E o deserto florescerá!

E o deserto florescerá!

sábado, 30 de julho de 2011

A ESPERANÇA

        “E a esperança não engana, pois o amor de Deus se derramou em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi dado”. (Rm 5,5).

    Num mundo cheio de tantas discórdias, violência e guerras, onde somos bombardeados a todo momento com más notícias, muitas vezes somos atacados pela desesperança. Você talvez já tenha dito ou pensado: esta ou aquela situação não tem mais jeito. Vendo diariamente tantas coisas ruir em nossa sociedade, ficamos inseguros e percebemos que o medo muitas vezes se tornou nossa companhia constante. Na vida pessoal vivemos relações descartáveis e nos perguntamos se podemos confiar em alguém. Com o medo vem a ansiedade, a agressividade, e, em tal situação, tantos sofrem com a depressão.

    Diante desse quadro nos voltamos para a Palavra de Deus que nos diz: “a esperança não engana,...”.  E não engana porque sua base é o próprio Espírito de Deus que enche o universo.  E nos garante que não precisamos ter medo porque não estamos sós.

     Mas vezes não sabemos esperar, pois colocamos nossa esperança em algo ou em alguém, ou ainda na mudança de uma situação. Neste caso a esperança pode ser falsa, ilusória. Como viver a esperança? Como ser portador da esperança? Em quem esperar? 

    Esperamos e confiamos no amor de Deus. Deus me ama, Deus te ama. Esta é a razão da nossa esperança. Tanto nos ama que nos deu o Espírito Santo – o amor do Pai e do Filho – que habita no mais profundo do nosso ser. Nossa alma é morada de Deus, sacrário do Deus vivo. Eis a razão da nossa esperança! Se Deus nos ama assim como não nos dará tudo o que precisamos? Não tudo o que queremos, mas tudo o que precisamos.

    Para alcançar o que esperamos precisamos fazer o exercício de nos desprender do objeto esperado. Quando nos desapegamos do que desejamos – e as vezes desejamos tão ardentemente que ficamos cegos – e colocamos a esperança em Deus que nos ama, nossa esperança será frutuosa e o coração ficará cheio de paz.

   Hoje como nunca encontramos pessoas com depressão. Ela desgasta as forças, trazendo um grande cansaço de viver. A esperança é uma força na depressão e coopera na sua cura. Mesmo no vale escuro da depressão levante seu olhar para Deus, mesmo se não conseguir falar nada com Ele. A  esperança que é derramada em seu coração é o sinal de que o Senhor  caminha com você pelo vale escuro.

      Senhor Jesus, hoje,  eu tomo posse  dessa Palavra: “a esperança não engana”. Liberta-me, Senhor, da desesperança. Por misericórdia, cure a tristeza, a melancolia, a depressão, que vem me abater. Renove em mim a força vital, a alegria de viver. Mesmo quando passo  “pelo vale da sombra da morte”, dá-me o dom da fé, a graça de crer que o Senhor está comigo. Ó divino Espírito Santo, penhor da nossa esperança, encha-nos do amor de Deus. Amém.

domingo, 24 de julho de 2011

O JOIO E O TRIGO


       “O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente em seu campo. Mas, enquanto todos dormiam, veio seu inimigo, semeou uma erva daninha, chamada joio, entre o trigo e foi embora. Quando o trigo germinou e fez a espiga, apareceu também o joio. Então os escravos do propietário foram dizer-lhe: ‘Senhor, não semeaste semente boa em teu campo?Donde vem, pois, o joio?’ Ele respondeu: ‘Foi um inimigo que fez isso’. Os escravos lhe perguntaram: ‘Queres que vamos arrancá-lo?’ Ele respondeu: ‘Não, para que não aconteça que, ao arrancar o joio, arranqueis também o trigo. Deixai crescer até à colheita. No tempo da colheita direi aos que cortam o trigo: ‘colhei primeiro o joio e atai-o em feixes para queimar; depois recolhei o trigo no meu celeiro’”. (Mt 13,24-30)

       O Reino de Deus está presente e acontece em meio à contradição deste mundo. Muitas vezes pensamos que as coisas de Deus são separadas do mundo, mas Ele não quiz assim. Jesus “armou sua tenda no meio de nós” e viveu plenamento o que significa ser humano: “...passou pelas mesmas provações que nós, com exceção do pecado”  (Hb 4,15).

       A Palavra de Deus é o trigo semeado. Onde ele é semeado? Primeiramente no coração humano. Jesus nos fala da contradição do joio semeado junto do trigo para que tomemos consciência de que sempre haverá o joio. As vezes pensamos que o nosso amor a Deus e aos irmãos e as nossas ações devem ser puras, isto é, sem nenhum joio, e que em nós haja apenas trigo. Mas é impossível para nós, homens e mulheres, cuja natureza é pecadora, ter um amor ou ação totalmente puros. Deixar crescer junto o joio quer dizer acolher nosso ser inacabado e incoerente, e, a partir do reconhecimento humilde de nossa realidade, deixar que o Espírito Santo vá nos purificando, ou seja, arrancando o joio.

     Além do joio semeado em nosso coração há o joio semeado no mundo, na sociedade em que vivemos e que nos afeta. É algo que vem de fora, mas se não vigiarmos na oração pessoal, na participação na comunidade, na escuta e vivência da Palavra de Deus, entrará em nós e sufocará o trigo semeado pelo Espírito Santo. E Jesus nos alerta que o joio foi semeado pelo inimigo. Fiquemos atentos. O inimigo é inimigo. Quer a nossa destruição, nos odeia, deseja arrancar o que foi plantado por Deus. As vezes se disfarça em bem querendo se parecer com o trigo, mas, não se engane, ele quer a nossa perdição.

      Como me conduzir se trigo e joio crescem juntos? A solução está em nos aproximarmos cada vez mais de Deus com um coração sincero, sem disfarces. Entregar-me ao Senhor e deixar que Ele mesmo arranque o joio semeado pelo maligno. E o melhor modo de se aproximar de Deus é cultivar um relacionamento íntimo com Ele na oração pessoal, onde abro o meu coração para Jesus entrar (Ap 3,20), na a leitura orante da Bíblia ouço a direção de Deus para mim, e sou curada no amor misericordioso do Pai, e celebrando a ação de graças, a Eucaristia.

       Senhor, eu te apresento o campo do meu coração onde o Senhor mesmo semeou a boa semente de trigo que germinou abundantemente. Mas veio o inimigo e semeou a erva daninha que cresceu e ameaça sufocar o trigo. Jesus, vem cuidar deste campo que é teu. Vem, divino semeador, arrancar o joio e adubar o trigo. Dá-me um coração dócil que permita ao Senhor arrancar o joio. Tira a venda dos meus olhos que me impede de ver como o joio tem crescido em minha vida. Não permitais, meu Deus, que eu me afaste de vós. Dá-me gosto pela oração e amor pela tua Palavra. Amém.


domingo, 17 de julho de 2011

A ALIANÇA COM DEUS

“O Senhor se lembra sempre da aliança...” (Sl 105(104), 8).

       A primeira aliança que Deus fez com o ser humano aconteceu na criação, nos criando à sua imagem e semelhança e dando ao ser humano o cuidado, o governo do mundo criado (Gn 1,26). Fez aliança com a humanidade através de Noé salvo do dilúvio abençoando a terra (Gn 9,9-17).  Fez Aliança com um povo através de Abraão; essa aliança incluia a descendência familiar e a posse da terra (Gn 15,18). Depois renovou a aliança dando a esse povo uma  Lei por meio de Moisés (Ex 24,7-8).

        Mas a Aliança nova e definitiva foi feita em Jesus Cristo por sua Encarnação, Paixão, Morte e Ressurreição: “Este cálice é a nova aliança em meu sangue, derramado por vós” (Lc 22,20). Essa aliança não foi feita com sangue de touros e bodes como no tempo de Abraão ou de Moisés, mas foi feita no sangue do Cordeiro de Deus, derramado por nós na Cruz. “O Senhor se lembra sempre da aliança”. Diante dos olhos do Pai está sempre o sacrifício do Filho, e quando nos colocamos aos pés da cruz o Pai nos vê através do sangue de Jesus. Por isto somos tratados com misericórdia por Deus.

       Em Jesus Cristo, Deus fez aliança pessoal conosco através do batismo, nos dando o Espírito Santo, o Espírito do seu Filho. Somos de fato filhos amados de Deus Pai, em Jesus, pelo Espírito Santo (Rm 8,15-16). A aliança realizada no batismo é alimentada na Eucaristia quando o próprio Deus se dá a nós como alimento e remédio, vem morar em nós, ser conosco, nos cristificar. Como dizia Santo Agostinho: “Deus é mais íntimo a mim do que eu mesmo”.

       Deus é fiel e não quebra a aliança, mas nós muitas vezes somos infiéis e nos esquecemos que saimos de Deus e para Deus voltaremos. Quebramos a aliança ou nem temos consciência da existência dela. Diante da aliança de amor que Deus fez conosco fica a pergunta: Eu tenho sido fiel a aliança que fiz com Deus pelo meu batismo?

Na nossa fraqueza peçamos o auxílio do Espírito Santo:

       Vinde Espírito de amor, vinde sobre nós. Enchei os nossos corações com o amor de Deus. Perdoa os nossos pecados, perdoa-nos por termos quebrado a aliança, por não termos feito caso dela.  Dá-nos um coração dócil, temente a Deus, que O ame sobre todas as coisas. Dá-nos a graça de sermos fiéis ao nosso batismo. Vinde Espírito Santo, convertei-nos! Reconhecemos nossa fraqueza e precisamos da sua graça. Sem ela não conseguiremos ser fiéis a Deus. Vinde, Espírito Santo!

sábado, 9 de julho de 2011

O MUNDO FRAGMENTADO

     Vivemos hoje num mundo fragmentado onde tudo é descartável, e esse mundo fragmentado exerce sobre o ser humano sua força de fragmentação. A todo momento enfrentamos essa força que se manifesta nos apelos do mundo nos atraindo e, se não estivermos atentos, nos obriga a sair de nós mesmos. Quando permito que essa força de fragmentação, da pressa, do relativismo, me dominem, fico fragmentada, fora do meu ser profundo e fora da realidade. Quando eu permito que isso me aconteça eu perco o meu rumo, a paz, a integridade interior. E é algo doloroso viver fora de si, ser invadida por todas essas forças desagregadoras.

      Deus é amor, é comunhão, é unidade. E é na presença dele na oração que sou restaurada. Mas quanto mais eu tiver permitido as forças do mundo entrar no meu coração mais acho difícil me desligar do mundo e entrar na presença amorosa e unificadora de Deus. É preciso deixar que aos poucos Ele vá me dando sua paz, me envolvendo no seu amor, me aconchegando em seu colo de Pai/Mãe. Aos poucos percebo que minha respiração ofegante vai se normalizando, meu coração vai diminuindo o ritmo de suas batidas, meus nervos, meu cérebro vai se tranquilizando. Vou saindo do emaranhado dos pensamentos acelerados, dos sentimentos conflituosos. Pronto. Sou de novo eu na presença de um Tu que é amor e que eu sei que me ama, que unifica meu ser na força do seu amor. Um Tu que me diz que eu sou filha amada, querida, aceita, acolhida.

      Nesta intimidade o Senhor toca e sela as cinco portas dos sentidos por onde sou constantemente invadida pelo mundo e por onde estou sempre escapando de mim mesma. Posso ficar em casa na Sua presença amorosa, na sua intimidade curadora. E o Pai se alegra porque eu voltei para casa. Nem toda sabedoria humana, todo conhecimento, todo amor recebido das pessoas queridas, nada neste mundo se iguala ao abraço amoroso do Pai, em Jesus, pelo Espírito Santo. Dentro do meu quarto interior, na presença de Deus, está contido o universo inteiro, onde Jesus Cristo é o Senhor.

Oremos com a Palavra do Senhor:

“Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda criatura; porque nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis: tronos, domínios, principados, autoridades; tudo foi criado por ele e para ele. Ele é antes de tudo e tudo subsiste nele. Ele é a cabeça do corpo, que é a Igreja; ele é o princípio, o primogênito dos mortos, para ocupar em tudo o primeiro lugar. Foi do agrado de Deus fazer habitar nele a plenitude e por ele reconciliar tudo consigo mesmo, pacificando pelo sangue de sua cruz todas as coisas, tanto as da terra como as do céus”. 
Cl 1,15-20

quarta-feira, 29 de junho de 2011

A CURA DA VIDA

       A graça de Deus flui sempre como um riacho que jamais se esgota em nosso espírito. É a graça ordinária, quer dizer, a que precisamos para viver a fé no cotidiano da vida. Essa é a graça que basta conforme 2Cor 12,9. Mas as vezes precisamos de uma graça extraordinária, não apenas um pequeno riacho, mas um rio caudaloso que transforme nossa vida e nos sustente nos momentos de dor profunda ou perda dolorosa. Aqueles momentos da vida em que pensamos não suportar, e, ao olharmos para trás, percebemos que realmente o Senhor nos carregou no colo.

É Ele quem perdoa inteiramente a tua falta
E cura todos os teus males.
Ele resgata tua vida do fosso
E te coroa de fidelidade e de ternura.
 (Sl 103(102), 3-4).

       As vezes a vida de uma pessoa foi a tal ponto ferida que ela precisa da graça de cura da vida. A cura da vida é mais do que receber a cura para este ou aquele trauma; vai além da cura física ou interior. Pode começar com uma cura interior, mas cura também fisicamente e transforma a mentalidade da pessoa. É curar a raiz da vida, traumas profundos que marcam e influenciam toda a vida da pessoa a ponto de mudar o seu jeito de ser.
 Como se uma pedra bloqueasse o fluir da fonte da vida tornando-a um deserto árido, onde não há socorro nem ajuda possível de nenhum ser humano em sua solidão. A causa de um trauma assim profundo pode ser algo que aconteceu  no início da vida – ainda no ventre materno e na infância – geralmente algo que a pessoa sofreu: tentativa de aborto, abuso sexual, agressão ou abandono, da parte das pessoas mais próximas... Ou algo que fizemos a nós mesmos na adolescência ou juventude. 

        Para curar a vida precisamos abrir todo nosso ser, com total confiança, sem nada esconder, diante de Deus nosso Pai criador, por Jesus Cristo, Cordeiro de Deus que carregou sobre si as nossas dores (Is 53,4), na luz do Espírito Santo; a ajuda, o acompanhamento, de uma pessoa com sabedoria e misericórdia para “sarar os corações feridos” (Is 61,1) pode ajudar no processo de restauração.

        A cura da vida geralmente acontece com uma graça inicial extraordinária, mas precisa de tempo e por isso vai se realizando numa escala progressiva. O tempo necessário para a pessoa redescobrir a si mesma, e se ver conforme o olhar de Deus, num processo de ressurreição já aqui nesta vida. É a graça do amor do Pai que vai nos restaurando segundo à imagem do seu Filho, Caminho, Verdade e Vida (Jo 14,6).






Se você acha que precisa de cura da vida oremos juntos:







                    Senhor, meu Deus e Pai, abro agora o livro da minha vida diante de vós, por Jesus, teu Filho amado, no Espírito Santo. Somente o Senhor conhece toda a minha vida, nada te é oculto, sabes tudo a meu respeito. Por isso abro o livro da minha vida diante de vós com toda confiança. O seu amor, misericórdia e perdão me envolvem totalmente neste momento. Não só envolve por fora, mas traspassa todo o meu ser, cada célula do meu corpo, cada experiência traumatizante, pensamento, sentimento, medo, culpa,... que já vivi.

      Ó Pai, eu te peço perdão por todas as vezes que eu não vivo esta entrega, este abandono confiante em tuas mãos. Cura, Senhor, as feridas dolorosas da minha vida que afetam o meu relacionamento contigo, comigo mesma e com as pessoas. Afetam o entregar-me amorosamente em tuas mãos. No meu abandono o Senhor me toma no colo e segura forte. Eu preciso viver assim, meu Deus, segura em teus braços; se eu quiser me afastar busca-me como a ovelha perdida. Dá-me agora, Senhor, a cura da vida que eu preciso. Dá-me a obediencia e paciência para entrar no processo de ressurreição que o Senhor tem para mim. Se for do seu agrado, Senhor, coloque em meu caminho alguém que me ajude,  que seja instrumento teu para mim. Amém.



quarta-feira, 22 de junho de 2011

VIVER COM ALEGRIA





“Anda, come teu pão com alegria e bebe contente teu vinho, porque Deus se agrada de suas obras” (Ecl 9,7).





        Este texto do livro do Eclesiastes trás o convite para vivermos com alegria e a razão para isso. Primeiro, para vivermos com alegria precisamos reconhecer que a  vida é dom de Deus e por isso devemos ter respeito por ela, reconhecendo que a vida não me pertence, ela pertence a Deus e me foi dada como presente. Quando reconhecemos isso ficamos livres para saborear a vida com alegria.

       Mas diante de tantos apelos e vozes do mundo dizendo como aproveitar a vida, facilmente podemos nos enganar e tomar um caminho errado. Então, precisamos responder à pergunta: O que é saborear a vida? Em primeiro lugar é realizar o sonho que  Deus sonhou para mim ao me criar: “Senhor,  fizeste-nos para ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em ti” (S. Agostinho). Tudo o mais vem por acréscimo (Mt 6,33). Quando ouvimos a voz do Senhor e o seguimos empenhamos  toda nossa vontade em descobrir o sonho de Deus para nós, procurando tirar os enganos do coração. Isto é conversão. A palavra do Eclesiastes convida a abandonar-me inteiramente ao Senhor, vivendo o momento presente sem querer reter nada, pois tudo passa.

     O segundo movimento é a razão de vivermos com alegria: ...”Deus se agrada de suas obras”. Para isso precisamos discernir a voz do Senhor da voz do mundo e da voz do inimigo que procuram nos desviar do sonho de Deus. A voz do mundo sempre nos convida a viver sem responsabilidade, sem pensarmos nas consequências de nossos atos, em ir atrás de falsos profetas. A voz do inimigo nos leva ao pecado, ao afastamento de Deus: “O ladrão só aparece para roubar, matar e levar à perdição” (Jo 10,10). Pessoas e situações, as vezes encantadoras, imprudentes, sedutoras, vem com aparência de bem ou inofensivas, mas é um mal e quer nos afastar do sonho de Deus e nos fazer perder a graça.

       Podemos imaginar que temos diante de nós duas portas. Uma está aberta e por ela entra a luz do sol; através dela eu vejo um jardim com flores, borboletas, passarinhos, uma fonte de água... e além do jardim um campo aberto muito verde, com árvores, montanhas e vales, um lugar cheio de vida e alegria. A outra porta está fechada, mas se eu quiser posso abri-la. Por ela entrará o desejo de poder, o consumismo, o apego, a angústia, a amargura, a tristeza, a raiva, o ressentimento, a mágoa, a doença da alma, do espírito, do corpo... entrará o pecado que rouba a vida e amizade com Deus.

Peçamos o socorro de Deus:

 Vem Espírito Santo, Senhor que dá a vida,
 dá-me o dom do discernimento dos espíritos,
 para que eu reconheça a voz de Jesus Bom Pastor,
 e, reconhecendo, abra a porta do meu coração para Ele.
Ó Espírito da Verdade,
dá-me a graça de reconhecer  também a voz do mundo
e a voz do inimigo, do sedutor,
disfarçado em tantas situações.
e dá-me força de fechar para ele a porta da minha vida.
Amém.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

VINDE, ESPÍRITO SANTO

       No último dia da festa, que é também o mais solene, Jesus, de pé, pôs-se a proclamar em alta voz: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Aquele que crê em mim, como disse a escritura: ‘Do seu seio jorrarão rios de água viva’”. Jo 7,37-38 

      A graça de Deus é como um rio que corre sobre a terra e por onde passa vai trazendo fecundidade. Esse rio se espraia em muitos braços fecundando uma grande extensão de terra. O rio é o Espírito Santo, dom de Deus, que se espraia em muitos dons na multiformidade da graça. Quando usamos os dons em favor dos irmãos fazemos chegar a fecundidade da graça em suas vidas. Onde chega essa água viva há vida, amor, paz, alegria, confiança, esperança. Não podemos bloquear o rio, e o desejo de Deus é que ele se espraie mais e mais. O Senhor conta conosco, somos os canais da graça de Deus.

      O Espírito de Amor nos leva a caminhar em direção ao “sol da justiça que traz a cura em seus raios” (Ml 3,20), Jesus Cristo meu Senhor! Nos convida a deixar o que fica para trás e caminhar em novidade de vida, vida que é transformada, mas não se acaba na esperança da glória. E a cada manhã o Espírito Santo desperta o meu ser para oferecer a minha vida num sacrifício de louvor. Ser, me tornar, a Eucaristia celebrada. E ao terminar o dia o por do sol me lembra que mesmo na escuridão da noite o Senhor vela por mim, e “certa como a aurora é a sua vinda” (Os 6,3). Posso viver em segurança e adormecer em paz como reza o salmista: “Em paz me deito e logo adormeço,  pois só tu Senhor, me fazes viver em segurança” (Sl 4,9).

 Oremos com confiança:

Ó Espírito Santo, amor do Pai e do Filho, que nos consola em todas as nossas tribulações, atraí-nos cada vez mais para a face misericordiosa do Divino Redentor. À luz de sua face experimento a bondade e ternura de Deus, sou amada e confirmada como filha. Respiro a atmosfera divina, sou curada das dores e perdas da vida, sou lavada da culpa, libertada das mágoas e ressentimentos. A sua graça me transforma.
Te entrego, Senhor, tudo o que é importante para mim e todas as pessoas que eu amo. Te entrego também tudo o que endurece o meu coração. Dá-me, Senhor, um coração livre, aberto, manso e humilde. Dá-me um coração rendido a Ti, um coração que ama e deseja ardentemente fazer vossa vontade. Dá-me um coração acolhedor, sempre disposto a amar e servir os irmãos. Amém.