E o deserto florescerá!

E o deserto florescerá!

sábado, 20 de agosto de 2011

A CURA INTERIOR



“Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho único, para que todo aquele que nele crer não morra mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16).

       A base da oração de cura - física, emocional e espiritual - é que Deus nos amou primeiro. Por isto podemos apresentar, com confiança, a Ele nossas feridas, nossas dores, na certeza que Ele se compadece de nós: “Ao desembarcar, viu uma grande multidão de povo e, sentindo compaixão, curou os seus enfermos” (Mt 14,14). Deus nos cura porque nos ama e o mal maior da humanidade é o desamor, a experiência de não ser aceito, não ser amado, como nos fala Madre Teresa de Calcutá: “A mais terrível pobreza é a solidão e o sentimento de não ser amado. A maior doença hoje não é a lepra ou a tuberculose ou aids, é, antes, o sentimento de não ser desejado”.

        Os traumas são feridas emocionais profundas as vezes mais dolorosas que feridas físicas, pois, quem sofre por causa de traumas muitas vezes experimenta que não há remédio para sua dor. Em tal situação muitos fogem para os vícios numa tentativa de entorpecer a dor, outros ficam na alienação, na fuga da realidade ou ainda buscam refúgio na depressão.

       Os traumas afetam a memória, a vontade e a liberdade. Afeta a memória pois quando estamos sob o domínio de uma experiência traumática, tudo o que lembramos da infância por exemplo, lembramos sob ótica da experiência dolorosa vivida. Afeta a vontade porque nossa ação, a decisão de fazer isto ou aquilo, e até a coragem e força para buscar o próprio desenvolvimento é influenciado pela dor interna que muitas vezes nos incapacita. Diante de tal quadro é fácil perceber como afeta a liberdade, ficamos condicionados e nos acostumamos a viver dominados pela dor que nos leva a acreditar que não temos saída. E para fugir da dor podemos ser levados aos vícios como a dependência quimica, a desordens e desvios sexuais, à depressão, à comportamentos autodestrutivos, e até ao suicídio. 

  • ·         Os traumas podem ser herdados – por exemplo uma mãe que tem pavor de água passar para os filhos o mesmo medo.
  • ·         Passados – algo que nos aconteceu desde o ventre materno. 
  • ·         Recentes ou presentes – algo que estamos vivendo ou vivemos recentemente.

       Podemos ver que todos precisamos de cura interior, uns mais outros menos. A boa notícia é que o Senhor sempre quer nos curar: “Aproximemo-nos, pois, com confiança do trono da graça, a fim de alcançar misericórdia e achar a graça de um auxílio no tempo oportuno” (Hb 4,16). É Jesus que cura! Podemos abrir sem reservas as feridas dolorosas da alma e permitir que Jesus as  toque e cure. Unindo nossa dor com a vida de Jesus permitimos que Ele transforme nossas feridas de dor em feridas de amor.

        Jesus, vem caminhar comigo na história da minha vida desde o momento em que eu fui gerado no ventre materno. Eu sei, Senhor, que tudo o que me aconteceu está diante dos teus olhos e para o Senhor todo o tempo é presente, minha vida é um grande hoje diante de vós. Jesus, eu tenho conhecimento de algumas coisas que me aconteceram, outras eu desconheço mas todas estão gravadas em minha memória e continuam influenciando a minha vida.  Por isto te peço, Senhor, cure agora todo registro do meu inconsciente. Toda e qualquer experiencia traumática registrada em minha memória e meu sistema nervoso. Te apresento, Senhor, se corri o risco de morrer, se houve ameaça de aborto; as doenças, o estado emocional e situação de vida dos meus pais quando fui gerado; as dificuldades que vivi no momento do nascimento, o medo, a insegurança, o complexo de inferioridade por não ser aceito e amado como eu precisava. Cura-me, Senhor. Dá-me, Jesus, aquele abraço amoroso que as vezes me faltou. Que eu possa ouvir por Ti a voz do Pai que me diz: “Tu és o meu Filho amado, de ti eu me agrado” (Mc 1,11). Amém.

domingo, 14 de agosto de 2011

VOLTAR PARA CASA


      Quem não já experimentou o refrigério de chegar em casa quando lá fora soprava um vento frio que penetrava nos ossos, ou um calor intenso num sol escaldante? Chegar em casa, se agasalhar, tomar um chá ou uma sopa quente quando se vem do frio ou beber um copo de água fresca, tirar a roupa suada, tomar um banho frio quando o calor nos maltrata. Como é bom ter a sensação de chegar em casa, ter um lugar onde se sinta em casa.

     As vezes podemos viver a experiência de estarmos fora de casa nas situações da vida – perigos, insegurança, perdas, desamparo, lutas diarias, stress, doenças, dificuldades... – que nos roubam as forças físicas e emocionais. Quando estamos assim precisamos nos recolher e experimentar o refrigério, o balsamo, a consolação que encontramos em nossa verdadeira casa, o ser profundo, sacrário da alma, templo santo de Deus. Onde eu encontro o doce Hóspede da alma que habita em mim e é mais íntimo de mim do que eu mesma.

        O lugar onde podemos nos sentir verdadeiramente em casa é o Coração de Jesus, no colo amoroso do Pai, no abraço consolador do Espírito Santo. Quando entramos no coração de Jesus, aberto pela lança, nos escondemos na fenda da rocha onde encontramos abrigo e proteção, onde experimentamos ser profundamente amados e aceitos como somos. Aí o Senhor me chama pelo nome, me diz quem sou, e me dá uma missão. Ouça a voz do Bom Pastor, a voz do Amado que diz: “Eu te aprecio e te amo” (Is 43,2). Quando faço a experiência do amor de Deus sinto que não preciso mais depender da aprovação dos outros porque eu experimento que sou amada como sou e como estou. Então, fico livre para amar.

     “Quando a minha glória passar, eu te porei na fenda da rocha e te cobrirei com a mão enquanto passo”  (Ex 33,22).
O Senhor te cobre com sua mão e te protege. Ele te ama, quer ser seu amigo. Deixe-se envolver pelo amor de Deus.

      Jesus, Bom Pastor, vem buscar a ovelha que não consegue voltar para casa. Cura-me, Salvador poderoso, do abandono, do desamparo, do desamor, da tristeza, da angústia, do medo, da insegurança, da ansiedade... Abriga-me na fenda da rocha do seu Coração. Entre agora no meu coração, luz que ilumina minhas trevas, vida da minha vida, meu Senhor e meu Deus. Mude minha mente e meu coração. Dá-me a graça de caminhar em novidade de vida por todos os meus dias. Amém.

domingo, 7 de agosto de 2011

O RIO DA VIDA


       “Não te envergonhes de confessar os teus pecados, não resistas à correnteza do rio”  (Eclo 4,26).

        Não resistir à correnteza do rio quer dizer não me opor ao rio da vida que me leva muitas vezes por onde não quero ir. Existem algumas situações na vida diante das quais é inutil lutar, seria como lutar contra a correnteza de um rio. Como não posso parar a correnteza do rio não posso deter o rio da vida com tudo o que ela me traz de bom ou ruim, preciso entregar-me e deixar que ele me conduza para o mar que é Deus.

        Mas não podemos simplesmente nos entregar e viver sem lutar por algo melhor, por dias melhores. Contra algumas coisas devo lutar, diante de outras preciso reconhecer que só me resta aceitar e me adaptar procurando, com a graça de Deus, tirar o melhor do que a vida me traz. Para distinguir entre umas e outras preciso do socorro do alto, do discernimento, da sabedoria do Espírito Santo. 

    Há situações em em que me opor à correnteza do rio é lutar por uma vida melhor, e em outras opor-me é um ato de pura rebeldia. Por exemplo, lutar para sair de uma situação de pecado, de um vício, de uma dependência emocional que me escraviza, lutar para melhorar de vida, melhorar a saúde, estudar, procurar um trabalho melhor para sair de uma situação de pobreza, é necessário para nos realizarmos como pessoa. Mas não adianta nos rebelarmos diante de uma doença genética, contra o temperamento – que pode ser melhorado, mas não mudado -  ou os anos que passam trazendo novas fases da vida, nem diante das decisões que uma pessoa próxima a nós toma e que nos atinge, e muito menos diante da morte. Diante destes e de outros fatos semelhantes preciso acolher a realidade e adaptar-me para viver feliz. Se fugir diante de situações semelhantes só aumentarei meu sofrimento e frustração.

       A sabedoria está em acolher a minha realidade permitindo que o Senhor entre nela e me ensine a viver, sem ficar reclamando das coisas que eu não posso mudar, ficando amarga e endurecendo o meu coração. Permitir que o Senhor me ensine a saborear a vida, e na minha realidade encontrarei  alegria e esperança, pois Jesus prometeu: “Disse-vos estas coisas para que tenhais paz em mim. No mundo tereis aflições. Mas tende coragem! Eu venci o mundo”! (Jo 16,33).

       Senhor Jesus, muitas vezes tenho medo da realidade e a rejeito porque ela me faz ver minha pequenez e meus limites. Tantas vezes fuji para não vivê-la intensamente. Mas hoje, Senhor, eu quero, junto contigo, acolher a minha realidade, deixar de me opor à correnteza do rio. Senhor, cura  a criança em mim que se sente desprotegida e tem medo.  Sei, pela fé, que o Senhor está comigo e me fará descobrir tesouros ocultos em meu interior e em minha vida.  Tesouros que só encontrarei acolhendo a minha realidade. Vinde Espírito Santo, dá-me discernimento e sabedoria para bem viver. Amém.

sábado, 30 de julho de 2011

A ESPERANÇA

        “E a esperança não engana, pois o amor de Deus se derramou em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi dado”. (Rm 5,5).

    Num mundo cheio de tantas discórdias, violência e guerras, onde somos bombardeados a todo momento com más notícias, muitas vezes somos atacados pela desesperança. Você talvez já tenha dito ou pensado: esta ou aquela situação não tem mais jeito. Vendo diariamente tantas coisas ruir em nossa sociedade, ficamos inseguros e percebemos que o medo muitas vezes se tornou nossa companhia constante. Na vida pessoal vivemos relações descartáveis e nos perguntamos se podemos confiar em alguém. Com o medo vem a ansiedade, a agressividade, e, em tal situação, tantos sofrem com a depressão.

    Diante desse quadro nos voltamos para a Palavra de Deus que nos diz: “a esperança não engana,...”.  E não engana porque sua base é o próprio Espírito de Deus que enche o universo.  E nos garante que não precisamos ter medo porque não estamos sós.

     Mas vezes não sabemos esperar, pois colocamos nossa esperança em algo ou em alguém, ou ainda na mudança de uma situação. Neste caso a esperança pode ser falsa, ilusória. Como viver a esperança? Como ser portador da esperança? Em quem esperar? 

    Esperamos e confiamos no amor de Deus. Deus me ama, Deus te ama. Esta é a razão da nossa esperança. Tanto nos ama que nos deu o Espírito Santo – o amor do Pai e do Filho – que habita no mais profundo do nosso ser. Nossa alma é morada de Deus, sacrário do Deus vivo. Eis a razão da nossa esperança! Se Deus nos ama assim como não nos dará tudo o que precisamos? Não tudo o que queremos, mas tudo o que precisamos.

    Para alcançar o que esperamos precisamos fazer o exercício de nos desprender do objeto esperado. Quando nos desapegamos do que desejamos – e as vezes desejamos tão ardentemente que ficamos cegos – e colocamos a esperança em Deus que nos ama, nossa esperança será frutuosa e o coração ficará cheio de paz.

   Hoje como nunca encontramos pessoas com depressão. Ela desgasta as forças, trazendo um grande cansaço de viver. A esperança é uma força na depressão e coopera na sua cura. Mesmo no vale escuro da depressão levante seu olhar para Deus, mesmo se não conseguir falar nada com Ele. A  esperança que é derramada em seu coração é o sinal de que o Senhor  caminha com você pelo vale escuro.

      Senhor Jesus, hoje,  eu tomo posse  dessa Palavra: “a esperança não engana”. Liberta-me, Senhor, da desesperança. Por misericórdia, cure a tristeza, a melancolia, a depressão, que vem me abater. Renove em mim a força vital, a alegria de viver. Mesmo quando passo  “pelo vale da sombra da morte”, dá-me o dom da fé, a graça de crer que o Senhor está comigo. Ó divino Espírito Santo, penhor da nossa esperança, encha-nos do amor de Deus. Amém.

domingo, 24 de julho de 2011

O JOIO E O TRIGO


       “O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente em seu campo. Mas, enquanto todos dormiam, veio seu inimigo, semeou uma erva daninha, chamada joio, entre o trigo e foi embora. Quando o trigo germinou e fez a espiga, apareceu também o joio. Então os escravos do propietário foram dizer-lhe: ‘Senhor, não semeaste semente boa em teu campo?Donde vem, pois, o joio?’ Ele respondeu: ‘Foi um inimigo que fez isso’. Os escravos lhe perguntaram: ‘Queres que vamos arrancá-lo?’ Ele respondeu: ‘Não, para que não aconteça que, ao arrancar o joio, arranqueis também o trigo. Deixai crescer até à colheita. No tempo da colheita direi aos que cortam o trigo: ‘colhei primeiro o joio e atai-o em feixes para queimar; depois recolhei o trigo no meu celeiro’”. (Mt 13,24-30)

       O Reino de Deus está presente e acontece em meio à contradição deste mundo. Muitas vezes pensamos que as coisas de Deus são separadas do mundo, mas Ele não quiz assim. Jesus “armou sua tenda no meio de nós” e viveu plenamento o que significa ser humano: “...passou pelas mesmas provações que nós, com exceção do pecado”  (Hb 4,15).

       A Palavra de Deus é o trigo semeado. Onde ele é semeado? Primeiramente no coração humano. Jesus nos fala da contradição do joio semeado junto do trigo para que tomemos consciência de que sempre haverá o joio. As vezes pensamos que o nosso amor a Deus e aos irmãos e as nossas ações devem ser puras, isto é, sem nenhum joio, e que em nós haja apenas trigo. Mas é impossível para nós, homens e mulheres, cuja natureza é pecadora, ter um amor ou ação totalmente puros. Deixar crescer junto o joio quer dizer acolher nosso ser inacabado e incoerente, e, a partir do reconhecimento humilde de nossa realidade, deixar que o Espírito Santo vá nos purificando, ou seja, arrancando o joio.

     Além do joio semeado em nosso coração há o joio semeado no mundo, na sociedade em que vivemos e que nos afeta. É algo que vem de fora, mas se não vigiarmos na oração pessoal, na participação na comunidade, na escuta e vivência da Palavra de Deus, entrará em nós e sufocará o trigo semeado pelo Espírito Santo. E Jesus nos alerta que o joio foi semeado pelo inimigo. Fiquemos atentos. O inimigo é inimigo. Quer a nossa destruição, nos odeia, deseja arrancar o que foi plantado por Deus. As vezes se disfarça em bem querendo se parecer com o trigo, mas, não se engane, ele quer a nossa perdição.

      Como me conduzir se trigo e joio crescem juntos? A solução está em nos aproximarmos cada vez mais de Deus com um coração sincero, sem disfarces. Entregar-me ao Senhor e deixar que Ele mesmo arranque o joio semeado pelo maligno. E o melhor modo de se aproximar de Deus é cultivar um relacionamento íntimo com Ele na oração pessoal, onde abro o meu coração para Jesus entrar (Ap 3,20), na a leitura orante da Bíblia ouço a direção de Deus para mim, e sou curada no amor misericordioso do Pai, e celebrando a ação de graças, a Eucaristia.

       Senhor, eu te apresento o campo do meu coração onde o Senhor mesmo semeou a boa semente de trigo que germinou abundantemente. Mas veio o inimigo e semeou a erva daninha que cresceu e ameaça sufocar o trigo. Jesus, vem cuidar deste campo que é teu. Vem, divino semeador, arrancar o joio e adubar o trigo. Dá-me um coração dócil que permita ao Senhor arrancar o joio. Tira a venda dos meus olhos que me impede de ver como o joio tem crescido em minha vida. Não permitais, meu Deus, que eu me afaste de vós. Dá-me gosto pela oração e amor pela tua Palavra. Amém.


domingo, 17 de julho de 2011

A ALIANÇA COM DEUS

“O Senhor se lembra sempre da aliança...” (Sl 105(104), 8).

       A primeira aliança que Deus fez com o ser humano aconteceu na criação, nos criando à sua imagem e semelhança e dando ao ser humano o cuidado, o governo do mundo criado (Gn 1,26). Fez aliança com a humanidade através de Noé salvo do dilúvio abençoando a terra (Gn 9,9-17).  Fez Aliança com um povo através de Abraão; essa aliança incluia a descendência familiar e a posse da terra (Gn 15,18). Depois renovou a aliança dando a esse povo uma  Lei por meio de Moisés (Ex 24,7-8).

        Mas a Aliança nova e definitiva foi feita em Jesus Cristo por sua Encarnação, Paixão, Morte e Ressurreição: “Este cálice é a nova aliança em meu sangue, derramado por vós” (Lc 22,20). Essa aliança não foi feita com sangue de touros e bodes como no tempo de Abraão ou de Moisés, mas foi feita no sangue do Cordeiro de Deus, derramado por nós na Cruz. “O Senhor se lembra sempre da aliança”. Diante dos olhos do Pai está sempre o sacrifício do Filho, e quando nos colocamos aos pés da cruz o Pai nos vê através do sangue de Jesus. Por isto somos tratados com misericórdia por Deus.

       Em Jesus Cristo, Deus fez aliança pessoal conosco através do batismo, nos dando o Espírito Santo, o Espírito do seu Filho. Somos de fato filhos amados de Deus Pai, em Jesus, pelo Espírito Santo (Rm 8,15-16). A aliança realizada no batismo é alimentada na Eucaristia quando o próprio Deus se dá a nós como alimento e remédio, vem morar em nós, ser conosco, nos cristificar. Como dizia Santo Agostinho: “Deus é mais íntimo a mim do que eu mesmo”.

       Deus é fiel e não quebra a aliança, mas nós muitas vezes somos infiéis e nos esquecemos que saimos de Deus e para Deus voltaremos. Quebramos a aliança ou nem temos consciência da existência dela. Diante da aliança de amor que Deus fez conosco fica a pergunta: Eu tenho sido fiel a aliança que fiz com Deus pelo meu batismo?

Na nossa fraqueza peçamos o auxílio do Espírito Santo:

       Vinde Espírito de amor, vinde sobre nós. Enchei os nossos corações com o amor de Deus. Perdoa os nossos pecados, perdoa-nos por termos quebrado a aliança, por não termos feito caso dela.  Dá-nos um coração dócil, temente a Deus, que O ame sobre todas as coisas. Dá-nos a graça de sermos fiéis ao nosso batismo. Vinde Espírito Santo, convertei-nos! Reconhecemos nossa fraqueza e precisamos da sua graça. Sem ela não conseguiremos ser fiéis a Deus. Vinde, Espírito Santo!

sábado, 9 de julho de 2011

O MUNDO FRAGMENTADO

     Vivemos hoje num mundo fragmentado onde tudo é descartável, e esse mundo fragmentado exerce sobre o ser humano sua força de fragmentação. A todo momento enfrentamos essa força que se manifesta nos apelos do mundo nos atraindo e, se não estivermos atentos, nos obriga a sair de nós mesmos. Quando permito que essa força de fragmentação, da pressa, do relativismo, me dominem, fico fragmentada, fora do meu ser profundo e fora da realidade. Quando eu permito que isso me aconteça eu perco o meu rumo, a paz, a integridade interior. E é algo doloroso viver fora de si, ser invadida por todas essas forças desagregadoras.

      Deus é amor, é comunhão, é unidade. E é na presença dele na oração que sou restaurada. Mas quanto mais eu tiver permitido as forças do mundo entrar no meu coração mais acho difícil me desligar do mundo e entrar na presença amorosa e unificadora de Deus. É preciso deixar que aos poucos Ele vá me dando sua paz, me envolvendo no seu amor, me aconchegando em seu colo de Pai/Mãe. Aos poucos percebo que minha respiração ofegante vai se normalizando, meu coração vai diminuindo o ritmo de suas batidas, meus nervos, meu cérebro vai se tranquilizando. Vou saindo do emaranhado dos pensamentos acelerados, dos sentimentos conflituosos. Pronto. Sou de novo eu na presença de um Tu que é amor e que eu sei que me ama, que unifica meu ser na força do seu amor. Um Tu que me diz que eu sou filha amada, querida, aceita, acolhida.

      Nesta intimidade o Senhor toca e sela as cinco portas dos sentidos por onde sou constantemente invadida pelo mundo e por onde estou sempre escapando de mim mesma. Posso ficar em casa na Sua presença amorosa, na sua intimidade curadora. E o Pai se alegra porque eu voltei para casa. Nem toda sabedoria humana, todo conhecimento, todo amor recebido das pessoas queridas, nada neste mundo se iguala ao abraço amoroso do Pai, em Jesus, pelo Espírito Santo. Dentro do meu quarto interior, na presença de Deus, está contido o universo inteiro, onde Jesus Cristo é o Senhor.

Oremos com a Palavra do Senhor:

“Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda criatura; porque nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis: tronos, domínios, principados, autoridades; tudo foi criado por ele e para ele. Ele é antes de tudo e tudo subsiste nele. Ele é a cabeça do corpo, que é a Igreja; ele é o princípio, o primogênito dos mortos, para ocupar em tudo o primeiro lugar. Foi do agrado de Deus fazer habitar nele a plenitude e por ele reconciliar tudo consigo mesmo, pacificando pelo sangue de sua cruz todas as coisas, tanto as da terra como as do céus”. 
Cl 1,15-20