de vida, uma força vital em suas entranhas. Fecundidade. O semeador se alegra ao ver a qualidade da terra: é uma terra generosa, há nela uma possibilidade de vida que precisa ser trabalhada e semeada. Acontece, então, uma parceria entre o semeador e a terra. Ele joga a semente, a terra a acolhe em seu seio e permite que ela germine, cresça e dê muitos frutos.

        Jesus é o divino semeador que ara a terra da nossa vida preparando o solo do nosso  coração para jogar a semente da sua Palavra. Um dia o Senhor passou por você, te olhou e viu as possibilidades escondidas no seu coração, acreditou em você quando você mesmo não acreditava. E aos poucos vai tirando as pedras, regando com a chuva do seu Amor, desfazendo com as mãos os torrões mais duros que foram sendo formados no seu coração pelas feridas da vida. Ele teve e tem paciência, semeando as vezes por muitos anos esperando que a terra ficasse fecunda. E, no seu amor incansável, não desiste de você mesmo quando você já havia desistido.

       E quando o seu coração se abre como uma terra fecunda, Deus se alegra e te enche de alegria. As vezes, por causa dos acontecimentos da vida, pelos abandonos, rejeição, desamor, fracassos, perdas, ... o coração ficou endurecido pelos sofrimentos como uma terra seca e fica difícil acreditar na alegria de Deus pela nossa vida. Mas, acredite, Deus se alegra imensamente pela sua vida. E se empenha em te arrancar do medo, tristeza, angústia,... e te trazer para a alegria do seu Amor. Por isto não tenhas medo de viver com alegria, pois, “como o noivo se alegra com a noiva, teu Deus se alegra contigo” (Is 62, 5).

Apresentemo-nos com confiança ao Senhor.

           Senhor Jesus, te apresento a terra do meu coração. As vezes eu a vejo seca e pedregosa onde o amor não pode crescer. Outras vezes ela está como um caminho onde todos passam, invadem o meu templo interior e mata a plantinha que germinou. E as vezes, Senhor, as preocupações e as seduções do mundo são tão fortes que a minha mente não se aquieta; parece que vem um bando de melros fazendo algazarra e arranca tudo o que foi plantado.
Ó Divino Semeador, transforme a terra do meu coração! Torne-a uma terra fértil! Dá-me um coração aberto, fecundo pela água viva do seu Espírito. Arranque, com sua mãos chagadas, as raizes profundas dos pecados e das feridas de minha alma. Cura-me Senhor, para que eu possa dar frutos em abundância. Amém.

domingo, 13 de janeiro de 2013

A GRAÇA ME BASTA



“Mas ele me declarou: ‘A minha graça te basta; o meu poder se completa na fraqueza’. ... Pois quando sou fraco, então é que sou forte” 
( 2Cor 12, 9-10).

      Para vivermos a experiência de depender da graça de Deus precisamos nos lançar com toda confiança em seus braços e fazer a experiência profunda de ser filhos. E porque sou filha, sou filho, posso deixar o medo e as vãs preocupações, tirar o meu olhar e meus pensamentos das coisas que não controlo, que não estão em meu poder resolver. Experimentar que sou amada e cuidada. E rezar como o salmista: “Temei ao Senhor, vós a quem ele consagrou, pois nada falta aos que o temem” (Sl 34(33), 10). Quem procura viver a vida na presença do Senhor não precisa ter medo de nada. Os erros do passado e as incertezas do futuro estão na misericórdia de Deus nosso Pai. As dificuldades e desafios que Ele nos permite viver são oportunidades para  experimentarmos a sua graça e vencer o medo. “Coragem! Sou eu! Não tenhais medo!” (Mc 6,50).

       Viver na graça é permitir que algo novo nasça dentro de nós, fazer a experiência da vida nova em Cristo Jesus. Talvez esta vida nova se manifeste numa forma nova de fazer as coisas rotineiras ou um olhar novo sobre nós mesmos, a vida e as pessoas. Acreditar que podemos  alargar nossos horizontes, ir além, ser mais aquela pessoa que Deus sonhou ao nos criar. Esta experiência da vida na graça pode vir à tona a partir da ordem. Por ordem em minha vida, meus pensamentos, minha alimentação, minha casa. Não ficar fazendo sempre a mesma coisa - cuidar de desenvolver todas as áreas da vida. Viver em plenitude dentro da minha realidade. Estar disponível. Viver o presente. Quando vivemos uma vida desordenada provavelmente morreremos mais cedo.

       Para mim a vida na graça se manifesta como uma ferida que o Senhor curou em meu coração, mas ficou a cicatriz. De tempos em tempos o  Senhor permite que a cicatriz fique dolorida para que eu me lembre de que Ele deve ser o primeiro em minha vida, que neste mundo tudo passa e só Ele basta. Que o amor humano é muito bom, mas não preenche a necessidade mais profunda do meu coração. Para que eu me lembre de ter misericórdia de mim mesma e dos outros, para Ele poder me usar com instrumento em suas mãos. A dor desta cicatriz combate o orgulho e a vaidade em mim, me dá a certeza de que sem o Senhor nada sou, nada posso. “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5).

   Senhor Jesus, quando a angústia vem ao meu coração e perturba a minha mente, a minha alma se agita com muitas vozes dentro de mim. Senhor, neste mundo barulhento, dá-me a graça do silêncio. Desejo que o teu silêncio amoroso encha o vazio do meu coração e liberte minha alma da angústia. Dá-me esperança e fé no Senhor que conduz a minha vida, e eu quero me entregar  amorosamente à sua condução. Sem medo e sem reserva alguma, com toda confiança no seu amor. Amém

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

GRATIDÃO PELA SALVAÇÃO



        Olhe a cena retratada nesta foto. Aconteceu assim: Dia de Natal, as 19:40, Adriana e eu saíamos da igreja S. Pedro na Praia do Suá, com o coração ardendo pela experiência vivida na missa e pelas palavras do Pe. Artur sobre a luz de Jesus que brilha nas trevas do mundo, e nos deparamos com esta cena. A rocha em frente a igreja, a cruz  fincada sobre a rocha iluminada pela luz da lua, e pertinho da lua brilhava uma estrela. Sentimos que até os astros do céu, criados por Deus, estavam adorando o Salvador - como aconteceu com a estrela de Belém que guiou os Magos até a mangedoura onde estava o Menino. Naquele momento nossos corações se encheram de gratidão pela salvação: Deus veio salvar o seu povo.

       Depois, conversando sobre a foto e sobre Jesus, algumas palavras ficaram fortes para nós: esperança, luz, rocha. Jesus é o Salvador; Ele é a Esperança dos aflitos; a Luz do mundo e de cada pessoa que o acolhe no coração; Ele é a Rocha onde podemos firmar nossos pés mesmo nos momentos mais instáveis da vida. A Adriana via nos fios que atravessam a foto os nossos pecados, as dificuldades que temos em nos deixar iluminar pela luz de Jesus. Mas, dizia ela, os fios são finos, quer dizer, nada é empecilho para o encontro com o Senhor, para a experiência de salvação.  
        A salvação é um presente que recebemos de Deus e está à disposição de todos. Mas abrir o coração para o Senhor depende de nós, e muitas vezes nos deparamos com nossas resistências, dificuldades, pecados. Olhando para o nosso interior percebemos que há, em nossa mente, nosso coração, nas profundezas do nosso ser, grandes áreas que ainda não foram evangelizadas, onde a luz de Jesus não penetrou. Um lugar onde estamos fechados. Um lugar escuro, sem esperança, mas à ele nos apegamos como se fosse nossa identidade. Um lugar de rebeldia, onde ficamos armados, com medo e por isto estamos sempre nos defendendo. Este modo de viver gera um grande cansaço, stress e desânimo. É neste lugar que Jesus entra com sua luz, sua salvação, e nos diz: “Não tenhas medo, abandone suas armas, eu estou com você. Quero entrar nas suas profundezas, neste lugar de inquietude, para te dar repouso. Quero fazer brilhar a minha luz na sua escuridão. Eu sou a luz. Abra a porta do seu coração para mim”.

     Meu irmão, minha irmã, amados de Deus, tenha coragem de abrir a porta para Jesus Salvador. Talvez seus olhos estejam tão acostumados com a escuridão do seu abrigo que você sente dificuldade em ir para a luz. Mas Jesus entra com a luz do seu amor e se senta com você. Talvez você ache estranha essa presença porque na sua vida nunca ninguém parou e ficou verdadeiramente com você. Ficando com você Jesus  cura as experiências de  abandono e desamor que você já viveu ou está vivendo. Abra a porta deste lugar escuro para que a luz de Jesus te ilumine. Nenhuma outra luz pode iluminar sua escuridão – e talvez você até já tenha buscado em outros lugares uma luz. Este lugar dentro de você não é um lugar para as pessoas entrarem, é o lugar de Deus,  o seu templo interior, onde o Senhor quer entrar e permanecer com você.

Oremos juntos:

     Jesus, dá-me a graça de abrir a porta do meu coração para o Senhor.  Jesus, estou tão acostumada a viver com medo, apegos, preocupação, desesperança e autodefesa, que já não sei pensar, sentir, viver, de forma diferente. Que a sua luz brilhe agora em meu ser profundo e transforme o meu pensar, sentir, agir. Senhor, eu quero entrar no lugar do teu repouso e quero que o meu coração seja também um lugar onde o Senhor possa ficar. Jesus, vem morar em mim. Fica comigo, Senhor, e transforme o meu ser. Quero respirar o ar novo do seu amor. Tocar o Senhor e me deixar tocar pelo Senhor. Caminhar, ser conduzida pelo Senhor no jardim da minha vida. Amém.

“Só em Deus minha alma está tranquila; dele vem a minha salvação”.
(Sl 62(61),2)

domingo, 16 de dezembro de 2012

O PÃO DO CÉU



     “Quem dera que tivéssemos morrido pela mão do Senhor no Egito, quando nos sentávamos junto às panelas de carne e comíamos pão com fartura! Trouxeste-nos ao deserto para matar de fome toda esta gente!... ‘Esse é o pão que o Senhor vos dá para comer’” (Ex 16,3.16).

Deserto do Sinai
     O povo no deserto murmurava contra Moisés e Araão – na verdade murmurava contra Deus que o tinha levado ao deserto. O deserto é um lugar solitário e desprovido de tudo, onde todas as nossas certezas e seguranças viram pó. Onde não se tem abrigo contra o calor do dia e o frio da noite. Mas Deus escuta a murmuração do povo e o socorre. Diante da revolta do povo, Deus, que conhece suas fraquezas, age com bondade, ternura e misericórdia: deu-lhes de comer o pão do céu.

      A humanidade hoje é faminta, do pão material – uma grande multidão passa fome – e do pão do amor. Muitos sentem uma necessidade que as vezes não tem, mas que nos são impostas pelos meios de comunicação que nos bombardeiam com seu apelo: compre, coma, beba, use... Há todo um marketing visando atingir as necessidades mais profundas do ser humano que é faminto por natureza. Aqui cabe uma pergunta: Por que somos tão famintos e insatisfeitos. Sto. Agostinho nos ajuda a compreender: “Fizeste-nos para ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em ti”. Fomos criados por Deus e para Deus e só Ele pode nos saciar plenamente.

   Jesus responde às nossas necessidades mais profundas: “Esforçai-vos, não pelo alimento que se estraga, e sim pelo alimento que permanece até à vida eterna. É este o alimento que o Filho do homem vos dará” (Jo 6,27). Deus ouve de tal forma as nossas preces que nos dá o verdadeiro pão do céu: a Eucaristia. Jesus se apresenta dizendo: “Eu sou o pão vivo descido do céu. Se alguém comer deste pão viverá para sempre. E o pão que eu darei é minha carne para a vida do mundo” (Jo 6,51).

      “Senhor, dá-nos sempre desse pão” (Jo 6,34). Eu quero o pão do céu! Quero viver em Cristo. Viver a vida nova em Cristo implica viver em uma batalha espiritual, contra o Maligno, o mundo e a força do pecado em nós (cf. Rm 7,14). Para viver em Cristo precisamos abandonar a nossa antiga conduta, despir a velha natureza, revestir-nos da mentalidade nova (cf.Ef 4,22-24). Isso é obra da graça, dom do Espírito Santo. Quando nos alimentamos diariamente da Palavra de Deus e da Eucaristia o Senhor vai nos transformando.

Vamos orar?

      Senhor Jesus, eu te ofereço o meu coração e peço que o Senhor conduza a minha vida; ela só terá significado pleno se o Senhor a conduzir. Sei que o Senhor quer o meu bem, a minha felicidade e por isto eu opto por te entregar a minha vida. Apesar dos meus desejos desordenados, condicionamentos, orgulho, egoismo, mentiras, acima de todas essas vozes está a escolha que faço pelo teu senhorio pleno. E quando faço esta escolha vejo que a tempestade dentro de mim, os pensamentos e sentimentos, se acalma. O Senhor é o meu porto seguro onde o barco da minha vida encontra abrigo e pode repousar. No teu coração amoroso, Jesus, são feitos os reparos dos danos causados pelos embates das ondas, do sol forte e das tempestades. Ó Vem Espírito Santo! Dá-me a graça de viver em Cristo, segundo o desejo de Deus Pai. Amém

domingo, 2 de dezembro de 2012

PRESTAR ATENÇÃO EM DEUS


     “Estai atentos para que o vosso coração não fique insensível por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e aquele dia não vos pegue de surpresa” (Lc 21,34).

       O mundo hoje nos oferece tantas distrações e tudo passa tão velozmente que é fácil ficarmos com o coração insensível para Deus e para os irmãos. Quem não tem fé olha para os acontecimentos a sua volta, para as injustiças,  misérias, doenças, desastres, e pensam que se Deus existisse não permitiria que essas coisas acontecessem. E para os que tem uma fé vacilante é grande o questionamento diante do mal no mundo e se perguntam: Deus não vê? Como Deus permite tanto mal no mundo? E o sofrimento dos inocentes?

      Mas quem tem fé presta atenção em Deus e à sua ação misericordiosa e salvadora em meio a tantos sofrimentos. E se perguntam: O que seria de nós sem Deus? Não temos resposta para esta pergunta, pois não temos como imaginar o que seria o mundo sem Deus. Como disse o apóstolo Paulo: “É nele que vivemos, nos movemos e existimos” (At 17,28).   O cuidado de Deus para conosco é tão grande, estamos tão imersos nele que, mesmo quem não crê em Deus, não poderia imaginar o que seria o mundo sem Ele, por nunca termos vivido esta experiência. O mundo sem Deus seria o inferno. A presença amorosa de Deus envolve o mundo como a atmosfera envolve a terra. Ele é o ar que respiramos, o fogo que nos aquece, o vento que nos refresca. Basta abrirmos os olhos e o coração e prestar atenção em Deus que é “mais íntimo de mim que eu mesma”.

     Deus criou todas as coisas e entregou a administração aos seres humanos. Com o pecado nós desviamos o projeto de amor do Pai e pensamos ser os senhores do mundo quando somos apenas administradores e um dia prestaremos conta da nossa administração. O poder pertence a Deus e Ele agirá. Se demora é porque Ele é paciente e espera nossa conversão. Mas Ele não se afastou do governo do mundo. Deus está conosco.

       Penetrar no conhecimento de Deus requer humildade, é para os pequenos, os pobres em espírito, para os que tem o coração manso e humilde. E a revelação do conhecimento do Pai passa por Jesus Cristo, pois só o Filho conhece o Pai (Jo 1,18). E Jesus se revela na Palavra – principalmente nos Evangelhos-, mas se revela também no íntimo do coração de cada pessoa que o busca e escuta, e nos pequenos acontecimentos do dia a dia. Precisamos nos abrir ao conhecimento de Deus, Ele sempre quer se revelar a nós, se comunicar conosco, basta abrirmos os olhos e prestar atenção em Deus.

“Grandes e admiraveis são as tuas obras, Senhor Deus todo-poderoso. 
Justos e verdadeiros são os teus caminhos, Rei das nações. 
Quem não temerá, Senhor, e não glorificará o teu nome? 
Porque só tu és santo. 
Todas as nações virão prostar-se diante de ti, pois tuas justas decisões se tornaram manifestas” 
(Ap 15,3-4).

domingo, 25 de novembro de 2012

DESEJO E SACRIFÍCIO



     “Portanto, irmãos, eu vos exorto, pela misericórdia de Deus, a que ofereçais os vossos corpos como sacrifício vivo, santo, agradável a Deus. Este é o vosso culto espiritual” (Rm 12,1).

      O culto espiritual que o Senhor deseja é fazermos sua vontade. Esta é a santidade de vida que como cristãos somos chamados a viver. Mas muitos se perguntam qual é a vontade de Deus. A Palavra nos diz que a vontade dele não está longe de nós (cf. Dt 30,11-14). Quando desejamos fazer a vontade de Deus geralmente pensamos em um projeto de vida. Este projeto de vida, este sonho, pode ser o desejo de uma consagração na vida religiosa, mas para a maior parte das pessoas é algo que nos parece natural como um casamento no qual se deseja a felicidade e crescimento do outro e não a busca egoísta da própria felicidade, ou realizar-se numa profissão na qual podemos testemunhar no mundo, ser sal, fermento e luz, fazendo o bem.

      Mas geralmente não pensamos que quando Deus olha e se agrada do nosso sonho e assume nosso sonho, nosso projeto, como sendo dele, entramos no sacrifício profundo de todo nosso ser, pois fazer a vontade de Deus sempre implica um sacrifício. É verdade que experimentamos a paz profunda que o mundo não pode dar, sentimos a realização como pessoa, mas vivemos em sacrifício. Quando isto acontece mesmo o projeto, o sonho que nos parecia tão atraente e desejado pode perder o gosto porque ele está sendo purificado para ser do agrado de Deus e se tornar não apenas um projeto nosso, feito do nosso jeito, mas um projeto de Deus.

      Diante do sacrifício podemos fazer duas coisas: aceitar o jugo da vontade de Deus, passar sob o cajado do Pastor ou reclamar, não aceitar o sacrifício da vontade própria, pensar que se enganou e desistir. A escolha é nossa, é na liberdade de filhos que devemos responder a Deus. Nosso sim precisa ser livre. Sabendo que o sacrifício aceito nos une ao Coração misericordioso de Jesus e nos leva a um grau de intimidade e de pertença a Deus nunca imaginado. Quando aceitamos a realização da vontade de Deus em nossa vida o Pai se alegra, pois encontra em nós a semelhança do seu Filho. E faz, com aqueles que aceitam ser sacrifício, uma aliança eterna de amor e misericórdia.

“Eu vos farei passar sob o cajado do pastor e vos farei entrar no vínculo da aliança” (Ez 20,37).
      Vínculo é algo que permanece. O vínculo entre nós e Deus foi feito no batismo e é vivenciado plenamente quando nos submetemos à vontade do Pai.

Se você deseja fazer a vontade de Deus peçamos juntos essa graça.

Vem Espírito Santo, gerar em mim um coração de filha, um coração semelhante ao coração de Jesus, dócil à vontade do Pai. 
Purifica os meus desejos, sonhos e projetos. 
Dá-me a graça de oferecer-me em sacrifício, sacrificando os meus ídolos, os desejos e motivações desordenadas e egoístas do meu coração, para realizar em minha vida o sonho, o desejo de Deus, para mim. 
Amém.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

O TEMOR DE DEUS



     “O temor do Senhor é glória e honra, é alegria e coroa de júbilo. O temor do Senhor alegra o coração, dá alegria, regozijo e vida longa. O temor do Senhor é um dom que dele vem e que se encontra nas veredas do amor”.  (Eclo 1,11-12).

       Fazemos a experiência do temor do Senhor quando nos damos conta de estarmos diante do Deus Santo, diante do qual tiramos nosso calçado, dobramos os joelhos, inclinamos a cabeça e nos rendemos. Mas esta rendição é uma rendição de amor porque Deus é amor. Quando ajoelhamos diante dele obedecemos a uma força que vem do nosso espírito rendido.

       Nos rendemos porque Ele é grande, Ele é santo, Ele é amor. E quando reconhecemos isto somos envolvidos pela onda de amor que dele vem. Neste momento vivemos a experiência de um peixe na água: a água é a vida para o peixe, ele se move na água, existe na água, se ela faltar ele morre. Assim devemos viver em Deus, como disse S. Paulo: “É nele que vivemos, nos movemos e existimos” (At 17,28).

O temor do Senhor: das trevas para a luz.
       Foi o amor de Deus que nos deu a vida e sustenta a vida em nós. Nós fomos criados por Deus para a felicidade; o temor de Senhor nos faz retornar à felicidade querida por Deus desde o princípio. O que um ser humano mais deseja é ser feliz, mas fora do temor do Senhor ficamos confusos, nos perdemos e confundimos prazer com felicidade. E a busca do prazer muitas vezes nos arruina e nos leva à morte.

       Deus é amor, Deus é felicidade. Quanto mais me aproximo de Deus e me deixo envolver por seu amor, mais encontro a felicidade. Pelo pecado a desordem entrou na natureza  humana, mas quando nos voltamos para o Senhor Ele vai nos regenerando e reeducando para a sabedoria de viver, a saúde, o equilíbrio, a felicidade. Isto é nascer de novo, ser nova criatura em Cristo Jesus, que “faz novas todas as coisas” (Ap 21,5).

 “Cantai a Deus um cântico novo, pois ele fez maravilhas” (Sl 98(97),1).

     Senhor, eis-me aqui. Quero cantar este cântico novo. Ponha este cântico em minha vida, minha boca e em meu coração. Este cântico é um cântico de paz, vida e alegria. Um cântico messianico que anuncia a vinda do Senhor Jesus. Como filhos de Deus nos levantamos em meio as dificuldades deste mundo como sinal de esperança, alegria e paz. Deus está conosco. Amém. Aleluia!