E o deserto florescerá!

E o deserto florescerá!

sábado, 28 de julho de 2012

SOB A PROTEÇÃO DE DEUS



   
  “Até o pássaro encontra um abrigo, e a andorinha um ninho, onde colocar seus filhotes, perto dos teus altares Senhor Todo-poderoso” (Sl 84(83),4.




       O salmista fala do anseio, o desejo por Deus, que brota na alma de quem ora. Seu pedido é: que o Senhor venha em nosso auxílio com sua proteção, transformando nossa vida com sua presença.

Imagem da internet
        Por ser criada na roça a imagem de pássaros fazendo ninhos é familiar para mim. Cada um tem seu modo, sua técnica, na construção do ninho – desde os mais resistentes e engenhosos como o do joão-de- barro, até os mais frágeis, apenas algumas palhas e raminhos secos no galho fino de um árvoredo. Me lembro dos filhotes que caiam do ninho antes de suas asas estarem fortes para voar e ficavam desprotegidos vagando pelo chão.

       Assim como os passarinhos o ser humano anseia por cuidado e proteção. Sua maior necessidade, o desejo mais profundo de sua alma, é ser aceito e amado. E muitas vezes por nos faltar amor e aceitação, vamos cometendo muitos erros  pela vida afora.

      A cura desta ferida, o preenchimento do vazio causado pelo desamor, se realiza no abraço amoroso de Deus Pai. No Coração de Jesus, aberto pela lança, é o lugar onde podemos construir nosso ninho, reconstruir nossa vida. O Senhor nunca nos abandona e age mesmo nos estranhos caminhos da nossa vida. Caminha conosco mesmo quando fugimos do seu amor e nos conduz de forma misteriosa ao seu projeto. Se nos dispusermos a prestar atenção à Deus, Ele se manifestará a nós e nos conduzirá, pelo seu Espírito, à realização do sonho dele para nossa vida.

Ó Espírito Santo de Deus, abri os meus olhos para perceber as pegadas que o Senhor deixa em meu caminho. 
Senhor Jesus, cura-me de toda rejeição, abandono e desamparo. 
Liberta-me da tristeza, da angústia e do medo. 
Dá-me um coração sensivel para o amor de Deus. 
Liberta-me de toda impiedade, revolta, ressentimento e mágoa. 
Eu renuncio a Satanás e às suas obras e professo que creio em Deus sobre todas as coisas. 
Renova, Senhor, as graças e bençãos do meu batismo. 
Por Cristo, nosso Senhor. 
Amém.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

O TOQUE DE JESUS



     “De repente, aproximou-se um leproso, prostrou-se diante dele e disse: ‘Senhor, se quiseres, podes limpar-me’. Jesus, estendendo a mão, tocou-o e disse: ‘Eu quero, fica limpo’”  (Mt 8,2-3).

        O toque de Jesus é o toque da misericórdia de Deus. Ó Pai, reconhecemos o seu grande amor manifestado em Jesus Cristo. E diante desse amor inclinamos nossa cabeça, dobramos os joelhos e adoramos, pois Deus está no meio de nós. Está no meio da humanidade frágil, pecadora. Mais do que isso: se fez um de nós. Não veio como um estranho, veio para o seu povo: “Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam” (Jo 1,11). Desde a origem fomos criados à imagem e semelhança de Deus e isto quer dizer: à imagem e semelhança do Filho, Jesus. Por isso Jesus veio para os seus semelhantes, igual a nós em tudo, com exceção do pecado (Hb 5,15).

       Irmãos, aqui está a causa da nossa alegria mesmo em meio às tribulações da vida: desde o início existe em nós uma centelha divina porque o Senhor assim nos criou. Ser imagem e semelhança de Deus é a maior dignidade, o maior título do ser humano. Dignidade que esquecemos com o pecado, pois, pelo pecado  se deu a ruptura com Deus e a morte entrou no mundo (Rm 5,12).

        Podemos imaginar aquele leproso que mesmo sendo considerado impuro teve a coragem de aproximar-se de Jesus. Provavelmente as pessoas se afastaram quando o viram se aproximar e como era costume devem ter gritado: impuro, impuro... para que ninguém tocasse nele inadivertidamente. Mas ele se prosta diante de Jesus, sabendo que ali está o único que pode limpá-lo. Purificando sua alma de todo pecado e infidelidade à Deus,  curando seu coração dos traumas da vida, curando o seu corpo da doença deformante. Aquele leproso prostrado diante do Senhor era um retrato da humanidade afastada de Deus, doente no espírito, na alma e no corpo.

       Diante do ser humano assim ferido Jesus fica profundamente comovido. Ele veio exatamente para salvar quem estava como aquele homem. Jesus, acolhe o leproso tocando-o – quebrando a proibição da Lei - e fala com ele manifestando sua vontade e misericórdia: “Eu quero, fica limpo”.

Oremos juntos:

      Senhor Jesus, revelação da misericórdia do Pai. Nos colocamos na sua presença como aquele leproso. Há tanto tempo estamos longe que esquecemos a centelha divina que há em nós. 
Somos, muitas vezes, engolidos pelas preocupações do mundo. Há tantas forças dentro e fora de nós que nos envolvem e cegam. Nosso coração é como um campo de batalha entre a sua graça, o maligno e o mundo. 
Dá-nos sabedoria para escolher o seu amor, pois o Senhor, na sua misericórdia, jamais desiste de nós.  
Cura-nos, Senhor, no corpo, na alma e no espírito. Limpa-nos da pior doença que é a lepra do pecado, que pode nos afastar definitivamente de vós e nos levar à morte eterna. 
Vinde Espírito Santo, acender em nós a centelha divina, fazendo-nos experimentar a alegria de sermos verdadeiramente filhos de Deus, semelhantes a Jesus. Amém.

domingo, 8 de julho de 2012

SER PROFETA



    “Antes mesmo de te formar no ventre materno, eu te conheci; antes que nascesses, eu te consagrei e te constituí profeta para as nações” 
(Jr 1,5).

     O profeta é chamado por Deus; ser profeta é receber e dizer sim a esse chamado. Todos nós batizados recebemos esse chamado - o dom de profecia do Espírito Santo - no dia do nosso batismo.  Então devia haver na Igreja tantos profetas quantos batizados. 

        O que é profecia? A profecia sempre despertou grande curiosidade na humanidade. Há uma sede de conhecer o futuro, de saber o que ele nos reserva. Muitos foram e são enganados nesta busca; outros vivem com medo por causa das supostas profecias de fim do mundo. Se olharmos para a história humana vemos que de tempos em tempos acontece uma inquietação por  causa disso. Há quem em tudo, em qualquer escrito do passado, veja uma profecia. A profecia pode ser uma revelação de coisas futuras e a garantia da veracidade do profeta é se elas se realizam.

      Mas olhando para os profetas da Bíblia -  que tiveram suas profecias confirmadas por Deus porque elas se realizaram - vemos que muitas vezes não só revelavam o futuro, mas falavam em nome de Deus para exortar, chamar à conversão, consolar, animar, reavivar a fé, a confiança do povo; preparar o caminho do Senhor.

Para viver como profetas precisamos:
1.    Viver na dependência de Deus – “Levanto os olhos para ti, que habitas nos céus. Como os olhos dos escravos se fixam na mão de seus senhores, e como os olhos da escrava, na mão de sua senhora, assim nossos olhos se fixam no Senhor nosso Deus, até que tenha piedade de nós”  (Sl 123(122),1-2).

2.    Aceitar o espinho na carne (2Cor 12,7-9). Todos nós somos frágeis, pecadores; todos nós temos um espinho na carne que não conseguimos arrancar por nossas forças, e que o Senhor permite que fique conosco para que a “grandeza das revelações” não nos leve à perdição pelo orgulho, mas nos faça crescer em humildade. Aprender, na humilhação da nossa fraqueza, que basta a graça de Deus. Aprender a depender da graça.

3.    Sofrer por causa de Cristo. Permitir que Jesus viva em nós e transforme nossa vida. Ser portador da Palavra; permitir que o Espírito Santo gere Jesus em nós como gerou no ventre de Maria. “Eis porque sinto alegria nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor de Cristo. Pois quando me sinto fraco, então é que sou forte” (2Cor 12,10).

     Hoje mais do que nunca o mundo precisa de profetas que desafiem o poder do mal presente no mundo, e levem a mensagem de amor, vida, esperança, fé e salvação. Como disse o Papa Paulo VI:
 “A Igreja tem necessidade  de um perene Pentecostes; tem necessidade de fogo no coração, de palavra nos lábios, de profecia no olhar”. 
O Cristo ressuscitado caminha conosco e nos chama a ser profetas.

Se você quer aceitar o chamado de Deus, oremos:

    Vinde Espírito Santo, o Senhor “que falou pelos profetas”, renova em mim o dom da profecia. Dá-me ânimo, coragem e alegria de ser profeta no mundo de hoje, no lugar onde vivo, onde o Senhor me colocou. Ensina-me a viver como profeta. Renova a consagração batismal, o zelo pelo Evangelho, e a graça de, na minha fraqueza, ser testemunha de Jesus Cristo. Amém. 
Vitória - E.S. imagem da internet

quarta-feira, 27 de junho de 2012

O CAMINHO ESTREITO



“Mas os que esperam no Senhor renovam suas forças, voam nas alturas como as águias. Correm e não se fadigam, caminham e não se cansam” (Is 40,31).

         Todos nós ao olharmos para trás, certamente veremos que já passamos por caminhos pedregosos, estreitos, difíceis, perigosos... e que em muitos momentos só superamos algumas situações porque a amorosa mão do Senhor nos sustentou.

        Jesus diz àqueles que o querem seguir que o caminho é estreito (Mt 7,14), que sobe uma montanha, mas é um caminho seguro, pois o Senhor mesmo é o Caminho (Jo 14,6). Ele sempre nos anima a  prosseguir na subida, a não desanimar apesar do cansaço e do sol quente, do frio, dos ventos e da chuva. Ele renova as nossas forças e quando é necessário nos carrega no colo ou nos manda um cirineu nos ajudar a carregar a cruz (Mt 27,32).

       Este caminho é o caminho da vida que preciso fazer só, porque ninguém pode fazer por mim. Mas não é um caminho solitário, pois nele encontro pessoas que estão fazendo o seu próprio caminho e ao cruzarem comigo me animam. Neste encontro eu as ajudo e elas me ajudam a fazer seu próprio caminho. Além disso o Senhor nos proporciona pausas restauradoras. Essas pausas restauradoras podem ser o nascimento de uma criança na família, uma viagem, o encontro com alguém querido que há muito não víamos, o sentimento de voltar para casa, para sua terra, para a família... Para você o que é uma pausa restauradora? Você identifica pausas restauradoras em sua vida? Agradeçamos ao Senhor por elas. São presentes.

        As vezes o caminho fica mais difícil por causa do apego. Temos o hábito de colocar num grande saco todas as coisas que nos aconteceram. Colocamos as coisas boas porque gostariamos que fossem eternas. Colocamos também as coisas ruins que nos aconteceram conservando no coração a mágoa, ressentimento, raiva, a injustiça sofrida... E todos os dias abrimos esse saco e ficamos olhando o que tem dentro. Caminhamos pela vida arrastando este saco. Imagine-se caminhando por um caminho estreito que sobe e desce, que tem vários obstáculos como pedras e árvores, puxando este saco. Já imaginou? É assim o caminho da vida se o coração estiver apegado. Precisamos cortar o saco pois ele dá dor nas costas, calos nas mãos, sobrecarga nos joelhos...

Oremos juntos

       Senhor Jesus, livra-nos dos apegos. Livra-nos do sentimento de culpa, da angústia, melancolia... pelo que nos aconteceu no passado. Te entrego , Senhor, o apego ao fardo da minha vida.  Dá-me forças para cortar a corda que me prende a este fardo. Quero ser livre para voar nas alturas, nas asas do Espírito Santo. Senhor, recebo com o coração agradecido, teu amor, teu perdão, a cura das feridas, dos traumas e pecados. Dá-me a tua graça. Ela é o fardo leve que quero carregar todos os dias da minha vida. Amém

sábado, 16 de junho de 2012

O SUSTENTO DE DEUS



“Pois assim fala o Senhor Deus de Israel: A farinha do pote não acabará e o azeite do jarro não diminuirá, até o dia em que o Senhor mandar chuva sobre a terra”  (1Rs17,14).

      Naquele tempo houve uma grande seca sobre a terra. Aquela era uma região rural e quem vive no campo conhece os efeitos de uma seca prolongada. Toda a forma de vida vai definhando (as plantas, os animais e as pessoas). Nesta situação Deus manda o profeta Elias buscar ajuda para sobreviver à seca. Mas Deus sempre age de forma inesperada pois seus pensamentos não são os nossos (cf. Is 55,9). Assim, o Senhor não manda Elias buscar ajuda junto do seu povo, mas o envia a uma mulher estrangeira, viuva e pobre, que nada tinha para o seu sustento e o sustento de seu filho.

     Quando Deus entrou na vida daquela mulher sua esperança estava no fim e ela se preparava para fazer a última refeição e esperar a morte junto com seu filho – para você compreender melhor leia: 1Rs 17,8-16. Quem é mãe, viuva, pobre, quem já passou por dificuldades na vida pode imaginar o que ia na alma daquela mulher...

      Mas, quando parecia não haver mais esperança, Deus se manifesta através de Elias. E se manifesta de uma forma incompreensível aos nossos olhos. O Senhor, através do profeta, pede a ela tudo o que lhe restava: que faça um pão, não para ela e o filho mas para Elias. O Senhor lhe pede uma prova de absoluta confiança. Olhando para essa mulher podemos perceber que, apesar de todo sofrimento e perdas que aconteceram em sua vida, ela tinha o coração aberto para Deus e para os irmãos, e por isto ela agradou a Deus.

        Quando Elias lhe pede água e pão ela lhe conta sua situação com palavras simples, sem reclamação, murmuração ou revolta. Na pessoa da viuva temos o exemplo de uma pessoa que sofre e sua reação ao sofrimento. Amados, o sofrimento faz parte da vida de todos nós. O faz a diferença é nossa atidude diante do sofrimento: podemos fechar o coração, cultivar tristeza, amargura, ódio, revolta... ou podemos nos abrir e, no sofrimento, deixar que o Senhor nos transfigure. Passar pelo sofrimento como aprendizado, abrindo o coração para o consolo e a força de Deus, crescendo como pessoa. A viúva de Sarepta era estrangeira, pobre, desamparada, mas aberta para Deus. Por isto Deus pode agir na vida dela e de seu filho: “A farinha do pote não acabou e o azeite do jarro não diminuiu, como o Senhor tinha falado por intermédio de Elias” (1Rs 17,16).

    Se você esta vivendo uma situação semelhante, se algo em sua vida parece não ter solução confie no Senhor. Se no seu casamento, na vida de seus filhos, no trabalho, na solidão, na doença... parece que só resta um punhado de farinha e um pouco de azeite, não temas! Abra o seu coração pois está conosco alguém que é muito maior que Elias: o Senhor Jesus Cristo. Preste atenção à sua voz, não permita que o sofrimento endureça o seu coração. Ele nos fala em sua Palavra, fala através dos irmãos, fala na oração, nos consola e nos sacia na eucarístia: “Eu sou o pão vivo descido do céu. Se alguém comer deste pão viverá para sempre. E o pão que eu darei é minha carne para a vida do mundo” (Jo 6, 5).

  Hoje eu não vou escrever uma oração. Fale com Jesus, abra seu coração para Ele. Fale com palavras simples e com toda confiança sobre a realidade da sua vida, como fez a viúva. Ele está sempre conosco: “Eis que estou convosco, todos os dias, até o fim do mundo”  (Mt 28,20).

quinta-feira, 7 de junho de 2012

NASCER DE NOVO


“Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer de novo não poderá ver o Reino de Deus’”  (Jo 3,3).

      Jesus nos fala que precisamos nascer de novo para sermos pessoas do reino. Quer dizer nascer pelo Espírito para Deus Pai. O processo de nascer de novo começa quando fazemos uma experiência, temos um encontro, com Cristo ressuscitado. E em Jesus experimentamos que somos filhos amados. É verdade, somos filhos de Deus, mas não temos ainda pensamentos, sentimentos e atitudes de filhos de Deus. Por isto precisamos nascer de novo.

     As atitudes do homem/mulher velhos – pecados, preconceitos, conceitos, cultura, modo de viver – estão inscritos profundamente em nós. Podemos mesmo dizer que estão em nosso DNA. Então, para nascermos de novo, Jesus nos dá o seu Espírito, o Espírito do Filho que clama em nós: “Abba, Pai” (Rm 8,15). A missão do Espírito Santo é trocar nosso coração de pedra por um coração de carne – quer dizer: um coração de filho (cf. Ez 36,26).

       Isso não é tarefa fácil! Envolve dor e sofrimento. O Espírito Santo geme em nós em sua ação de trocar nosso coração – desejando alargar o nosso coração para que haja nele espaço para Deus (cf. Rm 8, 26). E nós gememos com o Espírito e por causa da ação do Espírito. Porque a mudança, a transformação, a passagem de homens e mulheres naturais para espirituais – quer dizer: deixar de ver a vida com os olhos da carne e passar a ver com olhos sobrenaturais, conduzidos pelo Espírito de Jesus - implica dor. Nascer dói. Não lembramos do nosso nascimento, mas podemos imaginar que para uma criança, assim como para a mãe, o nascimento é difícil e doloroso, e geralmente marca toda nossa vida.

  Assim também o nascimento para Cristo, e por Cristo ao Pai, implica sofrimento, conversão, incompreensões, perseguições, mas da mesma forma que nos alegramos com o nascimento de uma criança, nascer de novo nos traz uma grande alegria - a alegria fruto do Espírito (cf. Gl 5,22).  Podemos nos entregar com confiança e sem medo à condução do Espírito Santo, pois Deus é fiel: “Sei em quem pus minha confiança...” (2Tm 1,12).

Oremos juntos:

Vinde Espírito Santo.
Vinde nos fazer nascer de novo. 
Precisamos nascer de novo porque os limites desta vida antiga são estreitos demais. 
Alargue, ó Espírito Santo, o meu coração. 
Dá-me um coração semelhante ao de Jesus. 
Um coração que anseia, que clama, pela comunhão com o Pai: Abba Pai.
Para isto transforme as áreas mais profundas do meu ser, principalmente aquelas endurecidas pela impiedade, resistentes à ação de Deus.
Liberta-me da escravidão do homem/mulher velho. 
Faz-me nascer de novo. 
Encha o meu coração do amor e da paz que só a comunhão com o Pai e a força do Ressuscitado pode me dar. 
Vinde, Espírito Santo.

sábado, 19 de maio de 2012

APEGO & DESAPEGO


 “Digo-vos, pois, irmãos: o tempo é curto. De resto, os que têm mulher vivam como se não a tivessem; os que choram, como se não chorassem; os que se alegram, como se não se alegrassem; os que compram, como se não possuíssem; e os que usam deste mundo, como se dele não usassem, porque a aparência deste mundo passa” 
(1Cor 7,29-31).

     Neste texto Paulo apresenta um programa de vida na vivência do desapego. Mas quem consegue vivê-lo integralmente? Eu luto para colocá-lo em prática, mas um dia consigo, outro não. As vezes penso ter caminhado um pouco e aí me deparo com uma queda e parece que não dei passo algum. Só me resta pedir ao Espírito Santo que faça em mim o que eu não consigo fazer com minhas forças, por mais que eu queira.

      Há quem diga que a raiz de todo sofrimento é o apego. Não vou dizer isto pois sei que há muito mais no mistério do sofrimento humano. Mas é verdade que todo apego traz sofrimento. Para comprovar isso basta você olhar mais profundamente para o que causa a maior parte de seus sofrimentos e dores. Então, chegamos à conclusão de que precisamos aprender, praticar, viver, o desapego.

      A nossa vida é uma sucessão de desapegos. Vejamos: o primeiro desapego é sair do útero materno, nascer. Depois vem o desapego da infância, por melhor ou pior que ela tenha sido, precisamos deixar para traz. Desapegar da adolescência e suas inconsequências, quando pensávamos que nada de mal ia nos acontecer e que tínhamos todo o poder. Hoje, infelizmente muitos não passam dessa fase da vida, por causa das drogas, da violência e imprudência no trânsito. Depois vem o desapego da juventude. Precisamos nos desapegar dos projeto de vida que fizemos na juventude –  realizados ou não – para bem viver a maturidade. Amados, vemos que as perdas acontecem durante toda a vida, mas na maturidade e na velhice parece que elas se acumulam. Vivemos o desapego dos filhos, dos netos, do trabalho profissional, muitas vezes da saúde, e é necessário aceitar as diversas limitações que a vida e a idade nos trazem. Parece desanimador? Na verdade não é. O Senhor caminha conosco e sempre nos convida a abrir-nos para o novo, para coisas novas ou sonhos antigos, que ficaram guardados e que podemos realizar nesta fase da vida.

     A morte nos leva ao último desapego: despedir-me do meu corpo. Isto certamente é o mais dificil pois eu não apenas tenho um corpo, eu me identifico com ele – sou o meu corpo. Através do meu corpo é que me expresso, me relaciono, me torno presente no mundo. Mas chegará um momento em que eu precisarei desapegar-me do meu corpo. Despedir do meu cérebro e de todas as forças maravilhosas que sustentam a minha vida: a inteligência, a consciência, o livre arbítrio, os pensamentos, sentimentos, emoções, a criatividade, a capacidade amar, de começar de novo, de relacionar-me, etc.

     Mas, pela fé, eu não deixo o meu corpo para ir para o nada, o vazio. Eu o deixo o por um tempo para ir para a fonte da vida: Deus. Em Deus um dia meu corpo será transformado num corpo espiritual, belo e livre. A morte não é o fim, mas o começo de uma vida nova em Cristo Jesus, o Senhor que venceu a morte.

Vamos orar?
   Vinde Espírito Santo libertar-me dos apegos que me prendem e fazem sofrer. Senhor, minha vida está em vossas mãos. A vós entrego meus sonhos, desejos, e aquilo não consigo mudar em mim e fora de mim. O Senhor é o meu socorro, em vós espero. Olhando para minha vida vejo que o Senhor providênciou o necessário e me deu em acréscimo. O Senhor me livrou de muitos perigos e me trouxe até aqui, à esta fase da vida. Senhor, liberta-me do medo da morte. Com confiança eu vos entrego todos e tudo a que ainda estou apegada. Amém.

“E, quando este ser corruptível se revestir de incorruptibilidade e este ser mortal se revestir de imortalidade, então se cumprirá o que está escrito: A morte foi tragada pela vitória. Morte, onde está tua vitória? Morte, onde está teu aguilhão?” 
(1Cor 15,54-55).