E o deserto florescerá!

E o deserto florescerá!

segunda-feira, 28 de julho de 2014

TUDO CONCORRE PARA O BEM

“Nós sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, dos que são chamados segundo seu desígnio”. (Rm 8,28)

      Como está palavra é animadora para nós, discípulas e discípulos de Jesus Cristo! Realmente nos conforta nas tribulações desta vida. Como é bom experimentar que o Senhor vai tecendo nossa vida para a salvação; Ele aproveita tudo para nos converter, exortar, animar, curar, libertar... Tudo concorre para o bem se meu coração for aberto para o Senhor, se desejo fazer, por amor, a vontade dele. Se permito que o Espírito Santo vá me transformando.

      Meditando nessa palavra olho para minha vida e vejo quantos erros cometi... quantos enganos e incapacidade de fazer o bem... Mas o Senhor em sua infinita misericórdia quer que eu acolha, abrace, ame, minha pequenez, pois, pela graça, tudo concorreu para o bem – do mal o Senhor tirou um bem. A graça de Deus é a flor que brota nos emaranhados da vida.

 Amar a pobreza, a limitação, a incapacidade, não é fácil. Vai contra o orgulho, a autossuficiência e o desejo de auto realização segundo os padrões do mundo. Amar minha pequenez, meus enganos e limitações, é um ato de conversão. Conversão do orgulho para a humildade e mansidão. É obra do Espírito Santo em nós, só alcançamos pela graça.

Oremos juntos

Vinde Espírito Santo! 
O Senhor que sonda as profundezas, que conhece o que está oculto em mim... 
Espírito da verdade, vinde! 
Minha alma tem sede de vós como a terra seca anseia pela chuva. 
Vinde Água Viva. 
Senhor que dá a vida. 
Vinde transformar tudo o que fiz, vivi, sofri... num bem, 
para a glória de Deus Pai. 
Amém

quarta-feira, 16 de julho de 2014

ESCOLHA E MISERICÓRDIA


      “Porque ele disse a Moisés: ‘Terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia. Terei compaixão de quem eu desejar ter compaixão’. Desta forma a escolha não depende de quem a quer nem de quem corre, mas da misericórdia de Deus” (Rm 9,15-16).

     Diante dessa palavra sinto desejo de dobrar os joelhos, curvar a cabeça, e acolher a bondade e misericórdia do Senhor. Que coisa admirável! Sempre me surpreende o modo como Deus age no íntimo do coração humano. Como ele escolhe muitas vezes o mais fraco, como ele entra na vida de uma pessoa criada num ambiente que aos nossos olhos é estéril e até hostil à graça.

     Meu irmão, minha irmã, a misericórdia de Deus nos envolve totalmente. Desde o ventre materno estávamos envoltos na misericórdia do Pai. Fomos gerados na misericórdia. E nunca fomos abandonados, pois a misericórdia do Senhor nos protegeu e conduziu por toda a vida. É verdade que às vezes nos afastamos dele. Pecamos, erramos, nos enganamos... Não prestamos atenção à sua presença em nossa vida. Mas a misericórdia do Senhor nunca nos abandonou. Fomos salvos, atraídos, curados, pelo amor gratuito de Deus. Tudo o que vivemos – as alegrias, os sofrimentos, os erros cometidos... - são transformados em experiência de amor pelo conhecimento de Jesus Cristo, nosso Senhor.

“Olhem os pássaros do céu: eles não semeiam, não colhem, nem ajuntam em armazéns. No entanto, o Pai que está no céu os alimenta. Será que vocês não valem mais do que os pássaros?” (Mt 6,26).



Vamos rezar juntos

Senhor Jesus, 
eu sou a ovelha perdida e um dia o Senhor saiu para me buscar. Eu te agradeço Senhor por teres me escolhido. O Senhor me encontrou, me pegou no colo, cuidou de mim, curou minhas feridas... Tudo o que tenho recebi do Senhor. Por isto eu vivo para o Senhor, em ação de graças.
       Hoje esta ovelha que era perdida permanece e se alimenta aos teus pés. Estando aos teus pés estou sob o teu olhar de amor que me cura e me revela quem sou eu. Estou ao alcance de suas mãos e sempre que quiser o Senhor passa suas mãos sobre mim. Outras vezes me toma no colo, me põe no teu peito onde posso ouvir as batidas do seu coração unido ao meu e escutar as palavras de sua boca. Obrigada Senhor. Amém


sábado, 21 de junho de 2014

A CRUZ E A GLÓRIA

“Disse-vos estas coisas para que tenhais paz em mim. No mundo tereis aflições. Mas tende coragem! Eu venci o mundo!  (Jo 16,33).

       Essa palavra de Jesus é um convite para ficarmos unidos à Ele, a estar no seu coração. Estar no coração de Jesus, ficarmos intimamente unidos a Ele, às vezes é doloroso porque partilhamos da sua cruz. Cruz do sofrimento, da solidão humana; cruz da purificação do pecado. Estar no coração de Jesus é sentir um pouco do que ele sentiu pela humanidade. Isto nos purifica da ilusão, da vaidade, do orgulho, do egoísmo, que matam nossa alma, nos afasta de Deus e das pessoas.

      Acontece que quando ficamos assim, unidos ao coração do Senhor, muitas vezes não sentimos a consolação dEle. Mas podemos ter a certeza da fé que Ele nos cobre com a sua mão, nos protege e nos livra do mal: “Mas eu serei para ela - oráculo do Senhor – uma muralha de fogo ao redor e no seu interior serei sua glória” (Zc 2,9). 
E quando nossas forças se esgotam Ele envia um anjo consolador para nos consolar – o mesmo anjo que O consolou no Getsêmani (Lc 22,43).

   
Imagem da internet
 A cruz não está separada da glória; na dor ressoa forte o convite à alegria: “Exulta, alegra-te, filha de Sião, porque eu venho para morar no meio de ti – oráculo do Senhor” (Zc 2,14). A dor de estar unidos ao sofrimento de Cristo é uma dor que gera alegria. É a dor do pecado, da realidade dura e sofrida da vida humana, é a dor da cruz em que o Senhor nos salvou do pecado e da solidão da morte: "Onde Está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?"
(1Cor 15,55).
 A salvação gera em nós a alegria que vem do Espírito Santo. Deus se alegra porque seus filhos que estavam dispersos foram resgatados.

    Compreender isto é compreender o caminho por onde o Senhor passa dentro de nós e em nossa vida. Esta realidade, esta experiência, vai muito além do que eu posso expressar com palavras...

Senhor, quando estou em seu coração sou profundamente ferida. 
Uma ferida de amor que só encontra consolo em Vós, pelo Espírito. 
Ó Espírito Santo, faça-me penetrar mais profundamente no mistério da vida, paixão, morte e ressurreição do Senhor Jesus Cristo.
Espírito Santo, conduza-me às profundezas da vida em Cristo, onde encontro a fonte de onde jorra a vida e a alegria. 
Minha alegria é estar perto de Deus, do Deus vivo. 
Aleluia, amém.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

RAÍZES E LIBERDADE

“Sai de tua terra, do meio de teus parentes, da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei” (Gn 12,1).
   
    Muitas vezes para realizar sua obra de amor e salvação em nós e através de nós, Deus precisa nos transplantar. Quer dizer que, como Ele fez com Abraão, precisa nos tirar de nossa terra, do meio familiar, e nos levar para terras distantes num projeto de amor e salvação para nós, e para nos usar como instrumento em suas mãos. 

    Às vezes isto é necessário, pois do contrário ficaríamos muito apegados às nossas coisas, nossos projetos e às pessoas queridas. Apegados à mesmice da vida, sem oportunidade de abrir a mente e o coração para a vontade do Senhor para nós. Apegamos-nos a limites estreitos demais, a um mundo pequeno...

     Como fez Abraão quando ouviu o chamado de Deus, o que importa é seguir Jesus sem olhar para trás, mas sem se esquecer de suas raízes. Fincados na terra de origem como base para nos lançarmos nos braços do Absoluto, pois foi lá que o Senhor nos chamou à vida, em uma família, em um tempo e lugar concreto da história. Jesus nunca deixou de ser reconhecido como Jesus de Nazaré, o filho do carpinteiro. Nós também precisamos ser reconhecidos, trazer em nós, cultivar e apresentar ao Senhor nossa família, nossas raízes, para sermos curados. Quanto mais me ligo sem apego, mais cresce o amor e a liberdade.

    Assim, consciente e em paz com nossas raízes podemos ser livres para seguir o Senhor com alegria. Quando compreendemos o projeto de Deus para nossa vida, tudo se encaixa, e vemos que tudo o que nos aconteceu e acontece – mesmo os erros e sofrimentos – contribuiu e contribui para o nosso bem no projeto de amor do Pai.

       Senhor, trago na sua presença as minhas raízes, minha árvore genealógica, todos os meus antepassados que me fizeram ser quem sou. Cura Senhor, os relacionamentos familiares, peço esta cura não só para mim, mas para todos os membros da minha família. Que na vida e no coração de todos eles seja abundante tua graça e paz. Que possamos viver reconciliados com o Senhor, conosco mesmo, com os familiares, com as pessoas e com a natureza. Realiza em todos nós seu projeto de vida e amor. Dá-nos força, alegria e esperança, para testemunharmos o teu amor e misericórdia, que experimentamos mesmo em meio as contradições, incoerências, pecados, perdas e desacertos da nossa vida. Amém.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

O PAI NOS PROCURA

"Mas o Senhor Deus chamou o homem e perguntou: ‘Onde estás?’ E este respondeu: ‘Ouvi teus passos no jardim. Fiquei com medo, porque estava nu, e me escondi’.” (Gn 3,9)

       Como uma criança que se solta da mão da mãe ou do pai no meio da multidão e se perde... é assim que nos sentimos em meio à agitação, e violência do mundo. Perdidos como criança no meio da multidão, buscamos um rosto conhecido, mas todos nos são estranhos. Que alívio, que alegria, que conforto e amparo, sentimos quando somos encontrados. 
    
     Assim somos nós quando nos afastamos de Deus, nosso Pai/Mãe. Afastamos por opção própria ou por não conhecê-lo. Quantos batizados não experimentam o amor do Pai, a salvação em Jesus, a consolação do Espírito Santo. Vivem assim porque não se interessam ou porque não receberam o anúncio, o querigma, verdadeiro. Como crianças num mundo hostil, temos medo, sentimos carência de amor, ficamos ansiosos, tristes e estressados. Esta situação pode nos levar a diversas doenças físicas e psíquicas.
“Adão, onde estás?”
      
     Muito antes de sermos gerados no ventre materno fomos gerados no amor do Pai. Quando nos afastamos o Pai nos busca como buscou a Adão na aurora da criação. Adão sentiu nedo porque estava nu. Muitas vezes fugimos e nos escondemos de Deus por causa da nossa nudez, do nosso pecado. Não compreendemos, não aceitamos, o amor apaixonado do Senhor, que não se cansa de perdoar.

      Refletimos na criança que se perdeu na multidão. Pensemos agora na mãe, no pai, que perdeu o seu filho. Quanta angustia...mais do que tudo a mãe, o pai, deseja ver o rosto do filho perdido. Com anseio muito maior que uma mãe ou pai humano, Deus Pai nos busca, vem ao nosso encontro, nos chama: filha, filho, onde estás? E quando ouvimos a sua voz e nos voltamos para Ele, nos deixamos encontrar... a mente humana não pode compreender a imensidão do amor e da alegria de Deus por encontrar a filha, o filho perdido. Jesus diz que “ haverá festa no céu”. Se o céu já é uma festa, como será uma festa no céu? S. Paulo nos fala:

 “Nem o olho viu, nem o ouvido ouviu, nem jamais penetrou no coração humano o que Deus preparou para os que o amam” (2Cor 2,9).

Senhor, Pai de amor e misericórdia, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.
Que busca os filhos perdidos com infinita ternura. 
Sua voz ressoa no mais profundo do nosso ser; 
nos chama: filha, filho. 
Temos medo, Pai, pois somos pecadores, o pecado nos afasta de Vós. 
Pai, que sua voz nos chamando ressoe no nosso coração, vontade e liberdade. 
Que nos deixemos encontrar pelo Senhor, fonte da vida, que tudo perdoa e cura. 
Que o Espírito de seu Filho clame em nossos corações: Abba, Pai. 
Amém


segunda-feira, 19 de maio de 2014

O TEMPLO INTERIOR

“Ao entrar no Templo, começou a expulsar os vendedores e disse: Está escrito: Minha casa será casa de oração, mas vós fizestes dela um covil de ladrões”. (Lc 19,45-46)

       Nesse texto Jesus expulsou os vendedores que profanavam o Templo com seu comércio. Nós somos o templo de Deus e muitas vezes profanamos ou permitimos que profanem nosso templo. No mais profundo do nosso ser há um templo interior, morada de Deus, local de adoração, onde somos saudáveis, onde sou verdadeiramente eu mesma. Este lugar é o meu coração, onde tomo as decisões mais profundas, lugar da fé, sacrário da alma, onde Deus habita.  

     Nosso templo interior, o ser profundo, foi purificado, santificado, no batismo. Se tornou casa de Deus, morada do Altíssimo, lugar de oração. Só eu, só você, tem a chave deste templo – o Senhor me confiou o cuidado dele. Mas quantas vezes abri as portas para os “pagãos” – pessoas que não o respeitaram, o profanaram, saíram e deixaram tudo revirado, roubaram algumas coisas, destruíram outras...

      Muitas vezes o Senhor mostrou-me que meu templo interior estava assim e pediu-me para fechar as portas, para recolher-me com Ele deixando-o curar o que foi ferido, arrumar o que foi desarrumado...

      Outras vezes abri a porta para o maligno, não vigiei, permiti que o tentador viesse colocar maus pensamentos que se tornaram sentimentos e ações.

   O Senhor nos pede vigilância sobre o nosso templo interior. Nele não pode haver ídolos, vendilhões ou profanadores – espirituais, emocionais, afetivos. Nele só pode reinar um Senhor:
“Que entre o rei da glória” (Sl 24,7).

Vem Senhor Jesus, Rei da glória, tome posse do lugar que é teu por direito. Fui comprada por um alto preço: o seu sangue. Fui purificada nas águas do batismo; regenerada pelo Espírito Santo. Eu pertenço a vós, Senhor. Dá-me sabedoria e discernimento para zelar pelo meu templo interior. Amém

domingo, 4 de maio de 2014

CHAGAS DE CRISTO, NOSSAS CHAGAS

    “Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos se alegraram ao ver o Senhor” (Jo 20,20).
   
Imagem da internet
 Quando Cristo ressuscitado apareceu aos discípulos mostrou as suas chagas, os sinais de sua crucifixão, para provar que era Ele mesmo. Jesus ressuscitado tinha uma aparência diferente, tanto que os discípulos custavam a reconhecê-lo, mas trazia em seu corpo glorioso o sinal das suas chagas. O Senhor ressuscitado é o crucificado!

    Também nós carregamos nossa cruz. A cruz dos sofrimentos, desamor, perdas, traumas, doenças, pecados, vícios... Às vezes ela se torna pesada, difícil de levar... em outros tempos ela se torna mais leve. Todos nós carregamos a cruz, mas o ser humano não foi criado para o sofrimento, por isto não aguentamos viver só na angústia, tristeza ou desespero. Então, mesmo no tempo em que a cruz se torna muito pesada a luz insiste em brilhar em nós; mesmo em meio aos sofrimentos temos alguma alegria, pois, se assim não fosse não aguentaríamos.

     Tudo o que nos aconteceu ou acontece nos marca, fica gravado em nós - marca nosso corpo e nossa alma. Se somos feridos no corpo quando a ferida é curada fica a cicatriz; assim também acontece com as feridas da alma: o Senhor nos cura, mas fica a cicatriz. Carregamos durante toda a vida os sinais das nossas chagas. E no dia eterno, quando ressuscitarmos definitivamente traremos em nós as marcas das nossas chagas, e poderemos dizer como o Senhor: “Vede minhas mãos e pés; sou eu mesmo!” (Lc 24,39).

     Mas, se trazemos em nós as marcas da cruz trazemos também as marcas do amor de Deus. E o amor é mais forte que qualquer sofrimento. Só o amor cura nossas feridas. O amor de Deus e o amor das pessoas. Por isto somos chamados a participar da missão curadora de Jesus. Jesus nos cura e nos envia para  sermos ministros de cura para os irmãos. Por amor.

    O Senhor nos convida a tomar nossa cruz e segui-lo decididamente. Ele ressuscitou, é o vencedor da morte, do pecado e do maligno. Se cremos em Jesus também nós ressuscitaremos com Ele para a glória de Deus Pai.

Ó Cristo ressuscitado, rei da glória! Cura as nossas feridas. Faz-nos renascer pelo Espírito Santo. Renova em nós todas as graças do batismo. Dá-nos a alegria da filiação divina, da força e consolação do Espírito Santo, da pertença à Igreja... Renova em nós a fé, a esperança e o amor. Amém.

“Vós me ensinais vosso caminho para a vida; 
junto de vós felicidade sem limites, 
delícia eterna e alegria ao vosso lado!” 
Sl 16(15),11