E o deserto florescerá!

E o deserto florescerá!

domingo, 17 de janeiro de 2016

SONDA-ME, Ó DEUS

    Porque a palavra de Deus é viva, eficaz e, mais cortante do que uma espada de dois gumes. Penetra até dividir a alma e o espírito as juntas e a medula. É capaz de julgar os pensamentos e intenções do coração (Hb 4,12).

      Duas belas realidades são colocadas lado a lado nesse versículo da Bíblia: A ação de Deus pela sua palavra, e o ser humano, a quem Deus fala. Refletindo sobre o ser humano podemos nos perguntar: Quem se conhece realmente? Quem conhece verdadeiramente outro ser humano? Quem pode medir sua alma? Como saber sua largura, profundidade e comprimento? Como saber verdadeiramente se está saudável ou doente? Quem é capaz de sondar as profundezas do ser humano?

      A resposta a todas estas perguntas é uma só: Deus. Só Deus conhece verdadeiramente o ser humano por Ele criado com amor. Nós muitas vezes nos esforçamos, até arriscamos a dizer como está nossa alma, mas na verdade  sabemos muito pouco. O que pensamos estar bem pode estar mal... Deus não usa os nossos critérios para medir: Pois os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, e os vossos caminhos não são os meus caminhos – oráculo do Senhor (Is 55,8).

     O que podemos ver dentro de nós? Talvez um tanto de abertura para Deus e as pessoas...  muitas cicatrizes das feridas da vida... desejo de paz, de justiça... feridas abertas, que ainda não foram curadas – algumas inflamadas... desejo de ir ao encontro, de festejar, de fazer o bem... desejo de ficar em silêncio, de contemplar a beleza... desejo de amar e ser amada. Mas podemos ver também raiva, mágoa, ressentimento, falta de perdão, desejo de vingança, orgulho, vaidade, arrogância, egoísmo... Luz e trevas, joio e trigo, estão plantados juntos dentro de nós.

     Podemos perceber que ainda há camadas e camadas do nosso ser que não vemos claramente... mas Deus vê. Estas zonas, obscuras para mim, estão cheias da misericórdia, do perdão e da graça de Deus: Exulta, alegra-te filha de Sião, porque eu venho para morar no meio de ti – oráculo do Senhor (Zc 2,14).

     O Senhor ti ama com amor eterno. O seu amor é suave; desce como um óleo finíssimo sobre as feridas do corpo, da alma e do espírito. Alivia as dores, cura o que está inflamado, unta as cicatrizes, desce até o mais profundo do ser. E se espalha como chuva benfazeja sobre a terra árida. Só o amor de Deus pode nos curar assim, tão profundamente.

    O fogo dos acontecimentos da vida passa sobre nós e nos arrasa. O amor de Deus vem sobre nós e nos cura, nos dá vida nova. Não importa o quanto pecamos ou fomos feridos, não há nada impossível para Deus, nada que o Senhor não possa perdoar e curar.
                      
    O Amor veio até nós na pessoa de Jesus de Nazaré, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Ele fez-se igual a nós em tudo, menos no pecado (Hb 4,15). Veio para nos salvar. Nos amou com o amor do Pai, no Espírito Santo. Diante dele todo joelho se dobra. Jesus Cristo é o Senhor para a glória de Deus Pai (Fl 2,10-11).

Meu Senhor e  meu Deus, 
eu preciso de vós como do ar que respiro. 
Como viver longe da tua face? 
Tua presença é vida, se a retiras, volto ao pó. 
Um minuto na tua presença vale mais que anos longe de vós. 
O Senhor me sustenta com seu amor e misericórdia. 
Por isto peço: Vem, Espírito Santo! 
Vem, ó Senhor que dá a vida, doce hospede da alma, vem fazer morada em meu coração. 
Vem me curar e dar uma vida nova em Cristo Jesus. 
Amém.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

UM LUGAR DE PAZ

       Às vezes estamos tão envolvidos na correria e barulho do mundo que não percebemos ou nos esquecemos de que de tempos em tempos precisamos quebrar a rotina, sair no nosso lugar de conforto. Pensamos: estou bem aqui, e  todos os lugares são iguais. Mas desde o Antigo Testamento o povo de Deus foi chamado a se retirar a lugares especiais, lugares de peregrinação, em busca de Deus, de si mesmo e do encontro com o outro. Para não nos alongarmos pensamos aqui como lugar especial para os hebreus o monte Sinai ou Horeb (cf. 1Rs 19,8), e Jerusalém. Jesus, como era costume do seu povo, fazia a peregrinação anual a Jerusalém: Todos os anos, na festa da Páscoa, seus pais iam a Jerusalém. Quando ele completou doze anos, subiram a Jerusalém segundo o costume da festa (Lc 2,41-42).
            
          Os Evangelhos nos falam também de outro lugar onde Jesus se retirou para orar. Era costume de Jesus se retirar para orar. Então, por que esse lugar se tornou especial? Por causa do mistério que aconteceu nele: a transfiguração do Senhor. Um dia o Senhor Jesus chamou seus amigos para sair da agitação e solicitação do povo e se retirar com ele a um lugar afastado, um lugar que reconhecemos como um lugar de paz, pois a paz foi o fruto daquela noite de oração.

   ... Jesus tomou consigo Pedro, João e Tiago e subiu ao monte para orar. Enquanto orava, seu rosto mudou de aparência, suas vestes ficaram brancas e resplandecentes (Lc 9,28).

     Muitas vezes nós também sentimos o desejo de peregrinar a algum lugar – perto ou longe - para sair de nós mesmos, deixar o egoísmo, despojar-se, se por a caminho, num sinal que esta vida é uma peregrinação. Esse lugar pode ser um santuário religioso, um retiro de final de semana, uma visita a um hospital, ou simplesmente uma caminhada pela mata... Tudo o que nos leva ao encontro do outro e a fazer o bem. Mas não adianta ir em peregrinação à algum lugar se não fizermos a peregrinação dentro de nós mesmos, no desejo de nos encontrarmos com Deus.
     

    Se você sente em seu ser um desejo de algo mais, se as coisas do dia a dia não saciam mais sua alma, se o seu olhar se volta para o alto com sede e desejo do infinito, você está pronto para ouvir o chamado: “Vem”. O Senhor Jesus te chama como chamou Pedro, Tiago e João, para subir o Monte Tabor.

   Se você aceita o convite, caminha com eles durante a noite e se esforça para manter os seus passos seguindo os passos de Jesus. Ao subir o monte vem à sua mente uma revisão de vida – o bem que fizemos... o os erros que  cometemos... Suas necessidades, fraquezas, dons, sonhos, vitórias, derrotas... Todo o mosaico da nossa vida passa pela mente em pedaços maiores ou menores, segundo sua importância. A subida deixa a respiração ofegante...  Não importa. O importante é prosseguir.

       Enquanto subimos vamos descortinando um cenário diferente. Nossos olhos se acostumam com a tênue claridade da noite e podemos ver melhor – o contorno das colinas e das árvores, o céu cheio de estrelas...

      Há quanto tempo eu não vejo o céu estrelado? Há quanto tempo tenho me deixado endurecer pelas inquietudes da vida? Há quanto tempo tenho me fechado para o outro? Há quanto tempo tenho me fechado para a novidade da graça de Deus?

     A poluição, o barulho, as luzes da cidade, o ritmo frenético da vida moderna facilmente nos afastam do contato com Deus, conosco mesmo, com o outro, com a natureza. Hoje o Senhor vem nos reconectar com as coisas simples da vida, nos convida a subirmos o monte e olharmos para o alto.

Senhor Jesus, tu és a nossa paz! Entre agora no mais intimo do meu ser e me dê a tua paz. A paz que o mundo não pode dar. A paz que permanece em nós mesmo nos momentos de sofrimento, perdas, doenças... Ó Cristo Senhor, nossa paz. Aquieta o meu coração e minha mente. Dá-me repouso, consolo, abrigo, nos desafios da vida. Guardai-me no teu coração, meu Senhor e meu Deus. Amém.

domingo, 25 de outubro de 2015

CONSOLAÇÃO NOS SOFRIMENTOS

     “Consolai, consolai meu povo!” Diz o vosso Deus. “Falai ao coração de Jerusalém e lhe gritai: Terminou o tempo de seu serviço, foi saldado o débito da sua culpa; ela recebeu do Senhor o dobro por todos os seus pecados!” (Is 40,1-2).

    Nossa vida é profundamente marcada pelo pecado, muitas vezes fazemos o que não queremos e nos ferimos. Isto causa grande sofrimento. Sofrimento por nossas perdas, pelo que a vida e as pessoas nos fizeram, pelo que acontece com as pessoas queridas, pelo que acontece ao nosso redor, num mundo em convulsão. O sofrimento é uma realidade em nossa vida. Não gostamos de sofrer, mas não temos como fugir dele. A palavra de Deus nos traz um anúncio de consolação, pois quem está sofrendo necessita de consolo.

Como lidar com o sofrimento?

     O importante não é o sofrimento, mas a resposta que damos a ele. Diante do sofrimento podemos reagir com angústia profunda que amarga o coração. A angústia gera amargura, amargura gera ressentimento, o ressentimento gera resistência à graça de Deus, à consolação do Espírito Santo. Se vivemos assim somos dominados pelo medo. Medo de novas perdas e de mais sofrimento.

       Uma voz clama: “Abri no deserto um caminho para o Senhor, nivelai na estepe uma estrada para nosso Deus! Todo vale seja aterrado e todo monte e colina sejam abaixados. O terreno acidentado se torne em planície e as escarpas se transformem em amplo vale! Então a glória do Senhor se manifestará, e toda criatura humana verá: foi a boca do Senhor que falou!” (Is 40,3-5).

   Outra resposta que podemos dar é nos abrirmos para a graça de Deus e aceitar o processo de crescimento que Ele quer fazer em nós. A consolação que vem pela misericórdia de Deus abre um caminho no deserto do nosso coração. Não qualquer caminho, mas um caminho para o Senhor. Aterra os vales da angústia e do medo. Abaixa os montes e colinas do orgulho e egoísmo.
   
  Pela consolação do Espírito Santo o sofrimento pode se tornar um serviço ao mundo, um serviço de misericórdia.  Misericórdia para comigo mesma, por meus eganos e pecados. Misericórdia para com os outros. Misericórdia para com a imensa multidão de doentes e sofredores. Uno o meu sofrimento ao sofrimento de Jesus Cristo e participo do cálice de sua misericórdia. Eu me torno consolação.

    Para recebermos a consolação de Deus precisamos desapegar-nos do nosso sofrimento. Às vezes estamos tão doentes e carentes que nos apegamos ao sofrimento como forma de reconhecimento da nossa força e valor. Quando isso acontece de alguma forma recebemos uma consolação de nós mesmos, mas é uma consolação que não gera vida, não nos liberta. A consolação verdadeira é uma graça de Deus. Não depende do nosso esforço. Vem do amor do Pai revelado em Jesus Cristo pelo Espírito Santo. Podemos rezar como o salmista
Teu amor seja meu consolo, segundo a promessa feita a teu servo! 
(Sl 119(118), 76).

    Senhor, nosso bom Deus, de quem flui toda graça e misericórdia. 
Olha compassivo para nossos sofrimentos, cura nossas feridas, consola-nos nas perdas e no luto. 
Que transborde em nossos corações o teu amor que tudo perdoa, tudo cura e vai muito além do que possamos imaginar, regenerando nossas vidas. 
Que venha sobre nós a consolação do vosso Espírito de Amor. 
Faz-nos beber da fonte de misericórdia que jorra do lado aberto de Jesus, vosso Filho amado. 
Senhor, Deus da vida, encha o vazio do nosso coração com o seu amor.
Amém.

sábado, 12 de setembro de 2015

A FONTE NO DESERTO

   “Se alguém tem sede venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior correrão rios de água viva” (Jo 7,37-38).

Às vezes fico cansada e sinto o meu coração semelhante a uma terra seca. 
Você também se sente assim?

Pois bem... Quando estou assim busco refugio na oração. E quando começo a prestar atenção à presença de Deus, que sempre vem ao meu encontro, gosto de contemplar a imagem de gotas d’água que caem no solo ressequido. Se continuar prestando atenção a essa água enquanto vou orando, vejo que as gotas de água ao cair no solo do meu coração tem um efeito multiplicado, elas molham muito mais do que aparentemente molhariam. Assim é a água viva do Espírito Santo, basta algumas gotas para regar o solo ressequido do nosso coração. Banhando mesmo os lugares mais escondidos e mais secos do nosso interior; trazendo vida ao que está morto, esperança onde há desespero, paz onde há inquietação, alegria onde há tristeza. 

    Se perseverarmos veremos que o Senhor nos convida a entrar no deserto como alguém que passou pelo fogo e pela água. Alguém que tocou as profundezas da natureza humana e experimentou a beleza, mas também o limite e a fraqueza do ser humano. Entramos no deserto porque o Senhor nos chama, chama para o combate espiritual e o abandono nele. Pois só o abandono em Deus torna o nosso deserto fecundo.

    Ao longo da vida somos pouco a pouco conduzidos ao deserto. O deserto belo e horrível. Belo porque nos convida a aproximarmos mais de Deus, ouvir a voz do Senhor nos convidando a ir além, a ficar com Ele, a ser só dele. Horrível porque o deserto nos leva por um caminho que não é da nossa escolha. Um caminho de desapego, de perdas... A um encontro comigo mesma na realidade do sol do meio dia, quando todas as ilusões são desfeitas e fica só a realidade da fragilidade da vida. Mas no deserto se levanta radiosa a face de Deus.

Este é o Deus que me salva, confiarei e não terei medo, porque minha força e meu canto é o Senhor! Ele se tornou a minha salvação. Tirareis água com alegria das fontes da salvação (Is12,2-3).

      Amados, muitas vezes a vida se torna um deserto e sem querer nos vemos caminhando nele. O sol é forte e não há uma sombra para nos abrigar. A areia quente queima os pés, a pele fica ressecada, o ar é abafado dificultando a respiração. Olhamos para os lados e só vemos a desolação da areia até onde a vista alcança. O caminhar é árduo, é difícil mudar o passo, e continuar a jornada...  Mas podemos sempre levantar os olhos para o céu de onde vem o socorro e pedir:

Vinde Espírito Santo! 
Eu tenho sede. 
Minhas forças se esgotam. 
Não sei onde encontrar água nesse deserto. 
Vinde Espírito Santo! 
Preciso do Senhor como do ar que respiro. 
Vinde sopro de Deus. 
Faça-me encontrar o poço no deserto. 
Conduza os meus passos. 
Quero sentar a beira do poço, retirar água, refrescar minha cabeça e minha alma, banhar os meus pés feridos pelo longo caminhar. 
Descansar. 
Ser renovada pela água fresca. 
E ali, em pleno calor do meio dia, encontrar o Senhor. 
E no encontro com Jesus ser curada, consolada, animada, enviada para a vida, continuando o caminho com um olhar novo. 
E com o olhar com que o Senhor me olhou olhar as pessoas e o mundo. 
Enviada para a missão, para anunciar: “Eu vi o Senhor!” 
Enviada para fazer o bem, manifestar a misericórdia de Deus neste mundo. 
Pois encontrei a fonte no deserto. 
Minha sede foi saciada...
Obrigada Senhor!

domingo, 23 de agosto de 2015

PRESENÇA E AUSÊNCIA DE DEUS


“Deus é para nós refúgio e força, um auxílio sempre disponível na angústia” (Sl 46(45),2).
    
      Todos nós, discípulos do Senhor, experimentamos que nosso caminho é marcado pela presença e ausência de Deus. Em muitos momentos da vida experimentamos que o Senhor está presente, tão real e verdadeiro... Mas em outros momentos parece que se esconde e nos deixa lutar e caminhar sozinhos. No primeiro retiro que fiz ouvi o pregador falar isso e não esqueci. No final do retiro, nos preparando para a vida no seguimento de Jesus, ele desenhou uma linha sinuosa no quadro e nos falou que na caminhada do dia a dia experimentaríamos a presença e ausência de Deus. Mas, explicava ele, quando parecia que o Senhor se escondia era para que, com saudades dele, o procurássemos com mais ardor. 

     Podemos ver a presença forte de Deus ao nos dar a vida. Ele desejou que eu e você existíssemos desde antes da criação do mundo (Ef 1,4). Quando estávamos no ventre materno, quando nascemos e o ar entrou em nossos pulmões pela primeira vez; nos perigos e doenças na primeira infância, nas brincadeiras de criança, nos desafios da vida escolar; na adolescência quando firmávamos nossa identidade, descobríamos o mundo e muitas vezes nos aventuramos em caminhos perigosos; na juventude e na idade adulta quando achamos que éramos os donos da vida e tudo podíamos fazer... De tantas formas o Senhor nos protegeu, livrou dos perigos, livrou da morte e do maligno. E às vezes nem percebemos que era Ele nos salvando.

     Muitos de nós tivemos uma experiência marcante com Deus. Como ouvi alguém dizer: “topamos com Jesus”. Olhando para trás em nossa história podemos perceber que passamos e vencemos coisas que não teríamos suportado ou vencido se Alguém mais forte não lutasse por nós e nos carregasse no colo.

     Amados, podemos ter a certeza de que Deus sempre está conosco, mas nós nem sempre estamos com Ele. Falando conosco ou se calando, lutando por nós ou nos dando força para lutar. Agindo visivelmente ou não, Deus sempre está conosco. Jesus é o Emanuel, Deus conosco (Mt 1,20-23). Ele quer entrar definitivamente em nossa vida, nos dar o seu Espírito e viver em nós, para a glória de Deus Pai.  

     Senhor Jesus Cristo, bom pastor, abra os meus olhos para ver a vossa presença em minha vida e na vida dos meus irmãos. Feche os meus olhos e meus ouvidos para a curiosidade de muito ver e ouvir. Muito do que vejo e ouço trazem a poluição, o barulho, a dispersão, a violência e os maus desejos do mundo para dentro de mim. E todo esse barulho me impede de ouvir a tua voz e de ver os sinais da tua presença conosco. Vem Espírito Santo sintonizar o meu ser com a vontade do Senhor. Amém.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

ENCONTRO COM DEUS

     Mas o Senhor Deus chamou o homem e perguntou: “Onde estás?” E este respondeu: “Ouvi teus passos no jardim. Fiquei com medo porque estava nu, e me escondi”. (Gn 30-10).

    Quando medito neste texto sempre fico pensando como seria a história humana se Adão não tivesse se escondido de Deus. Se diante da pergunta ele apenas se apresentasse ao Senhor com sua realidade: “Estou aqui! Desobedeci ao Senhor, mas estou aqui com o meu pecado, porque confio em Vós”. Sim, Adão poderia dizer isso porque conhecia Deus, passeava com Ele à brisa do dia.

   O que seria a história humana se a resposta tivesse sido diferente nunca saberemos. Minha pergunta ficará sem resposta. Mas a história não para em Adão; a história continua e a pergunta continua esperando uma resposta. Hoje o Adão sou eu, é você. Hoje, o Pai nos procura e pergunta: “Onde estás?” Como Adão eu desobedeci a Deus. Minha vida é marcada por muitos e graves pecados.  Como São Paulo, reconheço que age em mim uma força que me escraviza: Não consigo entender o que eu faço, pois não faço aquilo que eu quero mas aquilo que detesto” (Rm 7,15).

    Hoje, diante de Deus que me busca com amor apaixonado, preciso dar uma resposta a sua pergunta: “Onde estás?” E eu preciso escolher. Posso dizer simplesmente: Eis-me aqui, com os meus pecados, porque confio em vossa misericórdia. Ou posso me esconder por medo ou rebeldia, por não querer mudar de vida. Sim, mudar de vida, pois se encontro o Senhor que me ama, se me apresento a Ele com minhas feridas e pecados, terei que endireitar os meus passos na direção do Senhor. É impossível contemplar a face de Deus e não mudar de vida. Fazer diferente, querer levar uma vida dupla, dizer sim a Deus e me apegar aos meus pecados seria hipocrisia. E viver na hipocrisia é como comer vidro moído, nos corrói por dentro até não restar mais nada. Nosso estado fica pior do que antes de encontrar o Senhor (Cf. Hb 6,4-6). 

A lei do espírito da vida em Cristo Jesus te libertou da lei do pecado e da morte (Rm 8,2).

    Então, quando nos apresentamos a Deus com nossos pecados dizendo “aqui estou”, revestidos não dos nossos méritos, mas do sangue de Jesus Cristo, o Pai nos vê através do Filho. E Ele se comove com entranhas de misericórdia por nossas fraquezas. O preço pago por nós é o sangue de Cristo, derramado na cruz. Nosso mérito é o sangue do Cordeiro imolado. E ao nos olhar através do Filho crucificado o Pai nos perdoa e acolhe. Mais ainda, nos dá o Espírito Santo que nos faz retornar a amizade com Deus. Podemos outra vez passear com Ele à brisa do dia. Filhos no Filho – nosso senhor Jesus Cristo.

    Senhor, ajuda-me a alcançar o que o Senhor sonhou para mim. Não quero mais levantar barreiras para sua graça. Vem Espírito Santo, inunde o meu ser. Lava o que é impuro, amoleça o que está duro, santifica-me. Faz-me voltar para “o sol da justiça que traz a cura em seus raios”. Dá-me fome e sede de Deus. Leve-me a contemplar as estrelas, alargar meus horizontes. Liberta-me do orgulho, do egoísmo e do fechamento em mim mesma. Conduze os meus passos no caminho de Jesus, para o Pai. Amém. 

domingo, 26 de julho de 2015

DEUS É BELO!

    Outro dia conversando com amigos um deles falava que nos esquecemos da beleza como atributo de Deus. Realmente. Geralmente glorificamos a Deus por sua bondade, seu poder, sua misericórdia, mas nos esquecemos de que Deus é belo. A beleza de Deus é o pano de fundo da Sagrada Escritura. Do Gênesis, narrando a beleza da criação, ao Apocalipse, descrevendo a beleza do céu. E por ser belo Ele criou e cria coisas belas. Deus é o fundamento de toda beleza – tudo o que é belo traz em si um pouco da beleza do Criador.   
        Vemos esta beleza na natureza - nas flores, nas águas, nas pedras, nos montes, nos animais, no sol, na lua, nas estrelas, no céu azul, nas nuvens, no raio e no trovão, e na terra – nossa casa azul. Vemos a beleza de Deus, sobretudo no ser humano, criado à imagem e semelhança do Criador: Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou, homem e mulher ele os criou  (Gn 1,27).
A obra prima de Deus
  No recém-nascido, no sorriso de uma criança, nos jovens, nos adultos, nos anciãos. Cada um tem sua beleza própria em cada fase da vida. E que beleza existe nos gestos de bondade, no colocar-se junto ao necessitado, no cuidado aos enfermos, na comida saborosa preparada com amor, na convivência com a família e amigos, enfim, nas pequenas coisas que fazemos, às vezes distraidamente, no dia a dia.
Tudo isto vem de Deus que é belo e nos comunica sua beleza. 
 
    Na construção de belas igrejas nossos antepassados louvavam a beleza de Deus dando a Ele o melhor que possuíam.

     Infelizmente a cultura moderna buscando a beleza em si mesma, fez dela um ídolo e se tornou escravo, pois todo ídolo escraviza. Colocou a beleza em padrões – é belo o que os formadores de opinião, as novelas, os modismos, dizem que é. Isso empobreceu a vida e nos fez perder o olhar de encantamento e saborear a beleza que enche o Universo e nos é comunicada pelo Espírito Santo: Porque o espírito do Senhor enche a terra (Sb 1,7).

     Amado, amada, um dia Deus sonhou com você e te criou belo. E sua beleza se revelará plenamente na santidade: Ele nos escolheu em Cristo antes da constituição do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele no amor (Ef 1,4). Não tenhas medo de Deus. Não tenhas medo de romper com os padrões deste mundo e viver a santidade. O inicio está na beleza de Deus e durante a vida caminhamos para o encontro com a plenitude da beleza. Para Deus.

Senhor, nosso Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. 
Nós vos pedimos, purifique nosso olhar, nossos pensamentos e sentimentos para que possamos ver a sua beleza presente em toda a criação. 
E que possamos ser mensageiros da vossa beleza no mundo. 
Pedimos, ó Pai, que em nosso coração transborde a consolação do Espírito Santo que nos revela e enche da vossa beleza. 
Que possamos, como Jesus, contemplar as aves do céu, a semente que germina na terra, as flores do campo, o pão que fermenta e cresce, a simplicidade dos pequeninos, a beleza do ser humano. 
Por Cristo nosso Senhor. 
Amém.